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Primavera começa com recordes no mercado pecuário dos EUA

Sem expansão do rebanho norte-americano, preços do boi gordo e do bezerro seguem em trajetória ascendente mesmo com o aumento das importações de carne bovina
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Enquanto os EUA elevam a importação de carne bovina do Brasil e de outros fornecedores, os pecuaristas norte-americanos comemoram os preços recordes recebidos neste início de primavera no país.

Tal tendência, dizem os analistas locais, reflete a forte demanda doméstica pela carne bovina, além da oferta restrita de gado para engorda depois que rebanho do país caiu para o menor nível em mais de 70 anos..

Em artigo publicado no portal Beef Magazine e assinado pelo professor Josh Maples, da Universidade Estadual do Mississippi, o mercado pecuário norte-americano demonstrou força contínua durante os três primeiros meses de 2026.

“A primavera começou com os preços mais altos para bezerros e gado de engorda de qualquer mês de março já registrado”, destaca Maples, acrescentando: “As cotações médias durante a última semana de março/26 subiram de 21% a 38% em relação aos níveis do ano anterior em todo o Sudeste, dependendo da faixa de peso, e foram mais que o dobro do que eram há apenas três anos, em março de 2023”.

Segundo ressalta o professor, a oferta de animais para engorda nos EUA segue “extremamente restrita”, enquanto, nos últimos anos, a “demanda interna por carne bovina tem sido excepcional”. “Ambos os fatores sustentam os preços do gado”, reforça.

Na avaliação de Maples, os preços mais altos devem, eventualmente, incentivar a expansão do rebanho, mas há poucos sinais de que isso esteja ocorrendo até o momento.

O professor diz que a seca se alastrou nas últimas semanas, o que pode prejudicar os planos de expansão de alguns produtores.  “A maior parte do sul dos EUA encontra-se agora em condições de estiagem”, relata ele, acrescentando: “Quando a expansão generalizada começar e os produtores começarem a reter mais novilhas, haverá ainda menos gado para engorda disponível no curto prazo, até que surjam os maiores lotes de bezerros”, observa.

Recessão/demanda/oferta

Na avaliação de Dennis Smith, grande especialista do setor pecuário e que também escreveu artigo publicado pela Beef Magazine, diz que, “nesta fase do ciclo pecuário, a recessão nos EUA é a principal ameaça ao fim do mercado em alta”.

“A outra ameaça, a do aumento do tamanho do rebanho e, consequentemente, da produção de carne bovina, parece estar a vários anos de distância”, deduz ele.

Smith lembra que o relatório anual de inventário bovino divulgado em fevereiro/26 pelo USDA (Departamento de Agricultura dos EUA) não mostrou sinais de retenção agressiva de novilhas.

Por outro lado, analisa Smith, “a ausência de expansão do rebanho sem recessão indica que preços mais altos do gado por um período mais longo”.

Segundo o analista, o comportamento recente dos frigoríficos norte-americanos sugere que a demanda interna pela carne bovina permanece forte.

Até o feriado da Páscoa, os frigoríficos pagaram US$ 10 a mais por gado vivo e US$ 13 a mais por carcaça em comparação com a semana anterior”, informa, acrescentando: “Estamos nos aproximando do período de maior demanda por carne bovina de todo o ano (temporada de verão); nenhum dos principais frigoríficos quer ficar sem produto quando os grandes pedidos começarem a chegar”.

Aparentemente, continua Smith, todos tiveram que comprar menos do que o necessário e correram para garantir o gado. “O volume negociado foi de 80.700 cabeças, das quais apenas 17% foram compradas dentro do prazo. O preço médio pago nas cinco regiões foi de US$ 244,96, um aumento de US$ 9,27 e próximo do recorde histórico”.

Carcaças mais pesadas

Segundo relata o analista, a tendência da indústria dos EUA desde o início de 2025 e até agora “é a de superalimentar os animais para atingir pesos enormes”. “Isso proporciona ao frigorífico mais carne por carcaça, enquanto ele lida com os altos custos fixos diante de uma menor oferta de bovinos”, justifica.

No entanto, Smith acredita “os pesos dos animais devem começar a cair nesta primavera – e possivelmente continuarão a diminuir durante boa parte do verão” –, pois os pecuaristas devem antecipar as vendas dos lotes para garantir lucratividade gerada pelos preços recordes atuais.

“Se isso acontecer, a oferta de carne bovina ficará ainda mais restrita, elevando drasticamente os preços da carne no atacado”, observa Smith, completando: “Prevejo preços mais altos do gado até meados do verão”.

LEIA MAIS | Qualidade das carcaças impulsiona demanda por carne bovina nos EUA

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