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Riscos sanitários: 5 doenças ameaçam gerar perdas de US$ 300 bi/ano ao setor pecuário dos EUA

“É absolutamente crucial que os EUA apoiem mecanismos para proteger os produtores dos riscos”, alerta relatório da Farm Journal Foundation
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Um novo relatório da Farm Journal Foundation , intitulado “As Dezesseis Principais: Ameaças à Biossegurança na Agricultura dos EUA”, estima que vacilos sanitários envolvendo cinco doenças em gado (e também em suínos) pode gerar prejuízos anuais coletivos para o setor de carne norte-americano da ordem de US$ 300 bilhões. 

Os detalhes sobre o relatório foram mencionados em texto divulgado pelo portal da revista Drovers (www.drovers.com).

“É absolutamente crucial que os EUA apoiem mecanismos para proteger os produtores dos riscos e garantir que nossa cadeia de abastecimento alimentar permaneça resiliente diante dos desafios sanitários”, disse Stephanie Mercier, consultora sênior de políticas da Farm Journal Foundation, uma organização sem fins lucrativos, criada pela Farm Journal em 2010.

O estudo identifica cinco doenças com potencial para prejudicar fortemente  a produção pecuária, o comércio e a infraestrutura dos EUA. 

São elas:

  • Doença da febre aftosa (DFA)
  • peste suína africana (PSA)
  • mosca-da-bicheira do Novo Mundo (NWS)
  • Influenza aviária altamente patogênica (IAAP)
  • Síndrome reprodutiva e respiratória suína (PRRS)

O portal da Drovers descreveu os detalhes do novo relatório sobre os eventuais riscos das principais doenças para o setor pecuário norte-americano:

Febre aftosa: risco paralisa o comércio

A febre aftosa, uma doença viral infecciosa e por vezes fatal, continua sendo uma das ameaças de doenças animais exóticas de maior impacto para a pecuária dos EUA. Embora os EUA, o Canadá e o México sejam classificados como livres de febre aftosa, os surtos em Taiwan (1997), no Reino Unido (2001) e, este ano, na Alemanha e na Hungria demonstram a relevância contínua dessa doença como ameaça tanto à saúde animal quanto à economia.

Os sistemas de produção modernos, caracterizados por alta densidade animal e frequente movimentação interestadual, dificultariam os esforços de contenção em caso de surto. Em 2015, um relatório da Universidade Estadual do Kansas constatou que um surto de febre aftosa que começasse em um estado norte-americano com grande população de animais vulneráveis ​​poderia custar quase US$ 200 bilhões à economia dos EUA se nenhum programa emergencial de vacinação fosse implementado.

Peste Suína Africana: Ameaça Persistente à Produção de Carne Suína nos EUA

A peste suína africana (PSA) se espalhou globalmente na última década e continua sendo uma das maiores ameaças à indústria suína dos EUA, causando febre hemorrágica com altas taxas de mortalidade. Em 2018, um surto massivo de PSA na China resultou na perda de metade do rebanho suíno do país, aproximadamente 225 milhões de animais, e custo à economia chinesa  US$ 111 bilhões. Desde então, casos de PSA foram relatados em países de grande parte da Ásia e da Europa..

Estima-se que um surto de Peste Suína Africana (PSA) nos EUA custaria à economia quase US$ 80 bilhões, devido à perda de exportações e à redução da receita da indústria, mas também poderia afetar o setor agrícola devido à diminuição da demanda por ração. A extensa população de javalis selvagens em grande parte do país complicaria ainda mais os esforços de contenção.

Não existe uma vacina contra a PSA disponível globalmente; no entanto, em maio de 2025, a WOAH adotou seu primeiro padrão internacional para vacinas contra a PSA . Isso foi seguido pela publicação, em julho, de padrões para avaliação em campo e monitoramento pós-vacinação.

Mosca-da-bicheira do Novo Mundo (NWS): Risco de Reintrodução e Dependência de Vigilância

A Mosca-da-bicheira do Novo Mundo  (NWS, na sigla em inglês) deposita seus ovos na pele de animais, frequentemente em feridas, e as larvas eclodidas penetram no animal, consumindo a carne. 

Antes de 2025, a NWS estava praticamente ausente no Hemisfério Ocidental ao norte do Panamá; no entanto, desde o início do ano, surtos têm se espalhado para o norte, coma detecção mais recente a apenas 193 quilômetros ao sul da fronteira entre os Estados Unidos e o México.

O USDA (Departamento de agricultura do EUA) estima que, se a praga-NWS cruzasse a fronteira para o Texas, poderia custar à economia do estado pelo menos US$ 1,8 bilhão, além de colocar em risco o restante do setor de carne bovina dos EUA. 

Em um esforço para combater essa ameaça, o USDA anunciou um plano de cinco frentes para enfrentar a praga, incluindo a produção de moscas estéreis, o fechamento da fronteira EUA-México para o comércio de gado e o aumento da comunicação com as autoridades sanitárias estaduais.

A mesma técnica de moscas macho estéreis que erradicou a praga nos EUA em 1966 está sendo aplicada no surto atual, com instalações de produção de moscas estéreis em funcionamento em Tampico, México, e em fase de planejamento em Edinburg, Texas.

Embora ainda não tenham sido detectados casos da mosca-NWS nos EUA, ela continua impactando a economia. Com a fronteira entre EUA e México fechada para a importação do gado, o rebanho bovino norte-americano, já reduzido, pode diminuir ainda mais. 

Influenza Aviária Altamente Patogênica: Um Desafio Multiespécies em Andamento

A influenza aviária altamente patogênica continua sendo uma ameaça crescente para a pecuária nos EUA. Duas vezes na última década, grandes surtos nos EUA devastaram operações avícolas, com perdas de mais de 50 milhões de aves comerciais,  entre 2014 e 2015. O surto mais recente de IAAP começou em 2022 e, desde então, foi detectado em criações em todos os 50 estados, resultando em uma perda estimada de 169 milhões de aves até abril de 2025.

A Influenza Aviária Altamente Patogênica (IAAP) é uma doença zoonótica com infecções relatadasem humanos, suínos, gatos e cães. Em março de 2024, a IAAP foi detectada em rebanhos leiteiros no Texas e no Kansas. Desde então, surtos de IAAP foram confirmados em mais de 300 rebanhos leiteiros nos EUA, em 14 estados diferentes.

Estima-se que o surto de IAAP (Influenza Aviária Altamente Patogênica) de 2014-2015 tenha custado aos EUA mais de US$ 1 bilhão, considerando as perdas nos setores de aves e ração animal, bem como a desvalorização das terras. Tanto esse surto quanto o subsequente, de 2024-2025, causaram aumentos significativos nos preços dos ovos, com os preços de março de 2025 chegando a 350% dos do ano anterior. Os preços do leite nos EUA ainda não foram afetados pelo surto.

Síndrome Reprodutiva e Respiratória Suína: Doença Endêmica, Custo Nacional

A infecção por PRRS em suínos teve um impacto significativo na indústria suína dos EUA. Detectada pela primeira vez nos EUA em 1987, a infecção por PRRS causa perda gestacional em porcas e problemas respiratórios em suínos de todas as idades, levando a um baixo desempenho. Ao contrário de outras doenças animais, a infecção por PRRS pode passar despercebida até que ocorram problemas com as porcas gestantes.

Uma análise da Universidade Estadual de Iowa mostra que a PRRS causou uma perda estimada de US$ 1,2 bilhão por ano na produção da indústria suína dos EUA entre 2016 e 2020. Isso representa um aumento de 80% em relação aos números relatados uma década antes.

Sem cura atualmente, o impacto da doença é minimizado por meio de práticas de biossegurança, vacinação e controle da infecção com antibióticos. 

Em abril de 2025, a FDA concedeu à PIC a aprovação para a edição genética utilizada em seu porco resistente à PRRS. Essa tecnologia poderia ter um grande impacto no bem-estar animal, nos custos de produção e nos preços da carne suína, caso seja adotada, embora qualquer impacto deva ocorrer somente daqui a muitos anos.

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