A abertura do mês de fevereiro pode ser o gatilho para um novo movimento de alta dos preços do boi gordo, avaliam os analistas de mercado. A maior parte dos frigoríficos opta por postergar as decisões de compras para a próxima semana, quando se saberá como foi o comportamento do consumo interno de carne bovina neste período de virada de mês, relata a Informa Economics FNP.
“Caso o consumo interno dê sinais de reação, as indústrias devem se tornar mais ativas nas negociações de boiada gorda, alterando seus preços ofertados, visto que existem muitas lacunas nas programações de abate”, aposta a consultoria.
No mês de janeiro, as indústrias tiveram grande dificuldade para formar as suas escalas de abate. Por sua vez, relata a FNP, os pecuaristas continuam pouco dispostos a aceitar os preços oferecidos pelos frigoríficos, resultando em negociações somente pontuais, envolvendo, em sua maioria, pequenos lotes. Com isso, as cotações do boi gordo permaneceram estáveis na maior parte das regiões. Em São Paulo, a arroba é negociada nesta sexta-feira a R$ 190, com prazo de 30 dias para pagamento, de acordo com levantamento da FNP.
O médico veterinário Leandro Bovo, sócio diretor da Radar Investimento, também aposta na retomada da tendência altista do boi gordo. Em texto publicado no site da Scot Consultoria, Bovo diz que a fase consumo fraco de carne bovina, tanto no mercado interno como no mercado externo, vai ficando para trás. “Tudo leva a crer que essa disputa entre indústria e pecuarista deve ter um fim nos próximos dias”, afirma Bovo.
Segundo ele, historicamente, janeiro é o pior mês de consumo no mercado interno e neste ano o feriado prolongado do ano novo chinês também ajudou a diminuir o ritmo de negócios na exportação. No entanto, escreve Bovo, o alto custo fixo das indústrias não permite a diminuição dos abates por prazos maiores.
“Quando a baixa oferta não permite que ocorram recuos nos preços do boi gordo, muitas vezes é melhor sacrificar as margens e diminuir a ociosidade do que preservar as margens com alto nível de ociosidade”, avalia.
Além disso, de acordo com Bovo, o agravamento da situação da China com relação ao coronavírus, apesar de poder causar alguma desaceleração econômica, “tende a ser positivo para as exportações de proteína animal, já que as medidas tomadas pelo governo para informar a população sobre os riscos do consumo de carnes exóticas sem nenhuma inspeção ou higiene tendem a agravar o já enorme déficit de proteínas naquele país”.
O diretor da Radar Investimentos também aponta a taxa de câmbio no Brasil como fator positivo para os negócios no mercado internacional de carne bovina. “Com o dólar se aproximando de R$ 4,30, aumentou a competitividade de nossas exportações”, destaca.




