
Um levantamento inédito da BE.Animal, consultoria sediada em Rondonópolis (MT), realizado em 12 fazendas brasileiras com quase 10 mil bezerros, revelou um panorama preocupante das causas de morbidade e mortalidade na fase inicial de vida dos bezerros.
O estudo, parte do projeto “Cada Bezerro Importa”, patrocinado por empresas como Beckhauser, MSD, JBS e Agroceres Multimix, apontou falhas na prevenção e no manejo sanitário, mesmo entre propriedades consideradas acima da média em termos de gestão e bem-estar animal.
Dos 9.981 bezerros analisados, 13,5% (1.355 cabeças) precisaram de algum tipo de tratamento veterinário nos primeiros 30 dias de vida — um dado que, segundo a veterinária e sócia-proprietária da BE.Animal, Janaína Braga, reflete um lado positivo: que os produtores estão mais atentos no monitoramentos dos animais.
“Porém, se eles precisaram tratar os bezerros foi porque ocorreram falhas na prevenção e isso mostra que temos espaço para melhorar”, complementa.
A diarreia foi o sinal clínico mais frequente, acometendo 64,7% dos animais tratados e respondendo por 42,4% das mortes registradas. Embora o estudo não tenha identificado as causas específicas, a literatura aponta patógenos como coronavírus, rotavírus, E. coli, Salmonella, Cryptosporidium e Eimeria entre os principais agentes.
Para conter o problema, a veterinária reforça a necessidade de vacinar as matrizes no pré-parto, garantir boa condição corporal das vacas, e assegurar ingestão adequada de colostro. Outras medidas importantes incluem o monitoramento da qualidade da água, a limpeza regular dos bebedouros e a cura correta do umbigo.
Janaína também chama atenção para a importância da detecção precoce: metade dos bezerros tratados apresentava hipotermia, que pode ocorrer quando se tem desidratação provocada por um quadro severo de diarreia.
Na íntegra desta reportagem, você também confere:
- Como o colostro ajuda a manter a temperatura corporal do bezerro;
- O erro que faz muitos criadores tratarem bezerros sem realmente curá-los;
- Por que o antibiótico virou vilão nas diarreias neonatais?;
- As recomendações em torno do uso da fluidoterapia;
- A segunda causa de maior mortalidade na cria;
- A falha comum no manejo do umbigo que ainda causa prejuízos;
- O momento certo para agir e os ganhos do manejo rápido;
- O detalhe que separa um protocolo sanitário comum de um realmente eficiente.
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