Em pecuária, o período da terminação representa o momento no qual o animal deve atingir o peso e o acabamento de carcaça adequados, agregando valor a todo trabalho realizado durante a cria e a recria. Neste momento, em que o animal se aproxima da maturidade, a intensidade do crescimento, assim como o ganho de peso e a eficiência alimentar diminuem.
Por isso, o pecuarista deve manter a atenção redobrada ao acabamento da carcaça, um dos principais diferenciais para agregar qualidade e valor no momento da venda. Neste cenário, a Terminação Intensiva a Pasto, ou TIP, surge como uma estratégia que traz velocidade para a terminação dos animais, com o aumento do aporte nutricional, fornecimento da ração direto no cocho e na própria área de pastejo.
“O que diferencia a TIP do confinamento tradicional é a sua facilidade de manejo e de instalação, já que o trato é realizado no mesmo pasto dos animais e ele se torna a fonte do volumoso. Além disso, o confinamento tem altos custos estruturais e operacionais, dessa forma a TIP se apresenta como uma alternativa muito viável”, explica Marcio Bonin, médico veterinário da Connan.
A TIP é um modelo vantajoso. Ela dá previsibilidade de abate ao pecuarista, possibilitando que se desenvolva um programa nutricional tanto para as águas quanto para as secas, permitindo abater lotes de cabeceira, meio e fundo com maior homogeneidade. A TIP facilita também a extensão do prazo de abate sem a necessidade de se investir em uma estrutura de confinamento.
No modelo TIP, o animal consome no pasto a mesma quantidade de ração que é fornecida quando está confinado, a diferença é que o próprio pasto passa a ser a fonte de volumoso. O menor custo operacional, a fácil adaptação e índices mínimos de refugo de cocho proporcionam ainda maior bem-estar animal e alta eficiência.
O Grupo Cairu, de Rondônia, implantou um tipo de protocolo desse sistema para terminação do gado, principalmente no período da seca. O desafio era aumentar a margem financeira do protocolo realizado no pasto, produzindo mais arrobas por animal e por hectare, levando em consideração a viabilidade econômica da propriedade.
Em termos de lucratividade, o primeiro lote já apresentou resultados surpreendentes, como destaca Eugênio Junior, diretor do Grupo Cairu. “Foram tratados 51 bois que apresentaram rendimento de carcaça de 58%, resultando em 4% de lucro líquido ao mês sobre o investimento, contabilizando o aluguel do pasto, mão de obra, investimento em ração e no animal. Quando comparado ao modelo antigo, o resultado era menor que 2% ao mês”.
No protocolo do Grupo Cairu os animais com 21 dias de trato saem da adaptação pesando em torno de 410 quilos e são abatidos entre 550 e 560 quilos. São 2,1 mil animais em 40 alqueires, com uma produção superior a 30 arrobas por hectare.
De acordo com Bonin, a TIP dá autonomia para que o pecuarista faça investimentos na fazenda, de acordo com as suas possibilidades. “O produtor pode fazer TIP de apenas 10 animais ou 80 mil bois para o ano inteiro. Assim como ele pode aumentar e evoluir sua estrutura conforme a demanda”, afirma. Fonte: Ascom.




