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Relatório Agrifatto: Guerra comercial entre EUA e China e o impacto para o setor de carne bovina brasileira

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Na quarta-feira (12), circulou um boato no mercado de que a China iria interromper todos os contratos de importação de carne bovina dos EUA, uma resposta de Pequim ao aumento de tarifas sobre produtos chineses aprovado pelo presidente Donald Trump.

A notícia não-oficial, diz a Agrifatto, foi suficiente para valorizar fortemente o preço futuro do boi gordo brasileiro na bolsa B3, com o contrato de abril/25 saindo de uma mínima de R$299,50/@ para uma máxima de R$ 318,45/@, uma alta de 6,58%.

No início de março/25, recorda a consultoria, a China anunciou a imposição de tarifas adicionais de até 15% sobre produtos agrícolas dos EUA, incluindo carne bovina, em resposta ao aumento de tarifas sobre produtos chineses aprovado por Trump.

Diante das notícias não-oficiais envolvendo a guerra comercial entre as duas gigantes potências mundiais, a Agrifatto soltou um relatório nesta quinta-feira aos seus assinantes especulando sobre o impacto ao mercado “caso a China de fato parasse as importações de carne dos EUA”.

O Brasil, relembra a Agrifatto, é o principal fornecedor de carne bovina para a China (com 47% da participação sobre o total importado pelos chineses em 2024), seguido pela Argentina, com 21%, Uruguai e Austrália, ambos com 8%, e Nova Zelândia e EUA, com 5% cada.

Em 2024, sozinhos, os Estados Unidos exportaram um total de 138,15 mil toneladas de carne bovina in natura para a China, diz a consultoria.

“Apesar da participação relativamente pequena, os EUA se destacam por oferecer um produto de maior valor agregado”, observam os analistas da Agrifatto.

A proteína bovina importada pela China pelos Estados Unidos é classificada como choice, uma carne de maior valor agregado, servida em cortes.

Por esse motivo, o preço médio da carne bovina norte-americana enviada à China foi de US$ 10.276 por tonelada, o mais alto entre os grandes exportadores, ficando 122% acima do preço médio da carne brasileira, que chegou ao mercado chinês a US$ 4.626 por tonelada no mesmo período, compara a Agrifatto.

Desta forma, observa a consultoria, os países que naturalmente substituiriam as importações de carne dos Estados Unidos seriam Argentina e Austrália (que também produzem carne de maior valor agregado), com alguns desafios logísticos na execução do ajuste.

“No cenário global, haverá um redirecionamento do fluxo comercial, beneficiando exportadores alternativos e impactando os preços internacionais da carne, com uma maior demanda por parte da China e um excesso de oferta nos EUA”, antecipa a Agrifatto.

Os Estados Unidos foram o sexto maior fornecedor de carne bovina para a China em 2024, respondendo por 4,8% do total importado pelo país asiático, o equivalente a 138,15 mil toneladas no ano, informa a consultoria.

A média mensal das exportações norte-americanas para o mercado chinês foi de 11,51 mil toneladas. “Caso realmente haja uma saída dos Estados Unidos do mercado chinês, surge uma oportunidade para outros fornecedores aumentarem as exportações”, acreditam os analistas da Agrifatto.

Porém, afirma a consultoria, a disputa brasileira ficaria mais difícil pelo padrão de carne exportada, de menor valor agregado.

No entanto, calcula a consultoria, caso o Brasil conseguisse absorver toda a demanda deixada pelos EUA, adicionando 11,51 mil toneladas mensais às suas exportações, o volume total embarcado poderia crescer 5,16% ao mês, em média.

“Esse aumento seria significativo, considerando que a média mensal das exportações brasileiras de carne bovina nos últimos 12 meses foi de aproximadamente 213 mil toneladas”, destaca a Agrifatto.

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