Bastou o pacote de arroz de 5 quilos sair dos tradicionais R$ 15 para cerca de R$ 50, para que inúmeras críticas recaíssem especialmente direcionadas aos produtores rurais nas redes sociais. O fato, porém, é só a ponta do iceberg, pois o encarecimento tem origem em diversos fatores que formaram a “tempestade perfeita” do cereal.
Entre eles estão: baixo cultivo e produção, demanda em alta provocada pela pandemia, endividamento de produtores, corrida exportadora e estoques em baixa. Confira:
1. Cultivo em queda
O Brasil cultivou o grão em 6,6 milhões de hectares na safra 1980/1981, a maior área plantada com o grão. A colheita encerrada no ciclo 2019/2020 foi de 1,7 milhão de hectares. Por outro lado, o aumento de produtividade sustentou as perdas das áreas nos últimos anos. Apesar de o País ter colhido 11,18 milhões de toneladas na safra 2019/2020, 6,68% a mais que no ciclo anterior, a produção parece nem seguir na retomada do recorde de 2010/2011, quando o País colheu 13,6 milhões de toneladas. Foi a maior colheita de arroz já vista no País, segundo o levantamento histórico de 44 anos da Conab.
2. Prejuízos
A rentabilidade com a lavoura nunca foi a das melhores, o que motivou a queda do cultivo. Um estudo do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), de Piracicaba (SP), registrou rentabilidade negativa da safra 2014/15 até 2018/19, tendo como os dois piores momentos as temporadas 2017/18 e 2018/19.
3. Demanda em alta
Depois de alguns anos com consumo em queda no País, além da queda na produção, o arroz teve uma procura acentuada desde o início da pandemia. Segundo a Conab, na safra 2019/2020 o consumo foi de 10,8 milhões de toneladas, 5,08% a mais que na temporada 2018/2019.
4. Exportação
Com a desvalorização do real perante o dólar, o produtor decidiu elevar as exportações. O comércio é estimado em 1,5 milhão de toneladas este ano na safra 2019/2020, volume 10,22% acima da safra 2018/2019.
5. Estoques em baixa
A safra de 2019/2020 deixa um estoques 537,5 mil toneladas de arroz para compor a oferta do clico 2020/2021. O volume é 44,18% menor que o deixado na temporada 2014/2015.




