Setembro será um mês de grandes desafios climáticos para grande parte do Brasil, alerta o engenheiro agrônomo Miguel Narbot, analista de mercado da Scot Consultoria, com base em dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET).
“O clima seco e quente, associado à redução da umidade relativa do ar e chuvas escassas, demandará atenção redobrada dos setores agrícola, de saúde pública e de gestão ambiental”, afirma Narbot, que destaca as previsões climáticas para o próximo mês nas cinco magroregiões do País:
Centro-Oeste
Setembro começará com um cenário climático severo no Centro-Oeste. Os Estados enfrentarão uma drástica redução na umidade relativa do ar, que poderá ficar abaixo de 50%.
As temperaturas devem ultrapassar os 28° Celsius, agravando a seca e aumentando o risco de incêndios florestais. A escassez de chuva, com acumulados abaixo de 60mm, pode prejudicar as atividades agropecuárias.
Norte
A região, tradicionalmente mais úmida, também sofrerá os efeitos da seca em setembro. Amazonas, Pará e Roraima terão chuvas concentradas no Oeste da região amazônica, enquanto o Leste continuará com precipitações abaixo do esperado.
Apesar de a umidade relativa do ar ser maior que nas outras regiões, ainda estará abaixo dos níveis ideais em áreas no Pará e em Roraima, onde as temperaturas médias poderão ultrapassar os 28°C, elevando o risco de queimadas e impactos negativos na saúde pública.
Nordeste
Nesta região, a situação não é menos preocupante. Bahia, Piauí e Pernambuco enfrentarão chuvas escassas e mal distribuídas, com acumulados que dificilmente ultrapassarão 50mm. A umidade relativa do ar será baixa, em torno de 50%, enquanto as temperaturas médias previstas superam os 28°C, criando um ambiente propício para a seca severa e para incêndios na vegetação.
A agricultura de sequeiro, que depende das chuvas sazonais, será particularmente afetada, e as poucas chuvas na faixa litorânea não serão suficientes para aliviar a estiagem no interior
Sudeste
Após focos de incêndios, a seca será menos intensa, mas ainda preocupante. São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro apresentarão umidade relativa do ar reduzida, em torno de 60%, com temperaturas médias entre 22°C e 28°C. As chuvas se concentrarão nas áreas litorâneas, enquanto o interior permanecerá seco, com precipitações abaixo da média histórica.
O estado de São Paulo registrou, até 24 de agosto de 2024, o maior número de focos de incêndio da série histórica do Inpe, com 5.278 ocorrências, sete vezes maior que o registrado no mesmo período do ano anterior.
O estado de São Paulo enfrenta a pior seca desde, no mínimo, 1981 para o segundo quadrimestre do ano, segundo os dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI)
Sul
A região será uma exceção no cenário climático adverso de setembro. Com temperaturas médias mais baixas, especialmente nas áreas serranas da Serra Catarinense e Serra Gaúcha, onde as temperaturas podem ficar abaixo de 16°C a umidade relativa do ar será mais alta, entre 70% e 80%.
As chuvas, embora dentro da média histórica, podem não ser suficientes para reverter a seca nas áreas mais afetadas, mas ajudarão a manter a umidade do solo em níveis adequados para a agricultura.




