Por Enrico Ortolani – Professor titular de Clínica de Ruminantes da FMVZ-USP (ortolani@usp.br)
Ao longo de fevereiro, essa coluna vai tratar do manejo sanitário para o mês e do registro recente de doenças transmissíveis ou não, sugerindo medidas para suas prevenções.
Tais registros são obtidos com o apoio das Agências Estaduais de Defesa Sanitária Animal, de Professores Universitários, do MAP, da EMBRAPA, e da rede de contato de veterinários de campo, assim como minhas observações
TRATAMENTO ESTRATÉGICO CONTRA CARRAPATOS
Segundo recomendações da Embrapa-Bagé recomenda-se neste mês tratamento estratégico contra carrapatos no estado do Rio Grande do Sul.
Este ano em especial, está ocorrendo uma menor infestação de carrapatos no gado em certas regiões desse estado (oeste, e central, em especial nas áreas dos pampas) devido à extrema seca que ocorre por lá. Essa secura ajuda matar as larvas de carrapatos presentes na pastagem.
“Muitas das larvas que sobrevivem não conseguem subir no boi e nem todos os que sobem conseguem se estabelecer, mesmo assim recomendo fazer o tratamento estratégico”, afirmou o Prof. Tiago Galina Correa da Univ. Federal do Pampa, em Uruguaiana RS.
O ideal é que o medicamento a ser empregado seja selecionada anteriormente pelo teste de biocarrapaticidograma feito com carrapatos de sua própria fazenda. Nunca trate a esmo, pois a resistência dos carrapatos aos principais princípios ativos é enorme em todo o Brasil!
É HORA DE REVISAR O CURRAL!
Depois de rever agulhas, seringas, geladeira e outros equipamentos é hora de “passar um pente fino” no curral, um dos locais estratégicos para o manejo dos bovinos.
Uma quantidade enorme de currais pelo Brasil afora tem vários problemas físicos que dificultam o manejo, entre eles áreas muito enlameadas (veja foto abaixo) ou que empoçam água. Uma das formas de evitar o acúmulo de lama é instalação de calhas para escoar fora do curral a água que corre no telhado de cobertura do mesmo.
Tábuas soltas, e porteiras enguiçadas são fáceis de serem encontrados nos currais brasileiros, tornando-se causas de acidentes. É hora de arrumá-las! Faça um exame detalhado do chão da seringa (brete), pois buracos, poças d’água, pedras, obstáculos e lama excessiva fazem o bovino baixar a cabeça e empacar, dificultando muito a locomoção em grupo dos animais.
Tempo é dinheiro! O ideal seria concretar o chão da seringa. Finalmente, deve-se examinar todas as tábuas e porteiras do curral para ver se não existem parafusos e pregos salientes que possam causar arranhaduras e cortes (veja foto abaixo).

Segundo o Prof. Livio Martins Costa Júnior da Univ. Fed. Maranhão, a frequência de bicheiras no costado do gado aumenta muito após as campanhas de vacinações anuais, oriundo de cortes por pontas de parafusos e pregos salientes no curral (veja foto abaixo).

Uma das principais causas de disseminação de verrugas, causada por vírus, a partir de um animal positivo no rebanho, é por meio desses traumas na pele (veja foto abaixo).

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