As exportações brasileiras de carne bovina ao mercado árabe somaram US$ 1,44 bilhão no acumulado de janeiro a setembro de 2024, um crescimento de 88,95% sobre a receita obtida em igual período de 2023, informa a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira.
Trata-se de novo recorde de vendas aos países da Liga Árabe, com valores acima do total registrado em 2019, o melhor ano da série histórica.
No período de nove meses do ano, os Emirados Árabes Unidos lideraram as compras de carne bovina brasileira, com receita de US$ 547,02 milhões, um avanço de 168,56% sobre o valor de igual intervalo do ano passado.
As vendas ao Egito, segundo no ranking, subiram 22,54% no período, para US$ 244,37 milhões, seguido pela Arábia Saudita, com valor arrecadado de US$ 203,04 milhões – aumento anual de 26,13%.
O agronegócio foi responsável por 74,85% das exportações aos 22 países do mercado árabe. O setor gerou receita de US$ 13,26 bilhões, um crescimento 25,52% em relação ao montante computado no mesmo período de 2023.
Além da carne bovina, destaque para as vendas de açúcar, frango e milho – esses produtos registraram avanços nos volumes embarcados na casa dos dois dígitos, de acordo com a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira.
Total de produtos embarcados sobe 25,64%
No acumulado de janeiro a setembro, os embarques totais aos 22 países árabes avançaram 25,64% sobre igual intervalo de 2023, para US$ 17,72 bilhões. O superávit gerado no período foi de US$ 9,74 bilhões, receita que já superou o saldo obtido durante os 12 meses do ano passado, de US$ 8,68 bilhões.
Segundo a Câmara, a pauta de exportação aos países da Liga Árabe foi liderada por açúcar, proteínas animais e minério de ferro.
“Esses produtos tiveram crescimento de demanda, indicando que a região segue com consumo em alta e seus projetos de infraestrutura a todo o vapor, mesmo com as recentes revisões nos investimentos governamentais na economia do pós-petróleo”, observam os analistas da Câmara.
Frango e milho
As vendas de frango cresceram 9,72%, para quase US$ 2,76 bilhões, com os Emirados Árabes no topo das compras (US$ 744,17 milhões, alta de 10,21%), seguido de Arábia Saudita (US$ 628,04 milhões, queda anual de 1,52%, mas aumento nos volumes embarcados de 5,32%) e Iraque (US$ 319,69 milhões e avanço de 40,13%).
Os embarques de milho brasileiro, usado como insumo de produção de carne de frango e da indústria alimentícia, sobretudo na Arábia Saudita (que conta com criatórios da aves de empresas brasileiras e estatais locais) registraram acréscimo de 35,04%, atingindo US$ 1,52 bilhão no acumulado de janeiro a setembro.
“O grão faz par na função com a soja, que teve queda de 23,05% nas receitas, para US$ 986,13 milhões”, informa a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira.
Intensificação das relações comerciais
Na avaliação de Mohamad Mourad, secretário-geral da Câmara Árabe, os resultados reforçam a importância dos mercados árabes nas exportações.
“Desde o fim dos anos 1970, os árabes vêm desenvolvendo relações comerciais com o Brasil crescentes e complementares, com nosso país atuando na segurança alimentar do bloco”, afirma.
Conflitos no Oriente Médio
Para Mourad, o conflito que escala no Oriente Médio (entre Israel e Líbano) deve ser visto como um ponto de atenção para todo o setor exportador.
O executivo ressalta, no entanto, que a situação ainda não afetou diretamente os grandes mercados da região e nem foi capaz de desacelerar o ritmo dos embarques até aqui.
“Conflitos anteriores aumentaram os custos logísticos, mas nunca prejudicaram as vendas de forma significativa, até porque exportamos muitos gêneros de primeira necessidade”, lembra Mourad, que acrescenta: “Esperamos que o conflito atual se encerre o mais breve possível”.
O executivo espera ainda que os embarques sigam em ritmo intenso nesta reta final do ano, com os importadores buscando reforçar os estoques para o Ramadã, o mês sagrado dos muçulmanos, que ano que vem começa mais cedo, no fim de fevereiro.




