A oferta parece continuar restrita. A Archer Consulting estima que 85,75% do açúcar destinado à exportação para a safra 2021/22 já estava fixado em 28 de fevereiro, volume muito acima da média. Usinas fizeram vendas antecipadas para aproveitar os preços recordes que o adoçante alcançou em reais nos últimos meses. Esse alto volume de fixações de preço indica que a parcela de cana disponível para produção de etanol, pelo menos no início da safra, deve ser reduzida, já que a maior parte vai para a produção de açúcar.

Além disso, o tempo seco durante a entressafra deve atrasar o início da moagem de cana no Centro-Sul brasileiro. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) estima que no fim da primeira quinzena de abril, a primeira da safra 2021/22, 169 usinas estarão operando na região, ante 180 unidades no mesmo período de 2020. Isso reduz ainda mais a disponibilidade de cana nas próximas semanas e, consequentemente, a oferta de etanol.

A escassez da cana, embora benéfica para usinas de etanol de milho, pode ser parcialmente neutralizada pelo alto preço do cereal. Em um ano, o indicador Esalq da saca de milho avançou quase 60%, elevando os custos para produção do biocombustível produzido a partir do grão. “Não acho que seja sustentável, mesmo com etanol a R$ 3,50 o litro na usina, a saca de milho a R$ 85 ou R$ 86”, afirma Orozimbo. “Mas esperamos que o preço do milho tenha um momento de inflexão. Houve, de uma safra para outra, uma majoração nunca antes vista no mercado.”