Tendência é de queda nos preços do milho no ano que vem, diz Conab
Recuo no valor do insumo mais utilizado na engorda de bovinos é previsto por causa da maior colheita em 2022: 115,96 milhões/t, alta de 33,8% ante a safra 2020/2021
A safra 2021/2022 ainda nem começou a ser semeada, no entanto, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), ligada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), apresentou numa transmissão on-line na manhã desta quinta-feira (26/8) as projeções de desempenho das lavouras de grãos no País (confira no final do texto, o link para ver o evento completo).
A boa notícia para os confinadores de bovinos é um expressivo aumento da produção de milho, hoje, o principal insumo na alimentação dos rebanhos, por ser a principal fonte energética na ração.
A safra de milho esperada no ciclo 2021/2022 é de cerca de 115,96 milhões de toneladas, o que pode representar 33,8% a mais que o ciclo 2020/2021.
Com maior produção, a tendência é de um insumo mais barato, no próximo ano, segundo o analista de grão da Conab, Fernando Motta.
“Atualmente esperamos que os preços se mantenham elevados com algum viés de queda. Isso já começa a ser visto no mercado, pois os preços não estão mais se sustentando acima de R$ 100. Com a entrada da próxima safra, nossos modelos apontam uma tendência de queda de preços. Então esse cenário de preços altíssimos não é esperado. No início da próxima safra a gente já começa a ter um viés de queda”, diz Motta.
Ao todo a safra de grãos pode chegar a 289,6 milhões de toneladas, ou até, no melhor dos cenários, a 301,8 milhões de toneladas o que poderia significar um salto de 18,8%.
A soja, que também possui importância na ração, deve chegar também a sua mais nova colheita histórica no País, com 141,3 milhões de toneladas, o que poderia representar um salto de 3,9%.
O anúncio dos primeiros dados da safra da Conab teve além da apresentação de resultados de perspectivas de área, produtividade e produção de grãos como o milho, soja, arroz, feijão e algodão, a apresentação de dados macroeconômicos, climáticos e estudos de áreas de cultivo.
O evento contou também com participações como a ministra Tereza Cristina, que enfatizou a melhoria para os estudos de projeção de safra desempenhado pela Conab.
Foto: Antonio Araujo/Mapa
“Porque é muito importante termos colocado força para que tenhamos cada vez esses modelos mais aprimorados. Isso é muito importante para os médios produtores, que vão deter as informações cada vez mais seguras para suas tomadas de decisão e de uma série de coisas desde o plantio, da época, de quando vender, enfim, conhecer os números que nós temos no mercado interno, os nossos estoques, mas também, externos”, diz Tereza Cristina.
O milho no Brasil e no mundo
A super produção de milho pode até ser ainda maior, segundo a avaliação do engenheiro agrônomo André Pessôa, presidente e sócio-diretor da Agroconsult, que participou na apresentação dos dados da Conab.
Foto: Divulgação/Agroconsult
“Vemos um pouco mais de produtividade no milho porque vemos uma intensificação no uso de tecnologia. Já houve uma intensificação na última safra, que foi frustrada pelo clima, mas deve se repetir para a próxima safra. Adicionalmente temos uma perspectiva que tenhamos um calendário de plantio mais dentro do ideal e isso pode ajudar a ter produtividades um pouco maiores. Então podemos ultrapassar os 120 milhões de toneladas o ano que vem”, avalia Pessôa.
A alta da produção de milho brasileira é acompanhada pela própria produção mundial do cereal. Segundo as projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês), mundialmente a safra 2021/2022 do milho deve ser de 1,2 bilhões de toneladas, 6,3% a mais sobre a safra 2020/2021.
Os Estados Unidos lideram com 374,68 milhões de toneladas e é seguido pela China com 268,00 milhões de toneladas e o Brasil, que pelas projeções americanas, pode colher 118,00 milhões de toneladas.
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