Por Enrico Ortolani – Professor titular de Clínica de Ruminantes da FMVZ-USP (ortolani@usp.br)
COM A CHUVARADA, O BERNE É UM PROBLEMA NO SUDESTE
Segundo contagens seriadas do número de bernes, com a chuvarada, aumentou no rebanho acompanhado (Sorocaba, SP) em torno de 15% em relação ao mês de fevereiro, que já estava alto. Semelhante observação foi constatada em Botucatu (SP) e no Triângulo Mineiro.
Tanto o excesso de chuva, como o maior calor ambiente, nessa época, aumenta o risco de ocorrência de bernes, em pastagens relativamente montanhosas e com muitas árvores, no Sudeste.
O calor e o excesso de chuva aumentam a quantidade de outras moscas que carregam as larvas de berne para a pele do bovino. A mosca adulta do berne pula em outras moscas e deposita em seus abdomens as larvas, as quais por estímulo do calor da pele bovina e dos gases aí emitidos, saltam e perfuram a derme dos animais.


RESISTÊNCIA DOS BERNES À DORAMECTINA
Constatações feitas nos municípios paulistas de Sorocaba e de Botucatu identificaram que o antiparasitário doramectina, da família das avermectinas (lactonas macrocíclicas), praticamente não tem mais efeito na eliminação de larvas de berne em bovinos destas áreas.
A doramectina foi lançada no mercado brasileiro no ano de 1994 e sua eficiência contra o berne era de 100%. Diferente da ivermectina, que em menos de dez ano do seu lançamento, em 1982, já tinha perdido a eficiência contra bernes, a doramectina foi por longos períodos muito atuante, perdendo esta eficácia, principalmente nos últimos 3 anos de uso. Uma pena!
Agora poucos medicamentos tradicionais têm alguma ação contra os bernes, em especial os organofosforados e em algumas áreas do país o fipronil. Porém, um medicamento, recém-lançado no mercado, a base de fluralaner, é sem dúvida ainda o mais eficiente.

Você gostou desta coluna? Tem alguma sugestão ou informação nova? Por favor, me escreva no e-mail ortolani@usp.br.
VEJA TAMBÉM | Ataque da mosca-dos-estábulos em confinamento goiano




