
Por Roberto Nunes filho
O desmatamento voltou a recuar na Amazônia e no Cerrado, os dois biomas que possuem a maior área de vegetação natural, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Com base nos dados do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), entre janeiro e dezembro de 2025, o desmatamento na Amazônia foi de 3.817 km2, ante os 4.184 km2 contabilizados no mesmo período de 2024, o que corresponde a uma queda de 8,7%.
No Cerrado, a retração percentual foi praticamente a mesma: exatos 9%, passando de 5.901 km2, em 2024, para 5.369 km em 2025.
Outra metodologia utilizada pelo Inpe ‒ o Programa de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), que consolida dados entre agosto de um ano até julho do ano seguinte, corrobora o cenário de retração: queda de 11% na Amazônia (de 6.518 km2, entre ago/23 e jul/24, para 5.796 km2, entre ago/24 e jul/25).
No Cerrado, a queda ligeiramente maior, de 11,5%, com supressão de 7.235 de km2, ante os 8.174 km2 do período anterior.
Para Cláudio Almeida, coordenador do Programa de Monitoramento de Biomas do Inpe, essa retração é um bom sinal, pois revela que a sociedade está entendendo a necessidade de controlar a supressão de vegetação nativa. “Mas, por outro lado, há espaço para reduzir ainda mais o desmatamento”, enfatiza.
Larissa Mourinho, coordenadora do Sistema de Alerta de Desmatamento do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), por sua vez, destaca que a redução contínua, observada desde 2023, reflete o fortalecimento das ações de combate, controle e fiscalização ao longo dos últimos anos.
Esse fator pode ter contribuído, inclusive, para a expressiva redução (60%) da área queimada em 2025 ‒ 12,5 milhões de hectares, em todos os biomas, ante 31,8 milhões de ha em 2024, segundo o Ministério do Meio Ambiente.
No caso da Amazônia, explica Almeida, o índice de queimadas naturais é de apenas 0,1%, o que torna quase raros os incêndios sem intervenção humana.
“Em paralelo, também há um processo mais consolidado de conscientização do produtor rural sobre a importância da preservação ambiental para a perenidade da produção agropecuária e, também, para a obtenção de crédito e acesso ao mercado externo”, complementa o coordenador do Inpe.
Ele lembra, ainda, que combater a supressão de vegetação é fundamental para o ciclo da água e formação de chuvas, uma dinâmica vital para o agronegócio.
“E a atenção para isso é urgente, porque estudos apontam que já está havendo uma redução de 20% no volume de água nos rios que cortam o Cerrado, por exemplo”, alerta.
Em relação aos demais biomas, os dados mais recentes do Inpe (ano de 2024, pois os números de 2025 ainda não estavam consolidados para esses biomas) mostram também redução do desmatamento na Mata Atlântica (-37,8%) e no Pampa (-20,8%). Já no Pantanal e na Caatinga, o movimento foi contrário, com crescimentos de 16% e 9,9%, respectivamente.
Na íntegra desta reportagem do Anuário DBO você também confere:
- Tabela dos estados onde o desmatamento foi maior na Amazônia;
- Tabela dos estados que mais desmataram o Cerrado;
- O que é a degradação progressiva e o quanto ela avançou entre 2022 e 2025.
- O saldo das emissões de carbono por parte da agropecuária.
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