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Descarte de vacas na China ajuda a derrubar preços da carne bovina importada  

Prejudicados pela forte queda na cotação do leite, produtores chineses liquidam rebanho de vacas e elevam oferta local, refletindo em desvalorização nos preços da proteína bovina
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A China, disparado o maior comprador mundial de carne bovina, tem reduzido cada vez mais os preços da carne bovina importada, elevando a preocupação dos principais exportadores mundiais da commodity, entre eles, o Brasil, líder absoluto no fornecimento da proteína ao mercado chinês.

Reportagem publicada nesta semana pelo portal do jornal argentino Clarin (clarin.com) destaca um dos motivos que têm levado ao enfraquecimento das cotações da carne direcionada à China: a queda acentuada do preço do leite produzido localmente e, consequentemente, a decisão dos produtores chineses em liquidar massivamente o rebanho de vacas leiteira.

Segundo o Clarin, a carne de vaca despejada em grandes quantidades no mercado da China acaba competindo, em termos de preço, com a maior parte da proteína bovina importada e também produzida internamente.

Tal como ocorre com o setor suíno na China, no qual se observa um acentuado processo de concentração produtiva, estão sendo criadas unidades de produção de leite cada vez maiores no pais asiático, relata a reportagem.

Entre 2015 e 2020, os rebanhos leiteiros em propriedades chinesas com mais de 1.000 cabeças aumentaram de 24% para 44%. Até 2025, os estabelecimentos com mais de 1.000 cabeças deverão participar com mais de 56% do rebanho nacional.

Nos últimos 12 meses, o preço do quilo vivo das vacas leiteiras que estão sendo liquidadas caiu pela metade; 90% das explorações leiteiras estão a perder dinheiro, ressalta o Clarin. Por sua vez, o preço pago pelo leite ao produtor chinês sofreu queda anual de 22%, saindo de 4,5 yuans para 3,51 yuans por litro.

Nas últimas semanas, diz a reportagem do jornal argentino, o preço do quilo da carne bovina no atacado chinês caiu para 8,60 dólares, 14,5% menos que há um ano e 17% abaixo da cotação de janeiro/24, segundo dados do Ministério da Agricultura do país asiático. No varejo, segundo dados de abril/24, o recuo anual foi de 14%.

Dados da consultoria Agrifatto, com escritório na capital paulista, indicam uma conjuntura de preços semelhante na China. “O estoque de proteína animal na China está elevado e os importadores demonstram cautela nas compras da carne importada”, relata a Agrifatto.

Segundo a consultoria, a carne bovina no varejo chinês vem se depreciando desde setembro/23, em movimento acompanhado pelo preço pago pelo bovino no país.

Em maio/24, diz a Agrifatto, o preço médio da carne bovina no mercado chinês ficou em ¥ 69,46/kg (yuan chinês), 4,30% a menos que o preço observado em abril/24 e o menor patamar desde julho/19.

“A redução dos preços da carne bovina no mercado interno chinês reforça a pressão baixista nos preços pagos pela carne bovina importada”, ressaltam os analistas da Agrifatto.

“A combinação de grandes estoques, a entrada abundante de carne bovina muito barata vinda do exterior e um elevado abate interno de vacas estão determinando um excesso de oferta de carne bovina e uma queda no seu preço”, enfatiza a matéria do jornal argentino.

Além disso, continua a reportagem, os consumidores chineses têm demonstrado grande sensibilidade aos preços das proteínas disponíveis, transferindo a procura de carne bovina – de longe a mais cara do mercado – para carnes mais baratas, como carne de suína (cujos preços têm recuado diante de uma oferta recorde), além do frango.

Baixa na carne argentina

Nos primeiros cinco meses deste ano, a China importou 1.238 milhão de toneladas de carne bovina da Argentina, 24% acimam do volume registrado em igual período do ano passado.

No entanto, o preço médio por tonelada continuou em torno de US$ 5 mil, 34% abaixo do pico de alta de dois anos atrás , quando se pagava em média US$ 7,6 mil por tonelada pela proteína argentina.

No Brasil, a carne bovina (dianteiro) exportada para China rende hoje às indústrias em torno de US$ 4.300/tonelada, informa a Agrifatto.

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