“Não adianta tentar acertar o olho da mosca; o importante é garantir margem”, recomenda o zootecnista Felipe Fabbri, analista da Scot Consultoria, referindo-se ao atual movimento de disparada nos preços da arroba do boi gordo.
Ele reforça: “No curto prazo, o principal recado ao pecuarista que tem gado terminado na fazenda é: se está dando margem, é preciso vender”.
O mercado do boi gordo está firme e rompeu o patamar de R$ 300/@ em São Paulo e em outras regiões Brasil afora.
Segundo Fabbri, alguns fatores podem afetar o mercado do boi gordo em curto prazo. Um deles é a oferta de gado terminado nesta segunda rodada do confinamento.
A disponibilidade de animais terminados no cocho, diz o analista, está chegando ao mercado, “mas o ponto é que a oferta de fêmeas, que pressiona a referência de machos, está menor”.
Além disso, continua ele, a boiada de pastagens (alguns desses lotes oriundos da produção intensiva) retardou a entrada dos animais de confinamento ao mercado.
Na avaliação de Fabbri, porém, o gado confinado terá baixa influência nos preços do boi gordo no curto prazo. “A demanda (pela carne bovina) é quem será o direcionador de preços para os próximos meses”, acredita o analista.
Com uma perspectiva de demanda firme, continua ele, os preços da arroba “devem se manter sustentados, ao menos, no curto prazo”. No entanto, Fabbri diz que os altos preços da arroba do boi e da carne no atacado podem abalar o mercado.
“Esse é o principal ponto de atenção”, alerta ele, que acrescenta: “O comportamento do preço da carne bovina no varejo poderá travar o consumo, limitando o movimento de alta do boi gordo, podendo impor ajustes pontuais”.
O analista da Scot acredita que as exportações brasileiras de carne bovina devem continuar aquecidas nos meses que faltam para terminar o ano.
“Mesmo com a alta no preço do boi, nossa arroba continua muito competitiva no mundo e, entre os países exportadores, é hoje a segunda mais em conta, atrás apenas do Paraguai, que, em termos de volume, não compete conosco”, observa (veja abaixo os preços da arroba em dólar nos principais países exportadores).
Segundo ele, os Estados Unidos, um dos principais concorrentes do Brasil no mercado internacional, seguem enfrentando dificuldades com relação ao seu mercado local de carne bovina, o que reduz a sua força no comércio mundial da proteína.
“Ou seja, não acreditamos em um cenário mais moroso para o setor de exportação da carne bovina brasileira até o restante de 2024”, reforça o analista.
O analista Raphael Galo, da Terra Investimentos, faz coro com o Fabbri: “Nos últimos relatórios estou alertando sobre a importância de assegurar margem na atividade fazendo hedge (trava/proteção de preços)”, diz Galo, referindo-se à sua importante participação como colunista do informativo semanal Boi & Companhia, da Scot. Afinal, “lucro bom é lucro no bolso!”, alerta o analista.
Cotação do boi gordo em dólares – em 17/10
Brasil – US$ 52,95/@
Argentina – US$ 61,20/@
Uruguai – US$ 59,25/@
Paraguai – US$ 49,50/@
Austrália – US$ 62,55/@
Irlanda – US$ 82,20/@
Estados Unidos – US$ 97,95/@
Fonte: Scot Consultoria




