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Três grandes importadores da carne bovina brasileira “tiram o pé do acelerador” em jan/25

China, EUA e Chile reduzem compras da proteína in natura nacional em relação aos volumes computados em dez/24
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Três países da lista dos maiores importadores de carne bovina in natura do Brasil desaceleram as compras da commodity brasileira em janeiro/25 – o que explica a queda de 10,91% das vendas externas totais no mês passado, para 180,47 mil toneladas, na comparação com dezembro/24, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

A China, claro, teve o maior peso no movimento de queda mensal dos embarques da proteína, já que o país é, disparado o maior importador mundial da proteína brasileira, respondendo atualmente por 50% do montante total (veja ao final da matéria uma das tabelas publicadas pelo Anuário DBO 2025, em circulação neste mês de fevereiro).

Segundo dados detalhados pela Agrifatto com base nos números da Secex, os envios brasileiros para o país asiático recuaram 19,97% (ou -22,75 mil toneladas) em janeiro/25 (sobre o resultado de dezembro/24), para 91,18 mil toneladas – o menor patamar desde março/24.

“O motivo para essa redução pode estar associado às comemorações do Ano Novo chinês, período em que o país asiático reduz drasticamente suas negociações”, diz a Agrifatto.

Além da queda em volume, observa a consultoria, os chineses têm reduzido o valor de pagamento pela carne bovina brasileira, o que resultou em retração de 19,51% na receita obtida com os embarques para lá (sobre dez/24), para R$ 2,76 bilhões.

Com isso, relata a Agrifatto, a diferença entre o preço médio pago pelos chineses e pelos demais países importadores da carne bovina brasileira atingiu -2% em janeiro/25, a maior disparidade negativa desde novembro/24.

“Enquanto a média de preço dos outros países importadores foi de US$ 5.028/tonelada, o preço obtido com a venda ao mercado da China ficou em US$ 4.922/tonelada, em média, reforçando a visão de que os chineses se tornaram clientes de volume e não de bons preços”, avalia a Agrifatto.

“Tirada de pé” dos EUA

Os norte-americanos também reduziram fortemente as compras de proteína bovina brasileira em janeiro/25. Foram 16,54 mil toneladas enviadas aos EUA no primeiro mês de 2025, 15,83% a menos que a quantidade registrada em dezembro/24 – pior resultado desde julho/24, informa a Agrifatto.

Segundo a consultoria, a grande justificativa para essa redução é que a proteína bovina brasileira que saiu do Brasil em dezembro/24 enfrenta maior dificuldade para “pegar” a isenção da tarifação de importação (oferecida dentro da quota anual de 65 mil toneladas existente para os brasileiros e alguns outros países exportadores – normalmente, ela é preenchida rapidamente, sobretudo pelo próprio Brasil). “Dessa forma, a carne brasileira se torna mais onerosa para o importador norte-americano”, explica a Agrifatto.

Crise na pecuária norte-americana

Como está detalhado no Anuário DBO 2025, os EUA estão lidando com uma oferta interna de carne bovina cada vez mais reduzida. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o déficit no mercado de carne bovina norte-americano não será resolvido em 2025, já que a expectativa do departamento é de que a oferta interna do país recue 3,96%, em relação ao ano anterior, para 11,81 milhões de toneladas, atingindo o menor nível desde 2016, relata a Agrifatto.

Com isso, destaca a consultoria, apesar da retração em janeiro/25, os norte-americanos devem continuar adquirindo cada vez mais proteína bovina brasileira, mesmo pagando a tarifa de importação de 26,4% após superada a quota de 65 mil toneladas.

Chile, outro cliente “ruim” em jan/25

Os chilenos importam 8,03 mil toneladas em janeiro/25, uma baixa de 37,79% sobre dezembro/24, e o pior resultado dos últimos dez meses, calcula a Agrifatto.

No geral, jan/25 ficou perto do recorde de jan/24

Mesmo com um dia útil a mais, a exportação de carne bovina recuou em janeiro/25. Ao todo foram 180,47 mil toneladas embarcadas, volume 10,91% inferior ao registrado em dezembro/24.

Segundo a Agrifatto, janeiro de 2025, porém, passou “raspando” de ser o melhor resultado da história para o primeiro mês do ano, ficando apenas 0,66% abaixo do resultado registrado em janeiro/24 (181,67 mil toneladas exportadas).

O preço da carne bovina exportada registrou um aumento de 1,54%, fechando janeiro/25 a US$ 5.029/tonelada. A receita obtida com a exportação durante atingiu US$ 907,57 milhões no primeiro mês do ano, 9,53% abaixo da computada em dezembro/24.

Um fev/25 possivelmente melhor para os exportadores

Para fevereiro/25, a estimativa da Agrifatto é que sejam enviadas 195 mil toneladas de carne bovina para fora do País, o que representaria um crescimento de 9,21% em relação ao resultado obtido no mesmo período de 2024.

 

Os maiores importadores de carne bovina e derivados do Brasil

Países Receita (1) Quantidade (2) Preço médio (3) Partic.(4)
2024 2023 2022 2024 2023 2022 2024 2023 2022 2024
China 6.003 5.741 7.952 1.336 1.199 1.238 4,49 4,79 6,42 46,65
EUA 1.351 850 900 230 139 134 5,88 6,12 6,70 10,50
Emirados
Árabes
605 338 267 133 77 58 4,55 4,39 4,56 4,70
EU 603 554 661 82 78 85 7,32 7,13 7,74 4,68
Chile 533 488 396 110 101 79 4,82 4,85 4,98 4,14
Hong Kong 389 370 329 117 119 95 3,32 3,11 3,46 3,02
Filipinas 335 211 275 92 56 61 3,63 3,75 4,47 2,61
Egito 310 264 369 88 73 96 3,52 3,62 3,82 2,41
Rússia 307 209 198 86 59 59 3,56 3,54 3,96 2,39

 

Arábia Saudita 257 214 186 57 48 36 4,46 4,41 5,16 1,99
(1) Em US$ 1.000. (2) Em toneladas líquidas. (3) Em US$ por tonelada líquida. (4) Participação percentual considerando a receita total em 2024. (Fonte: Mdic/Secex/Abiec. Elaboração DBO)

 

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