O treinamento de parto bovino nos cursos de medicina veterinária é essencial para preparar futuros profissionais para lidar com uma das situações mais críticas e desafiadoras da reprodução animal.

Foi pensando na excelência do ensino oferecido na USP que o Departamento de Reprodução Animal (VRA) da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) adquiriu um simulador para treinamento de parto bovino.
O simulador é uma tecnologia que ainda é pouco presente em cursos da área de veterinária, sobretudo, no Brasil. “O tamanho, textura e peso similar ao do bovino faz com que a percepção do estudante seja a mais realista possível”, destaca Claudia Barbosa Fernandes, professora do departamento, responsável pela aquisição do simulador.
A tecnologia consiste em um equipamento de tamanho compatível com gado da raça Hereford Friesen e traz um bezerro na estrutura que simula a cavidade uterina. Além disso, há um painel períneo que replica o interior da pélvis, esteira de aterrissagem para o recém-nascido e também um úbere (estrutura da teta do gado) com tanque de leite, que simula o leite fornecido pela fêmea ao filhote.
“A vantagem deste novo método é propiciar um treinamento contínuo e seriado ao aluno, para que ele possa melhorar suas habilidades manuais de manobras obstétricas”, destaca a professora.
O treinamento em simulador é importante para os estudantes de medicina veterinária porque a ocorrência de problemas no parto bovino é relativamente comum. São conhecidos como distocia, que é qualquer dificuldade que atrasa ou impede o processo normal de nascimento, e podem resultar em complicações tanto para a vaca quanto para o bezerro.
As dificuldades podem estar relacionadas ao tamanho excessivo do bezerro, posição incorreta, fraqueza das contrações uterinas, problemas com o canal de parto ou retenção de placenta.
Antes da aquisição do simulador, para fazer o treinamento dos alunos, as aulas contavam com caixas de madeira contendo em seu interior úteros de lona com estrutura de pelve e, dentro deles, bezerros sem vida, que eram filhotes de fêmeas abatidas em matadouros, doados para o uso nas aulas.
“Quando tínhamos o bezerro de matadouro, os animais vinham todos de uma vez e após o uso tínhamos que descartá-los”, afirma Claudia, destacando que, com a aquisição do simulador, esse treinamento com animais reais deixou de ser utilizado.
Fonte: Jornal da USP




