Na semana passada, os preços de todas as categorias de fêmeas aneloradas registraram aumento na praça de São Paulo, com destaque para a bezerra de desmama, que subiu 4% na comparação com a semana anterior, informa a médica veterinária Mariana Guimarães, analista da Scot Consultoria.
Considerando a mesma base de comparação, a bezerra de ano, a vaca boiadeira e a novilha tiveram acréscimo de 2,1%, 1,1% e 0,9%, respectivamente. “Nos últimos dias, a procura pela vaca boiadeira foi expressiva”, ressalta Mariana.
Segundo ela, apesar do menor rendimento de carcaça das fêmeas, a demanda pela categoria tem sido impulsionada principalmente pela dificuldade de aquisição do boi magro para terminação em confinamento.
“Os pedidos de preço para a vaca boiadeira têm variado de R$ 100/cabeça a R$ 500/cabeça acima das referências da Scot Consultoria, de R$ 3.112,11/cabeça”, informa.
Porém, diz a analista, esses preços mais elevados têm encontrado resistência nas negociações.
“No curto prazo, se as pedidas pela reposição subirem em maior proporção que as cotações do boi gordo, a tendência é de um mercado mais cauteloso nas aquisições, com redução na liquidez das negociações”, prevê Mariana.
Quedas entre os machos
Na última semana, três das oito categorias de bovinos anelorados acompanhadas pela Scot Consultoria registraram quedas nos preços.
Na comparação semanal, as cotações do bezerro de ano, do garrote e do boi magro recuaram 0,6%, 0,3% e 0,9%, respectivamente, relata a analista.
“No período, os vendedores enfrentaram maior dificuldade em negociar as categorias pelos mesmos preços da semana anterior”, afirma Mariana.
O custo da reposição, diz ela, segue alto frente ao ganho obtido com o boi gordo, pressionando as margens de recriadores e confinadores.
Além disso, continua a analista, com as pastagens ainda em condições insuficientes para sustentar plenamente os bovinos, muitos recriadores têm adiado as compras, aguardando uma melhora no desenvolvimento das forragens antes de retomar as aquisições de determinadas categorias.
Por outro lado, informa a analista, o bezerro de desmama registrou alta de 1,2% na semana, mesmo diante de relatos de maior oferta em relação às categorias voltadas ao cocho.
Já o boi magro, diz Mariana, segue sendo a “galinha dos ovos de ouro” do mercado: a procura permanece aquecida e a oferta, bastante restrita, apesar da queda na cotação nesta semana.
Os machos de cruzamento industrial continuam sendo, também, o “ouro” da reposição. “A demanda tem aumentado, enquanto a oferta de lotes mais volumosos permanece limitada”, diz a analista.
Em relação ao ágio entre a arroba do bezerro de desmama e a do boi gordo, setembro/25 finalizou com uma taxa de 30%, informa a Scot. Em outubro/25, até 9/10, o ágio chegou em 32,5%.
“Isso indica que o custo da reposição tem seguido elevado em relação ao preço do boi terminado, o que poderá pressionar as margens dos recriadores e influenciar decisões de compra nos próximos meses”, observa Mariana.




