Sem malabarismo, com muito equilíbrio operacional, fazendas de ciclo completo em Mato Grosso têm lucro médio acima de R$ 1.500/ha/ano
Foto: Sergio Kirch
Por Carolina Rodrigues
Duas fazendas de ciclo completo nos rincões de Mato Grosso: a Mata Verde, em Terra Nova do Norte, no bioma amazônico, e a Santa Rita da Aldeia, em Porto Estrela, às margens do Pantanal. Apesar de estarem a 600 km de distância uma da outra, elas têm algo em comum: bons números. São top rentáveis no benchmarking do Instituto de Métricas Agropecuárias (Inttegra) e têm obtido resultados acima de R$ 1.500 líquidos/ha em 2020/21.
Uma das razões desse sucesso é a estação de monta curta. Há quem trabalhe com apenas 45 dias (casos muito específicos), porém a meta mais indicada e considerada acessível à maioria das propriedades de cria é 64 dias. Foi justamente esta a escolha das Fazendas Mata Verde e Santa Rita da Aldeia, que hoje funcionam como verdadeiras “fábricas” de animais de alta performance reprodutiva.
Antônio Chaker, coordenador Inttegra.
“Precisamos olhar o processo de uma perspectiva inversa, rebobinando etapas, do boi gordo à reprodução. Para termos um animal de 20@ aos 20 meses, terminado a pasto, é fundamental trabalhar com monta curta. Ela deve ser o motor da fábrica de carne”, explica Antônio Chaker, coordenador do Inttegra.
Ele lembra que a maioria das propriedades brasileiras não tem estação de monta definida. E aquelas que têm trabalham com períodos de 100 a 120 dias. Muita gente, inclusive, acredita que somente pequenas propriedades conseguem fazer estação curta, o que é um erro. As fazendas Mata Verde e Santa Rita da Aldeia fazem inseminação artificial em tempo fixo (IATF) de 1.000 a 2.000 matrizes em 64 dias, obtendo de 800 a 1.300 nascimentos/ano.
Como conseguem esse feito? Trabalhando cada segmento produtivo (cria, recria e engorda) de forma setorizada, caprichando na nutrição dos animais, usando boas métricas, planejando atividades e, acima de tudo, conhecendo o perfil da fazenda para implementação correta da tecnologia de IATF.
Mas, por que 64 dias?
Apesar de não haver definição sobre o tamanho ideal de uma estação de monta curta, Leonardo Souza, diretor do Programa Nelore Qualitas, com 56 fazendas associadas, preconizou, durante muito tempo, um período de 70 dias, para que, somados aos 295 dias de gestação, cada matriz tivesse um bezerro por ano.
Logo, porém, constatou que algumas vacas demoram até 300 dias para parir, então, passou a recomendar 64 dias, que garante uma distribuição de nascimentos concentrada e dentro do próprio ano. Nas estações mais longas (120 dias), tem-se até cinco meses de parições.
Leonardo Souza, diretor do Nelore Qualitas.
As Fazendas Mata Verde e Santa Rita da Aldeia já consolidaram a estação de 64 dias e outras três fazendas estão iniciando esse processo, dentre elas a São Miguel do Arcanjo. Souza ressalta, contudo, que o encurtamento deve ser gradual, para não comprometer os índices zootécnicos do rebanho, nem levar ao descarte de animais com alto potencial produtivo ou de genética superior.
Na Mata Verde, por exemplo, foram necessárias sete safras para “cravar” 64 dias. “É um processo de construção”, diz o diretor do Qualitas, garantindo: “Quem tem foco, tem processo. E a base, em termos de processo, numa fazenda com cria, é a estação de monta”.
Josinaldo Zanotti, gestor da Geagro Soluções Gerenciais, empresa franqueada do Inttegra, concorda. Quando desembarcou no Mato Grosso, em 2015, vindo do Paraná, ele se deparou com um cenário desafiador: propriedades de cria ou ciclo completo bem estruturadas, mas que não conseguiam bons resultados financeiros, porque não percebiam o impacto negativo da estação de monta longa sobre seu negócio.
Segundo o zootecnista, embora o encurtamento desse período gere dificuldades operacionais, ganha-se em rentabilidade. Na safra 2019/2020, as Fazendas Monte Verde e Santa Rita, que ele acompanha, entregaram uma média de 130 kg de bezerro desmamado por vaca exposta, com 70% de desmame.
Zanotti observa que, no início, pode haver um recuo nos índices reprodutivos, mas depois passa-se a trabalhar com as chamadas “precocinhas” (novilhas que emprenham entre 12-14 meses de idade), peças fundamentais para a pecuária de ciclo curto. “Nenhuma outra categoria garante tamanho retorno produtivo quanto elas, pois, além dos bezerros que fornecem, também incluem, no estoque global da fazenda, os quilos que ganham enquanto se desenvolvem”, diz o consultor.
Segundo levantamento da Geagro relativo à safra 2019/2020, as fazendas que fazem monta de 65 dias tiveram GMDg (ganho médio diário global) de 421 g/cab, ante 392 g daquelas que adotam monta de 100 a 150 dias. Registraram maior desembolso por animal/mês, porém seu custo por arroba produzida foi menor (veja tabela abaixo).
“Isso ocorreu porque elas conseguiram antecipar descartes, diminuir custos fixos e maximizar o lucro por arroba, obtendo margem líquida de 15% na última safra, ante 10% das demais fazendas de ciclo completo do benchmarking Inttegra”, informa o técnico.
Leia este e outros conteúdos exclusivos da DBO, sendo nosso assinante.
Seja assinante e aproveite os conteúdos exclusivos da DBO
Duas fazendas de ciclo completo nos rincões de Mato Grosso: a Mata Verde, em Terra Nova do Norte, no bioma amazônico, e a Santa Rita da Aldeia, em Porto Estrela, às margens do Pantanal. Apesar de estarem a 600 km de distância uma da outra, elas têm algo em comum: bons números. São top rentáveis no benchmarking do Instituto de Métricas Agropecuárias (Inttegra) e têm obtido resultados acima de R$ 1.500 líquidos/ha em 2020/21.
Uma das razões desse sucesso é a estação de monta curta. Há quem trabalhe com apenas 45 dias (casos muito específicos), porém a meta mais indicada e considerada acessível à maioria das propriedades de cria é 64 dias. Foi justamente esta a escolha das Fazendas Mata Verde e Santa Rita da Aldeia, que hoje funcionam como verdadeiras “fábricas” de animais de alta performance reprodutiva.
Antônio Chaker, coordenador Inttegra.
“Precisamos olhar o processo de uma perspectiva inversa, rebobinando etapas, do boi gordo à reprodução. Para termos um animal de 20@ aos 20 meses, terminado a pasto, é fundamental trabalhar com monta curta. Ela deve ser o motor da fábrica de carne”, explica Antônio Chaker, coordenador do Inttegra.
Ele lembra que a maioria das propriedades brasileiras não tem estação de monta definida. E aquelas que têm trabalham com períodos de 100 a 120 dias. Muita gente, inclusive, acredita que somente pequenas propriedades conseguem fazer estação curta, o que é um erro. As fazendas Mata Verde e Santa Rita da Aldeia fazem inseminação artificial em tempo fixo (IATF) de 1.000 a 2.000 matrizes em 64 dias, obtendo de 800 a 1.300 nascimentos/ano.
Como conseguem esse feito? Trabalhando cada segmento produtivo (cria, recria e engorda) de forma setorizada, caprichando na nutrição dos animais, usando boas métricas, planejando atividades e, acima de tudo, conhecendo o perfil da fazenda para implementação correta da tecnologia de IATF.
Mas, por que 64 dias?
Apesar de não haver definição sobre o tamanho ideal de uma estação de monta curta, Leonardo Souza, diretor do Programa Nelore Qualitas, com 56 fazendas associadas, preconizou, durante muito tempo, um período de 70 dias, para que, somados aos 295 dias de gestação, cada matriz tivesse um bezerro por ano.
Logo, porém, constatou que algumas vacas demoram até 300 dias para parir, então, passou a recomendar 64 dias, que garante uma distribuição de nascimentos concentrada e dentro do próprio ano. Nas estações mais longas (120 dias), tem-se até cinco meses de parições.
Leonardo Souza, diretor do Nelore Qualitas.
As Fazendas Mata Verde e Santa Rita da Aldeia já consolidaram a estação de 64 dias e outras três fazendas estão iniciando esse processo, dentre elas a São Miguel do Arcanjo. Souza ressalta, contudo, que o encurtamento deve ser gradual, para não comprometer os índices zootécnicos do rebanho, nem levar ao descarte de animais com alto potencial produtivo ou de genética superior.
Na Mata Verde, por exemplo, foram necessárias sete safras para “cravar” 64 dias. “É um processo de construção”, diz o diretor do Qualitas, garantindo: “Quem tem foco, tem processo. E a base, em termos de processo, numa fazenda com cria, é a estação de monta”.
Josinaldo Zanotti, gestor da Geagro Soluções Gerenciais, empresa franqueada do Inttegra, concorda. Quando desembarcou no Mato Grosso, em 2015, vindo do Paraná, ele se deparou com um cenário desafiador: propriedades de cria ou ciclo completo bem estruturadas, mas que não conseguiam bons resultados financeiros, porque não percebiam o impacto negativo da estação de monta longa sobre seu negócio.
Segundo o zootecnista, embora o encurtamento desse período gere dificuldades operacionais, ganha-se em rentabilidade. Na safra 2019/2020, as Fazendas Monte Verde e Santa Rita, que ele acompanha, entregaram uma média de 130 kg de bezerro desmamado por vaca exposta, com 70% de desmame.
Zanotti observa que, no início, pode haver um recuo nos índices reprodutivos, mas depois passa-se a trabalhar com as chamadas “precocinhas” (novilhas que emprenham entre 12-14 meses de idade), peças fundamentais para a pecuária de ciclo curto. “Nenhuma outra categoria garante tamanho retorno produtivo quanto elas, pois, além dos bezerros que fornecem, também incluem, no estoque global da fazenda, os quilos que ganham enquanto se desenvolvem”, diz o consultor.
Segundo levantamento da Geagro relativo à safra 2019/2020, as fazendas que fazem monta de 65 dias tiveram GMDg (ganho médio diário global) de 421 g/cab, ante 392 g daquelas que adotam monta de 100 a 150 dias. Registraram maior desembolso por animal/mês, porém seu custo por arroba produzida foi menor (veja tabela abaixo).
“Isso ocorreu porque elas conseguiram antecipar descartes, diminuir custos fixos e maximizar o lucro por arroba, obtendo margem líquida de 15% na última safra, ante 10% das demais fazendas de ciclo completo do benchmarking Inttegra”, informa o técnico.
Leia este e outros conteúdos exclusivos da DBO, sendo nosso assinante.
Seja assinante e aproveite os conteúdos exclusivos da DBO
Sem malabarismo, com muito equilíbrio operacional, fazendas de ciclo completo em Mato Grosso têm lucro médio acima de R$ 1.500/ha/ano
Foto: Sergio Kirch
Por Carolina Rodrigues
Duas fazendas de ciclo completo nos rincões de Mato Grosso: a Mata Verde, em Terra Nova do Norte, no bioma amazônico, e a Santa Rita da Aldeia, em Porto Estrela, às margens do Pantanal. Apesar de estarem a 600 km de distância uma da outra, elas têm algo em comum: bons números. São top rentáveis no benchmarking do Instituto de Métricas Agropecuárias (Inttegra) e têm obtido resultados acima de R$ 1.500 líquidos/ha em 2020/21.
Uma das razões desse sucesso é a estação de monta curta. Há quem trabalhe com apenas 45 dias (casos muito específicos), porém a meta mais indicada e considerada acessível à maioria das propriedades de cria é 64 dias. Foi justamente esta a escolha das Fazendas Mata Verde e Santa Rita da Aldeia, que hoje funcionam como verdadeiras “fábricas” de animais de alta performance reprodutiva.
Antônio Chaker, coordenador Inttegra.
“Precisamos olhar o processo de uma perspectiva inversa, rebobinando etapas, do boi gordo à reprodução. Para termos um animal de 20@ aos 20 meses, terminado a pasto, é fundamental trabalhar com monta curta. Ela deve ser o motor da fábrica de carne”, explica Antônio Chaker, coordenador do Inttegra.
Ele lembra que a maioria das propriedades brasileiras não tem estação de monta definida. E aquelas que têm trabalham com períodos de 100 a 120 dias. Muita gente, inclusive, acredita que somente pequenas propriedades conseguem fazer estação curta, o que é um erro. As fazendas Mata Verde e Santa Rita da Aldeia fazem inseminação artificial em tempo fixo (IATF) de 1.000 a 2.000 matrizes em 64 dias, obtendo de 800 a 1.300 nascimentos/ano.
Como conseguem esse feito? Trabalhando cada segmento produtivo (cria, recria e engorda) de forma setorizada, caprichando na nutrição dos animais, usando boas métricas, planejando atividades e, acima de tudo, conhecendo o perfil da fazenda para implementação correta da tecnologia de IATF.
Mas, por que 64 dias?
Apesar de não haver definição sobre o tamanho ideal de uma estação de monta curta, Leonardo Souza, diretor do Programa Nelore Qualitas, com 56 fazendas associadas, preconizou, durante muito tempo, um período de 70 dias, para que, somados aos 295 dias de gestação, cada matriz tivesse um bezerro por ano.
Logo, porém, constatou que algumas vacas demoram até 300 dias para parir, então, passou a recomendar 64 dias, que garante uma distribuição de nascimentos concentrada e dentro do próprio ano. Nas estações mais longas (120 dias), tem-se até cinco meses de parições.
Leonardo Souza, diretor do Nelore Qualitas.
As Fazendas Mata Verde e Santa Rita da Aldeia já consolidaram a estação de 64 dias e outras três fazendas estão iniciando esse processo, dentre elas a São Miguel do Arcanjo. Souza ressalta, contudo, que o encurtamento deve ser gradual, para não comprometer os índices zootécnicos do rebanho, nem levar ao descarte de animais com alto potencial produtivo ou de genética superior.
Na Mata Verde, por exemplo, foram necessárias sete safras para “cravar” 64 dias. “É um processo de construção”, diz o diretor do Qualitas, garantindo: “Quem tem foco, tem processo. E a base, em termos de processo, numa fazenda com cria, é a estação de monta”.
Josinaldo Zanotti, gestor da Geagro Soluções Gerenciais, empresa franqueada do Inttegra, concorda. Quando desembarcou no Mato Grosso, em 2015, vindo do Paraná, ele se deparou com um cenário desafiador: propriedades de cria ou ciclo completo bem estruturadas, mas que não conseguiam bons resultados financeiros, porque não percebiam o impacto negativo da estação de monta longa sobre seu negócio.
Segundo o zootecnista, embora o encurtamento desse período gere dificuldades operacionais, ganha-se em rentabilidade. Na safra 2019/2020, as Fazendas Monte Verde e Santa Rita, que ele acompanha, entregaram uma média de 130 kg de bezerro desmamado por vaca exposta, com 70% de desmame.
Zanotti observa que, no início, pode haver um recuo nos índices reprodutivos, mas depois passa-se a trabalhar com as chamadas “precocinhas” (novilhas que emprenham entre 12-14 meses de idade), peças fundamentais para a pecuária de ciclo curto. “Nenhuma outra categoria garante tamanho retorno produtivo quanto elas, pois, além dos bezerros que fornecem, também incluem, no estoque global da fazenda, os quilos que ganham enquanto se desenvolvem”, diz o consultor.
Segundo levantamento da Geagro relativo à safra 2019/2020, as fazendas que fazem monta de 65 dias tiveram GMDg (ganho médio diário global) de 421 g/cab, ante 392 g daquelas que adotam monta de 100 a 150 dias. Registraram maior desembolso por animal/mês, porém seu custo por arroba produzida foi menor (veja tabela abaixo).
“Isso ocorreu porque elas conseguiram antecipar descartes, diminuir custos fixos e maximizar o lucro por arroba, obtendo margem líquida de 15% na última safra, ante 10% das demais fazendas de ciclo completo do benchmarking Inttegra”, informa o técnico.
Leia este e outros conteúdos exclusivos da DBO, sendo nosso assinante.
Seja assinante e aproveite os conteúdos exclusivos da DBO
Duas fazendas de ciclo completo nos rincões de Mato Grosso: a Mata Verde, em Terra Nova do Norte, no bioma amazônico, e a Santa Rita da Aldeia, em Porto Estrela, às margens do Pantanal. Apesar de estarem a 600 km de distância uma da outra, elas têm algo em comum: bons números. São top rentáveis no benchmarking do Instituto de Métricas Agropecuárias (Inttegra) e têm obtido resultados acima de R$ 1.500 líquidos/ha em 2020/21.
Uma das razões desse sucesso é a estação de monta curta. Há quem trabalhe com apenas 45 dias (casos muito específicos), porém a meta mais indicada e considerada acessível à maioria das propriedades de cria é 64 dias. Foi justamente esta a escolha das Fazendas Mata Verde e Santa Rita da Aldeia, que hoje funcionam como verdadeiras “fábricas” de animais de alta performance reprodutiva.
Antônio Chaker, coordenador Inttegra.
“Precisamos olhar o processo de uma perspectiva inversa, rebobinando etapas, do boi gordo à reprodução. Para termos um animal de 20@ aos 20 meses, terminado a pasto, é fundamental trabalhar com monta curta. Ela deve ser o motor da fábrica de carne”, explica Antônio Chaker, coordenador do Inttegra.
Ele lembra que a maioria das propriedades brasileiras não tem estação de monta definida. E aquelas que têm trabalham com períodos de 100 a 120 dias. Muita gente, inclusive, acredita que somente pequenas propriedades conseguem fazer estação curta, o que é um erro. As fazendas Mata Verde e Santa Rita da Aldeia fazem inseminação artificial em tempo fixo (IATF) de 1.000 a 2.000 matrizes em 64 dias, obtendo de 800 a 1.300 nascimentos/ano.
Como conseguem esse feito? Trabalhando cada segmento produtivo (cria, recria e engorda) de forma setorizada, caprichando na nutrição dos animais, usando boas métricas, planejando atividades e, acima de tudo, conhecendo o perfil da fazenda para implementação correta da tecnologia de IATF.
Mas, por que 64 dias?
Apesar de não haver definição sobre o tamanho ideal de uma estação de monta curta, Leonardo Souza, diretor do Programa Nelore Qualitas, com 56 fazendas associadas, preconizou, durante muito tempo, um período de 70 dias, para que, somados aos 295 dias de gestação, cada matriz tivesse um bezerro por ano.
Logo, porém, constatou que algumas vacas demoram até 300 dias para parir, então, passou a recomendar 64 dias, que garante uma distribuição de nascimentos concentrada e dentro do próprio ano. Nas estações mais longas (120 dias), tem-se até cinco meses de parições.
Leonardo Souza, diretor do Nelore Qualitas.
As Fazendas Mata Verde e Santa Rita da Aldeia já consolidaram a estação de 64 dias e outras três fazendas estão iniciando esse processo, dentre elas a São Miguel do Arcanjo. Souza ressalta, contudo, que o encurtamento deve ser gradual, para não comprometer os índices zootécnicos do rebanho, nem levar ao descarte de animais com alto potencial produtivo ou de genética superior.
Na Mata Verde, por exemplo, foram necessárias sete safras para “cravar” 64 dias. “É um processo de construção”, diz o diretor do Qualitas, garantindo: “Quem tem foco, tem processo. E a base, em termos de processo, numa fazenda com cria, é a estação de monta”.
Josinaldo Zanotti, gestor da Geagro Soluções Gerenciais, empresa franqueada do Inttegra, concorda. Quando desembarcou no Mato Grosso, em 2015, vindo do Paraná, ele se deparou com um cenário desafiador: propriedades de cria ou ciclo completo bem estruturadas, mas que não conseguiam bons resultados financeiros, porque não percebiam o impacto negativo da estação de monta longa sobre seu negócio.
Segundo o zootecnista, embora o encurtamento desse período gere dificuldades operacionais, ganha-se em rentabilidade. Na safra 2019/2020, as Fazendas Monte Verde e Santa Rita, que ele acompanha, entregaram uma média de 130 kg de bezerro desmamado por vaca exposta, com 70% de desmame.
Zanotti observa que, no início, pode haver um recuo nos índices reprodutivos, mas depois passa-se a trabalhar com as chamadas “precocinhas” (novilhas que emprenham entre 12-14 meses de idade), peças fundamentais para a pecuária de ciclo curto. “Nenhuma outra categoria garante tamanho retorno produtivo quanto elas, pois, além dos bezerros que fornecem, também incluem, no estoque global da fazenda, os quilos que ganham enquanto se desenvolvem”, diz o consultor.
Segundo levantamento da Geagro relativo à safra 2019/2020, as fazendas que fazem monta de 65 dias tiveram GMDg (ganho médio diário global) de 421 g/cab, ante 392 g daquelas que adotam monta de 100 a 150 dias. Registraram maior desembolso por animal/mês, porém seu custo por arroba produzida foi menor (veja tabela abaixo).
“Isso ocorreu porque elas conseguiram antecipar descartes, diminuir custos fixos e maximizar o lucro por arroba, obtendo margem líquida de 15% na última safra, ante 10% das demais fazendas de ciclo completo do benchmarking Inttegra”, informa o técnico.
Leia este e outros conteúdos exclusivos da DBO, sendo nosso assinante.
Seja assinante e aproveite os conteúdos exclusivos da DBO
Daniel Gaia, zootecnista e proprietário da DG Assessoria Pecuária, comenta os preços da reposição, a oferta de boi magro e as tendências do mercado pecuário no Tocantins.
A zootecnista Janaina Martuscello analisa os benefícios e os desafios das leguminosas em pastagens, destacando os principais cuidados para o sucesso do sistema.
Duas fazendas de ciclo completo nos rincões de Mato Grosso: a Mata Verde, em Terra Nova do Norte, no bioma amazônico, e a Santa Rita da Aldeia, em Porto Estrela, às margens do Pantanal. Apesar de estarem a 600 km de distância uma da outra, elas têm algo em comum: bons números. São top rentáveis no benchmarking do Instituto de Métricas Agropecuárias (Inttegra) e têm obtido resultados acima de R$ 1.500 líquidos/ha em 2020/21.
Uma das razões desse sucesso é a estação de monta curta. Há quem trabalhe com apenas 45 dias (casos muito específicos), porém a meta mais indicada e considerada acessível à maioria das propriedades de cria é 64 dias. Foi justamente esta a escolha das Fazendas Mata Verde e Santa Rita da Aldeia, que hoje funcionam como verdadeiras “fábricas” de animais de alta performance reprodutiva.
Antônio Chaker, coordenador Inttegra.
“Precisamos olhar o processo de uma perspectiva inversa, rebobinando etapas, do boi gordo à reprodução. Para termos um animal de 20@ aos 20 meses, terminado a pasto, é fundamental trabalhar com monta curta. Ela deve ser o motor da fábrica de carne”, explica Antônio Chaker, coordenador do Inttegra.
Ele lembra que a maioria das propriedades brasileiras não tem estação de monta definida. E aquelas que têm trabalham com períodos de 100 a 120 dias. Muita gente, inclusive, acredita que somente pequenas propriedades conseguem fazer estação curta, o que é um erro. As fazendas Mata Verde e Santa Rita da Aldeia fazem inseminação artificial em tempo fixo (IATF) de 1.000 a 2.000 matrizes em 64 dias, obtendo de 800 a 1.300 nascimentos/ano.
Como conseguem esse feito? Trabalhando cada segmento produtivo (cria, recria e engorda) de forma setorizada, caprichando na nutrição dos animais, usando boas métricas, planejando atividades e, acima de tudo, conhecendo o perfil da fazenda para implementação correta da tecnologia de IATF.
Mas, por que 64 dias?
Apesar de não haver definição sobre o tamanho ideal de uma estação de monta curta, Leonardo Souza, diretor do Programa Nelore Qualitas, com 56 fazendas associadas, preconizou, durante muito tempo, um período de 70 dias, para que, somados aos 295 dias de gestação, cada matriz tivesse um bezerro por ano.
Logo, porém, constatou que algumas vacas demoram até 300 dias para parir, então, passou a recomendar 64 dias, que garante uma distribuição de nascimentos concentrada e dentro do próprio ano. Nas estações mais longas (120 dias), tem-se até cinco meses de parições.
Leonardo Souza, diretor do Nelore Qualitas.
As Fazendas Mata Verde e Santa Rita da Aldeia já consolidaram a estação de 64 dias e outras três fazendas estão iniciando esse processo, dentre elas a São Miguel do Arcanjo. Souza ressalta, contudo, que o encurtamento deve ser gradual, para não comprometer os índices zootécnicos do rebanho, nem levar ao descarte de animais com alto potencial produtivo ou de genética superior.
Na Mata Verde, por exemplo, foram necessárias sete safras para “cravar” 64 dias. “É um processo de construção”, diz o diretor do Qualitas, garantindo: “Quem tem foco, tem processo. E a base, em termos de processo, numa fazenda com cria, é a estação de monta”.
Josinaldo Zanotti, gestor da Geagro Soluções Gerenciais, empresa franqueada do Inttegra, concorda. Quando desembarcou no Mato Grosso, em 2015, vindo do Paraná, ele se deparou com um cenário desafiador: propriedades de cria ou ciclo completo bem estruturadas, mas que não conseguiam bons resultados financeiros, porque não percebiam o impacto negativo da estação de monta longa sobre seu negócio.
Segundo o zootecnista, embora o encurtamento desse período gere dificuldades operacionais, ganha-se em rentabilidade. Na safra 2019/2020, as Fazendas Monte Verde e Santa Rita, que ele acompanha, entregaram uma média de 130 kg de bezerro desmamado por vaca exposta, com 70% de desmame.
Zanotti observa que, no início, pode haver um recuo nos índices reprodutivos, mas depois passa-se a trabalhar com as chamadas “precocinhas” (novilhas que emprenham entre 12-14 meses de idade), peças fundamentais para a pecuária de ciclo curto. “Nenhuma outra categoria garante tamanho retorno produtivo quanto elas, pois, além dos bezerros que fornecem, também incluem, no estoque global da fazenda, os quilos que ganham enquanto se desenvolvem”, diz o consultor.
Segundo levantamento da Geagro relativo à safra 2019/2020, as fazendas que fazem monta de 65 dias tiveram GMDg (ganho médio diário global) de 421 g/cab, ante 392 g daquelas que adotam monta de 100 a 150 dias. Registraram maior desembolso por animal/mês, porém seu custo por arroba produzida foi menor (veja tabela abaixo).
“Isso ocorreu porque elas conseguiram antecipar descartes, diminuir custos fixos e maximizar o lucro por arroba, obtendo margem líquida de 15% na última safra, ante 10% das demais fazendas de ciclo completo do benchmarking Inttegra”, informa o técnico.
Leia este e outros conteúdos exclusivos da DBO, sendo nosso assinante.
Seja assinante e aproveite os conteúdos exclusivos da DBO
Duas fazendas de ciclo completo nos rincões de Mato Grosso: a Mata Verde, em Terra Nova do Norte, no bioma amazônico, e a Santa Rita da Aldeia, em Porto Estrela, às margens do Pantanal. Apesar de estarem a 600 km de distância uma da outra, elas têm algo em comum: bons números. São top rentáveis no benchmarking do Instituto de Métricas Agropecuárias (Inttegra) e têm obtido resultados acima de R$ 1.500 líquidos/ha em 2020/21.
Uma das razões desse sucesso é a estação de monta curta. Há quem trabalhe com apenas 45 dias (casos muito específicos), porém a meta mais indicada e considerada acessível à maioria das propriedades de cria é 64 dias. Foi justamente esta a escolha das Fazendas Mata Verde e Santa Rita da Aldeia, que hoje funcionam como verdadeiras “fábricas” de animais de alta performance reprodutiva.
Antônio Chaker, coordenador Inttegra.
“Precisamos olhar o processo de uma perspectiva inversa, rebobinando etapas, do boi gordo à reprodução. Para termos um animal de 20@ aos 20 meses, terminado a pasto, é fundamental trabalhar com monta curta. Ela deve ser o motor da fábrica de carne”, explica Antônio Chaker, coordenador do Inttegra.
Ele lembra que a maioria das propriedades brasileiras não tem estação de monta definida. E aquelas que têm trabalham com períodos de 100 a 120 dias. Muita gente, inclusive, acredita que somente pequenas propriedades conseguem fazer estação curta, o que é um erro. As fazendas Mata Verde e Santa Rita da Aldeia fazem inseminação artificial em tempo fixo (IATF) de 1.000 a 2.000 matrizes em 64 dias, obtendo de 800 a 1.300 nascimentos/ano.
Como conseguem esse feito? Trabalhando cada segmento produtivo (cria, recria e engorda) de forma setorizada, caprichando na nutrição dos animais, usando boas métricas, planejando atividades e, acima de tudo, conhecendo o perfil da fazenda para implementação correta da tecnologia de IATF.
Mas, por que 64 dias?
Apesar de não haver definição sobre o tamanho ideal de uma estação de monta curta, Leonardo Souza, diretor do Programa Nelore Qualitas, com 56 fazendas associadas, preconizou, durante muito tempo, um período de 70 dias, para que, somados aos 295 dias de gestação, cada matriz tivesse um bezerro por ano.
Logo, porém, constatou que algumas vacas demoram até 300 dias para parir, então, passou a recomendar 64 dias, que garante uma distribuição de nascimentos concentrada e dentro do próprio ano. Nas estações mais longas (120 dias), tem-se até cinco meses de parições.
Leonardo Souza, diretor do Nelore Qualitas.
As Fazendas Mata Verde e Santa Rita da Aldeia já consolidaram a estação de 64 dias e outras três fazendas estão iniciando esse processo, dentre elas a São Miguel do Arcanjo. Souza ressalta, contudo, que o encurtamento deve ser gradual, para não comprometer os índices zootécnicos do rebanho, nem levar ao descarte de animais com alto potencial produtivo ou de genética superior.
Na Mata Verde, por exemplo, foram necessárias sete safras para “cravar” 64 dias. “É um processo de construção”, diz o diretor do Qualitas, garantindo: “Quem tem foco, tem processo. E a base, em termos de processo, numa fazenda com cria, é a estação de monta”.
Josinaldo Zanotti, gestor da Geagro Soluções Gerenciais, empresa franqueada do Inttegra, concorda. Quando desembarcou no Mato Grosso, em 2015, vindo do Paraná, ele se deparou com um cenário desafiador: propriedades de cria ou ciclo completo bem estruturadas, mas que não conseguiam bons resultados financeiros, porque não percebiam o impacto negativo da estação de monta longa sobre seu negócio.
Segundo o zootecnista, embora o encurtamento desse período gere dificuldades operacionais, ganha-se em rentabilidade. Na safra 2019/2020, as Fazendas Monte Verde e Santa Rita, que ele acompanha, entregaram uma média de 130 kg de bezerro desmamado por vaca exposta, com 70% de desmame.
Zanotti observa que, no início, pode haver um recuo nos índices reprodutivos, mas depois passa-se a trabalhar com as chamadas “precocinhas” (novilhas que emprenham entre 12-14 meses de idade), peças fundamentais para a pecuária de ciclo curto. “Nenhuma outra categoria garante tamanho retorno produtivo quanto elas, pois, além dos bezerros que fornecem, também incluem, no estoque global da fazenda, os quilos que ganham enquanto se desenvolvem”, diz o consultor.
Segundo levantamento da Geagro relativo à safra 2019/2020, as fazendas que fazem monta de 65 dias tiveram GMDg (ganho médio diário global) de 421 g/cab, ante 392 g daquelas que adotam monta de 100 a 150 dias. Registraram maior desembolso por animal/mês, porém seu custo por arroba produzida foi menor (veja tabela abaixo).
“Isso ocorreu porque elas conseguiram antecipar descartes, diminuir custos fixos e maximizar o lucro por arroba, obtendo margem líquida de 15% na última safra, ante 10% das demais fazendas de ciclo completo do benchmarking Inttegra”, informa o técnico.
Leia este e outros conteúdos exclusivos da DBO, sendo nosso assinante.
Seja assinante e aproveite os conteúdos exclusivos da DBO
Duas fazendas de ciclo completo nos rincões de Mato Grosso: a Mata Verde, em Terra Nova do Norte, no bioma amazônico, e a Santa Rita da Aldeia, em Porto Estrela, às margens do Pantanal. Apesar de estarem a 600 km de distância uma da outra, elas têm algo em comum: bons números. São top rentáveis no benchmarking do Instituto de Métricas Agropecuárias (Inttegra) e têm obtido resultados acima de R$ 1.500 líquidos/ha em 2020/21.
Uma das razões desse sucesso é a estação de monta curta. Há quem trabalhe com apenas 45 dias (casos muito específicos), porém a meta mais indicada e considerada acessível à maioria das propriedades de cria é 64 dias. Foi justamente esta a escolha das Fazendas Mata Verde e Santa Rita da Aldeia, que hoje funcionam como verdadeiras “fábricas” de animais de alta performance reprodutiva.
Antônio Chaker, coordenador Inttegra.
“Precisamos olhar o processo de uma perspectiva inversa, rebobinando etapas, do boi gordo à reprodução. Para termos um animal de 20@ aos 20 meses, terminado a pasto, é fundamental trabalhar com monta curta. Ela deve ser o motor da fábrica de carne”, explica Antônio Chaker, coordenador do Inttegra.
Ele lembra que a maioria das propriedades brasileiras não tem estação de monta definida. E aquelas que têm trabalham com períodos de 100 a 120 dias. Muita gente, inclusive, acredita que somente pequenas propriedades conseguem fazer estação curta, o que é um erro. As fazendas Mata Verde e Santa Rita da Aldeia fazem inseminação artificial em tempo fixo (IATF) de 1.000 a 2.000 matrizes em 64 dias, obtendo de 800 a 1.300 nascimentos/ano.
Como conseguem esse feito? Trabalhando cada segmento produtivo (cria, recria e engorda) de forma setorizada, caprichando na nutrição dos animais, usando boas métricas, planejando atividades e, acima de tudo, conhecendo o perfil da fazenda para implementação correta da tecnologia de IATF.
Mas, por que 64 dias?
Apesar de não haver definição sobre o tamanho ideal de uma estação de monta curta, Leonardo Souza, diretor do Programa Nelore Qualitas, com 56 fazendas associadas, preconizou, durante muito tempo, um período de 70 dias, para que, somados aos 295 dias de gestação, cada matriz tivesse um bezerro por ano.
Logo, porém, constatou que algumas vacas demoram até 300 dias para parir, então, passou a recomendar 64 dias, que garante uma distribuição de nascimentos concentrada e dentro do próprio ano. Nas estações mais longas (120 dias), tem-se até cinco meses de parições.
Leonardo Souza, diretor do Nelore Qualitas.
As Fazendas Mata Verde e Santa Rita da Aldeia já consolidaram a estação de 64 dias e outras três fazendas estão iniciando esse processo, dentre elas a São Miguel do Arcanjo. Souza ressalta, contudo, que o encurtamento deve ser gradual, para não comprometer os índices zootécnicos do rebanho, nem levar ao descarte de animais com alto potencial produtivo ou de genética superior.
Na Mata Verde, por exemplo, foram necessárias sete safras para “cravar” 64 dias. “É um processo de construção”, diz o diretor do Qualitas, garantindo: “Quem tem foco, tem processo. E a base, em termos de processo, numa fazenda com cria, é a estação de monta”.
Josinaldo Zanotti, gestor da Geagro Soluções Gerenciais, empresa franqueada do Inttegra, concorda. Quando desembarcou no Mato Grosso, em 2015, vindo do Paraná, ele se deparou com um cenário desafiador: propriedades de cria ou ciclo completo bem estruturadas, mas que não conseguiam bons resultados financeiros, porque não percebiam o impacto negativo da estação de monta longa sobre seu negócio.
Segundo o zootecnista, embora o encurtamento desse período gere dificuldades operacionais, ganha-se em rentabilidade. Na safra 2019/2020, as Fazendas Monte Verde e Santa Rita, que ele acompanha, entregaram uma média de 130 kg de bezerro desmamado por vaca exposta, com 70% de desmame.
Zanotti observa que, no início, pode haver um recuo nos índices reprodutivos, mas depois passa-se a trabalhar com as chamadas “precocinhas” (novilhas que emprenham entre 12-14 meses de idade), peças fundamentais para a pecuária de ciclo curto. “Nenhuma outra categoria garante tamanho retorno produtivo quanto elas, pois, além dos bezerros que fornecem, também incluem, no estoque global da fazenda, os quilos que ganham enquanto se desenvolvem”, diz o consultor.
Segundo levantamento da Geagro relativo à safra 2019/2020, as fazendas que fazem monta de 65 dias tiveram GMDg (ganho médio diário global) de 421 g/cab, ante 392 g daquelas que adotam monta de 100 a 150 dias. Registraram maior desembolso por animal/mês, porém seu custo por arroba produzida foi menor (veja tabela abaixo).
“Isso ocorreu porque elas conseguiram antecipar descartes, diminuir custos fixos e maximizar o lucro por arroba, obtendo margem líquida de 15% na última safra, ante 10% das demais fazendas de ciclo completo do benchmarking Inttegra”, informa o técnico.
Leia este e outros conteúdos exclusivos da DBO, sendo nosso assinante.
Seja assinante e aproveite os conteúdos exclusivos da DBO
Duas fazendas de ciclo completo nos rincões de Mato Grosso: a Mata Verde, em Terra Nova do Norte, no bioma amazônico, e a Santa Rita da Aldeia, em Porto Estrela, às margens do Pantanal. Apesar de estarem a 600 km de distância uma da outra, elas têm algo em comum: bons números. São top rentáveis no benchmarking do Instituto de Métricas Agropecuárias (Inttegra) e têm obtido resultados acima de R$ 1.500 líquidos/ha em 2020/21.
Uma das razões desse sucesso é a estação de monta curta. Há quem trabalhe com apenas 45 dias (casos muito específicos), porém a meta mais indicada e considerada acessível à maioria das propriedades de cria é 64 dias. Foi justamente esta a escolha das Fazendas Mata Verde e Santa Rita da Aldeia, que hoje funcionam como verdadeiras “fábricas” de animais de alta performance reprodutiva.
Antônio Chaker, coordenador Inttegra.
“Precisamos olhar o processo de uma perspectiva inversa, rebobinando etapas, do boi gordo à reprodução. Para termos um animal de 20@ aos 20 meses, terminado a pasto, é fundamental trabalhar com monta curta. Ela deve ser o motor da fábrica de carne”, explica Antônio Chaker, coordenador do Inttegra.
Ele lembra que a maioria das propriedades brasileiras não tem estação de monta definida. E aquelas que têm trabalham com períodos de 100 a 120 dias. Muita gente, inclusive, acredita que somente pequenas propriedades conseguem fazer estação curta, o que é um erro. As fazendas Mata Verde e Santa Rita da Aldeia fazem inseminação artificial em tempo fixo (IATF) de 1.000 a 2.000 matrizes em 64 dias, obtendo de 800 a 1.300 nascimentos/ano.
Como conseguem esse feito? Trabalhando cada segmento produtivo (cria, recria e engorda) de forma setorizada, caprichando na nutrição dos animais, usando boas métricas, planejando atividades e, acima de tudo, conhecendo o perfil da fazenda para implementação correta da tecnologia de IATF.
Mas, por que 64 dias?
Apesar de não haver definição sobre o tamanho ideal de uma estação de monta curta, Leonardo Souza, diretor do Programa Nelore Qualitas, com 56 fazendas associadas, preconizou, durante muito tempo, um período de 70 dias, para que, somados aos 295 dias de gestação, cada matriz tivesse um bezerro por ano.
Logo, porém, constatou que algumas vacas demoram até 300 dias para parir, então, passou a recomendar 64 dias, que garante uma distribuição de nascimentos concentrada e dentro do próprio ano. Nas estações mais longas (120 dias), tem-se até cinco meses de parições.
Leonardo Souza, diretor do Nelore Qualitas.
As Fazendas Mata Verde e Santa Rita da Aldeia já consolidaram a estação de 64 dias e outras três fazendas estão iniciando esse processo, dentre elas a São Miguel do Arcanjo. Souza ressalta, contudo, que o encurtamento deve ser gradual, para não comprometer os índices zootécnicos do rebanho, nem levar ao descarte de animais com alto potencial produtivo ou de genética superior.
Na Mata Verde, por exemplo, foram necessárias sete safras para “cravar” 64 dias. “É um processo de construção”, diz o diretor do Qualitas, garantindo: “Quem tem foco, tem processo. E a base, em termos de processo, numa fazenda com cria, é a estação de monta”.
Josinaldo Zanotti, gestor da Geagro Soluções Gerenciais, empresa franqueada do Inttegra, concorda. Quando desembarcou no Mato Grosso, em 2015, vindo do Paraná, ele se deparou com um cenário desafiador: propriedades de cria ou ciclo completo bem estruturadas, mas que não conseguiam bons resultados financeiros, porque não percebiam o impacto negativo da estação de monta longa sobre seu negócio.
Segundo o zootecnista, embora o encurtamento desse período gere dificuldades operacionais, ganha-se em rentabilidade. Na safra 2019/2020, as Fazendas Monte Verde e Santa Rita, que ele acompanha, entregaram uma média de 130 kg de bezerro desmamado por vaca exposta, com 70% de desmame.
Zanotti observa que, no início, pode haver um recuo nos índices reprodutivos, mas depois passa-se a trabalhar com as chamadas “precocinhas” (novilhas que emprenham entre 12-14 meses de idade), peças fundamentais para a pecuária de ciclo curto. “Nenhuma outra categoria garante tamanho retorno produtivo quanto elas, pois, além dos bezerros que fornecem, também incluem, no estoque global da fazenda, os quilos que ganham enquanto se desenvolvem”, diz o consultor.
Segundo levantamento da Geagro relativo à safra 2019/2020, as fazendas que fazem monta de 65 dias tiveram GMDg (ganho médio diário global) de 421 g/cab, ante 392 g daquelas que adotam monta de 100 a 150 dias. Registraram maior desembolso por animal/mês, porém seu custo por arroba produzida foi menor (veja tabela abaixo).
“Isso ocorreu porque elas conseguiram antecipar descartes, diminuir custos fixos e maximizar o lucro por arroba, obtendo margem líquida de 15% na última safra, ante 10% das demais fazendas de ciclo completo do benchmarking Inttegra”, informa o técnico.
Leia este e outros conteúdos exclusivos da DBO, sendo nosso assinante.
Seja assinante e aproveite os conteúdos exclusivos da DBO
Duas fazendas de ciclo completo nos rincões de Mato Grosso: a Mata Verde, em Terra Nova do Norte, no bioma amazônico, e a Santa Rita da Aldeia, em Porto Estrela, às margens do Pantanal. Apesar de estarem a 600 km de distância uma da outra, elas têm algo em comum: bons números. São top rentáveis no benchmarking do Instituto de Métricas Agropecuárias (Inttegra) e têm obtido resultados acima de R$ 1.500 líquidos/ha em 2020/21.
Uma das razões desse sucesso é a estação de monta curta. Há quem trabalhe com apenas 45 dias (casos muito específicos), porém a meta mais indicada e considerada acessível à maioria das propriedades de cria é 64 dias. Foi justamente esta a escolha das Fazendas Mata Verde e Santa Rita da Aldeia, que hoje funcionam como verdadeiras “fábricas” de animais de alta performance reprodutiva.
Antônio Chaker, coordenador Inttegra.
“Precisamos olhar o processo de uma perspectiva inversa, rebobinando etapas, do boi gordo à reprodução. Para termos um animal de 20@ aos 20 meses, terminado a pasto, é fundamental trabalhar com monta curta. Ela deve ser o motor da fábrica de carne”, explica Antônio Chaker, coordenador do Inttegra.
Ele lembra que a maioria das propriedades brasileiras não tem estação de monta definida. E aquelas que têm trabalham com períodos de 100 a 120 dias. Muita gente, inclusive, acredita que somente pequenas propriedades conseguem fazer estação curta, o que é um erro. As fazendas Mata Verde e Santa Rita da Aldeia fazem inseminação artificial em tempo fixo (IATF) de 1.000 a 2.000 matrizes em 64 dias, obtendo de 800 a 1.300 nascimentos/ano.
Como conseguem esse feito? Trabalhando cada segmento produtivo (cria, recria e engorda) de forma setorizada, caprichando na nutrição dos animais, usando boas métricas, planejando atividades e, acima de tudo, conhecendo o perfil da fazenda para implementação correta da tecnologia de IATF.
Mas, por que 64 dias?
Apesar de não haver definição sobre o tamanho ideal de uma estação de monta curta, Leonardo Souza, diretor do Programa Nelore Qualitas, com 56 fazendas associadas, preconizou, durante muito tempo, um período de 70 dias, para que, somados aos 295 dias de gestação, cada matriz tivesse um bezerro por ano.
Logo, porém, constatou que algumas vacas demoram até 300 dias para parir, então, passou a recomendar 64 dias, que garante uma distribuição de nascimentos concentrada e dentro do próprio ano. Nas estações mais longas (120 dias), tem-se até cinco meses de parições.
Leonardo Souza, diretor do Nelore Qualitas.
As Fazendas Mata Verde e Santa Rita da Aldeia já consolidaram a estação de 64 dias e outras três fazendas estão iniciando esse processo, dentre elas a São Miguel do Arcanjo. Souza ressalta, contudo, que o encurtamento deve ser gradual, para não comprometer os índices zootécnicos do rebanho, nem levar ao descarte de animais com alto potencial produtivo ou de genética superior.
Na Mata Verde, por exemplo, foram necessárias sete safras para “cravar” 64 dias. “É um processo de construção”, diz o diretor do Qualitas, garantindo: “Quem tem foco, tem processo. E a base, em termos de processo, numa fazenda com cria, é a estação de monta”.
Josinaldo Zanotti, gestor da Geagro Soluções Gerenciais, empresa franqueada do Inttegra, concorda. Quando desembarcou no Mato Grosso, em 2015, vindo do Paraná, ele se deparou com um cenário desafiador: propriedades de cria ou ciclo completo bem estruturadas, mas que não conseguiam bons resultados financeiros, porque não percebiam o impacto negativo da estação de monta longa sobre seu negócio.
Segundo o zootecnista, embora o encurtamento desse período gere dificuldades operacionais, ganha-se em rentabilidade. Na safra 2019/2020, as Fazendas Monte Verde e Santa Rita, que ele acompanha, entregaram uma média de 130 kg de bezerro desmamado por vaca exposta, com 70% de desmame.
Zanotti observa que, no início, pode haver um recuo nos índices reprodutivos, mas depois passa-se a trabalhar com as chamadas “precocinhas” (novilhas que emprenham entre 12-14 meses de idade), peças fundamentais para a pecuária de ciclo curto. “Nenhuma outra categoria garante tamanho retorno produtivo quanto elas, pois, além dos bezerros que fornecem, também incluem, no estoque global da fazenda, os quilos que ganham enquanto se desenvolvem”, diz o consultor.
Segundo levantamento da Geagro relativo à safra 2019/2020, as fazendas que fazem monta de 65 dias tiveram GMDg (ganho médio diário global) de 421 g/cab, ante 392 g daquelas que adotam monta de 100 a 150 dias. Registraram maior desembolso por animal/mês, porém seu custo por arroba produzida foi menor (veja tabela abaixo).
“Isso ocorreu porque elas conseguiram antecipar descartes, diminuir custos fixos e maximizar o lucro por arroba, obtendo margem líquida de 15% na última safra, ante 10% das demais fazendas de ciclo completo do benchmarking Inttegra”, informa o técnico.
Leia este e outros conteúdos exclusivos da DBO, sendo nosso assinante.
Seja assinante e aproveite os conteúdos exclusivos da DBO
Duas fazendas de ciclo completo nos rincões de Mato Grosso: a Mata Verde, em Terra Nova do Norte, no bioma amazônico, e a Santa Rita da Aldeia, em Porto Estrela, às margens do Pantanal. Apesar de estarem a 600 km de distância uma da outra, elas têm algo em comum: bons números. São top rentáveis no benchmarking do Instituto de Métricas Agropecuárias (Inttegra) e têm obtido resultados acima de R$ 1.500 líquidos/ha em 2020/21.
Uma das razões desse sucesso é a estação de monta curta. Há quem trabalhe com apenas 45 dias (casos muito específicos), porém a meta mais indicada e considerada acessível à maioria das propriedades de cria é 64 dias. Foi justamente esta a escolha das Fazendas Mata Verde e Santa Rita da Aldeia, que hoje funcionam como verdadeiras “fábricas” de animais de alta performance reprodutiva.
Antônio Chaker, coordenador Inttegra.
“Precisamos olhar o processo de uma perspectiva inversa, rebobinando etapas, do boi gordo à reprodução. Para termos um animal de 20@ aos 20 meses, terminado a pasto, é fundamental trabalhar com monta curta. Ela deve ser o motor da fábrica de carne”, explica Antônio Chaker, coordenador do Inttegra.
Ele lembra que a maioria das propriedades brasileiras não tem estação de monta definida. E aquelas que têm trabalham com períodos de 100 a 120 dias. Muita gente, inclusive, acredita que somente pequenas propriedades conseguem fazer estação curta, o que é um erro. As fazendas Mata Verde e Santa Rita da Aldeia fazem inseminação artificial em tempo fixo (IATF) de 1.000 a 2.000 matrizes em 64 dias, obtendo de 800 a 1.300 nascimentos/ano.
Como conseguem esse feito? Trabalhando cada segmento produtivo (cria, recria e engorda) de forma setorizada, caprichando na nutrição dos animais, usando boas métricas, planejando atividades e, acima de tudo, conhecendo o perfil da fazenda para implementação correta da tecnologia de IATF.
Mas, por que 64 dias?
Apesar de não haver definição sobre o tamanho ideal de uma estação de monta curta, Leonardo Souza, diretor do Programa Nelore Qualitas, com 56 fazendas associadas, preconizou, durante muito tempo, um período de 70 dias, para que, somados aos 295 dias de gestação, cada matriz tivesse um bezerro por ano.
Logo, porém, constatou que algumas vacas demoram até 300 dias para parir, então, passou a recomendar 64 dias, que garante uma distribuição de nascimentos concentrada e dentro do próprio ano. Nas estações mais longas (120 dias), tem-se até cinco meses de parições.
Leonardo Souza, diretor do Nelore Qualitas.
As Fazendas Mata Verde e Santa Rita da Aldeia já consolidaram a estação de 64 dias e outras três fazendas estão iniciando esse processo, dentre elas a São Miguel do Arcanjo. Souza ressalta, contudo, que o encurtamento deve ser gradual, para não comprometer os índices zootécnicos do rebanho, nem levar ao descarte de animais com alto potencial produtivo ou de genética superior.
Na Mata Verde, por exemplo, foram necessárias sete safras para “cravar” 64 dias. “É um processo de construção”, diz o diretor do Qualitas, garantindo: “Quem tem foco, tem processo. E a base, em termos de processo, numa fazenda com cria, é a estação de monta”.
Josinaldo Zanotti, gestor da Geagro Soluções Gerenciais, empresa franqueada do Inttegra, concorda. Quando desembarcou no Mato Grosso, em 2015, vindo do Paraná, ele se deparou com um cenário desafiador: propriedades de cria ou ciclo completo bem estruturadas, mas que não conseguiam bons resultados financeiros, porque não percebiam o impacto negativo da estação de monta longa sobre seu negócio.
Segundo o zootecnista, embora o encurtamento desse período gere dificuldades operacionais, ganha-se em rentabilidade. Na safra 2019/2020, as Fazendas Monte Verde e Santa Rita, que ele acompanha, entregaram uma média de 130 kg de bezerro desmamado por vaca exposta, com 70% de desmame.
Zanotti observa que, no início, pode haver um recuo nos índices reprodutivos, mas depois passa-se a trabalhar com as chamadas “precocinhas” (novilhas que emprenham entre 12-14 meses de idade), peças fundamentais para a pecuária de ciclo curto. “Nenhuma outra categoria garante tamanho retorno produtivo quanto elas, pois, além dos bezerros que fornecem, também incluem, no estoque global da fazenda, os quilos que ganham enquanto se desenvolvem”, diz o consultor.
Segundo levantamento da Geagro relativo à safra 2019/2020, as fazendas que fazem monta de 65 dias tiveram GMDg (ganho médio diário global) de 421 g/cab, ante 392 g daquelas que adotam monta de 100 a 150 dias. Registraram maior desembolso por animal/mês, porém seu custo por arroba produzida foi menor (veja tabela abaixo).
“Isso ocorreu porque elas conseguiram antecipar descartes, diminuir custos fixos e maximizar o lucro por arroba, obtendo margem líquida de 15% na última safra, ante 10% das demais fazendas de ciclo completo do benchmarking Inttegra”, informa o técnico.
Leia este e outros conteúdos exclusivos da DBO, sendo nosso assinante.
Seja assinante e aproveite os conteúdos exclusivos da DBO
Nós utilizamos cookies para melhorar a sua experiência de navegação de acordo com a nossa Política de Cookies. Você poderá aceitar, rejeitar ou definir as suas preferências clicando em uma das opções.
Este site usa cookies para melhorar a sua experiência enquanto navega pelo site. Destes, os cookies que são categorizados como necessários são armazenados no seu navegador, pois são essenciais para o funcionamento das funcionalidades básicas do site. Também usamos cookies de terceiros que nos ajudam a analisar e entender como você usa este site. Esses cookies serão armazenados em seu navegador apenas com o seu consentimento. Você também tem a opção de cancelar esses cookies. Porém, a desativação de alguns desses cookies pode afetar sua experiência de navegação.
Os cookies funcionais ajudam a realizar certas funcionalidades, como compartilhar o conteúdo do site em plataformas de mídia social, coletar feedbacks e outros recursos de terceiros.
Os cookies de desempenho são usados para entender e analisar os principais índices de desempenho do site, o que ajuda a fornecer uma melhor experiência do usuário para os visitantes.
Cookies analíticos são usados para entender como os visitantes interagem com o site. Esses cookies ajudam a fornecer informações sobre as métricas do número de visitantes, taxa de rejeição, origem do tráfego, etc.
Os cookies de publicidade são usados para fornecer aos visitantes anúncios e campanhas de marketing relevantes. Esses cookies rastreiam os visitantes em sites e coletam informações para fornecer anúncios personalizados.
Os cookies necessários são absolutamente essenciais para o funcionamento adequado do site. Esses cookies garantem funcionalidades básicas e recursos de segurança do site, de forma anônima.