A carne argentina pode até reforçar o abastecimento norte-americano, mas dificilmente será a solução para a inflação dos EUA, acreditam os analistas da Agrifatto, que divulgaram um relatório detalhado sobre o assunto aos seus assinantes (os relatórios completos da Agrifatto sobre o mercado pecuário estão disponíveis na plataforma de assinantes da consultoria; clique AQUI).
Segundo a Agrifatto, as recentes declarações de Donald Trump sobre a intenção de aumentar as compras de carne bovina da Argentina reacenderam o debate sobre o comércio internacional da proteína.
Depois de um período de abates intensos e forte descarte de fêmeas, relata a consultoria, a Argentina começa a sinalizar mudança no ciclo pecuário.
Entre janeiro e setembro de 2025, foram abatidos 10,15 milhões de bovinos no país, com ligeira queda de 0,88% em relação ao mesmo período do ano anterior.
No período em questão, os pecuaristas argentinos reduziram levemente o envio de fêmeas aos frigoríficos, categoria que representou 47,28% do total abatido nos primeiros nove meses deste ano.
Tal recuo no abate da categoria, diz a Agrifatto, indica o início da retenção de matrizes e a recomposição do rebanho após o ciclo de descarte de 2024.
“Embora tenha capacidade para ampliar as exportações, a Argentina enfrenta limitações estruturais de oferta no curto prazo”, ressaltam os analistas da consultoria.
O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) projeta uma redução de 3,18% na produção argentina de carne bovina em 2025, para 3,08 milhões de toneladas.
“Com o rebanho em recomposição e uma produção ajustada, o país equilibra sua imagem de fornecedor estratégico com a necessidade de preservar sua base produtiva”, observa a Agrifatto.
Embarques argentinos aos EUA já estão em alta
Atualmente, a Argentina possui cerca de 30 frigoríficos habilitados a exportar para os EUA.
No acumulado de janeiro a setembro deste ano, a Argentina exportou 27,8 mil toneladas de carne bovina aos EUA, com aumento de 7,5% sobre igual período do ano passado.
Em faturamento, os embarques cresceram 46,4%, considerando a mesma base de comparação, totalizando US$ 207,3 milhões.
O preço médio da proteína argentina exportada alcançou US$ 7.444 por tonelada, refletindo a demanda crescente do mercado norte-americano.
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