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Fazenda pioneira no sistema “green lot” conquista selo de baixo carbono

Localizada em São Sepé (RS), a Fazenda Pulquéria integra o Programa Renove da Minerva Foods, que reúne 31 propriedades certificadas por boas práticas de sustentabilidade.
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Fernando Costaber (de camisa polo azul) e a filha, Fernanda, recebem o certificado do Programa Renove da equipe do Minerva Foods (Foto: Maristela Franco)

A Fazenda Pulquéria, em São Sepé (RS) — uma das propriedades mais intensificadas do Estado, reconhecida pela qualidade dos bovinos que produz — recebeu, no dia 1º de dezembro, seu certificado do Programa Renove, criado em 2021, pela Minerva Foods, para fomentar a pecuária de baixo carbono. O certificado foi emitido pela Food Chain ID e referenda as boas práticas de produção da fazenda, especializada em terminação intensiva a pasto (TIP), sistema que seu proprietário, Fernando Costabeber, prefere chamar de green lot (confinamento a pasto).

A Pulquéria é pioneira no uso de cochos de “autoconsumo”, que possuem um reservatório na parte de cima e recipientes para ração na parte de baixo (veja foto). Esse sistema inovador foi desenvolvido pela própria fazenda há 20 anos e permite fazer apenas tratos semanais, economizando combustível e mão de obra.

“Cochos de autoconsumo desenvolvidos pela Fazenda Pulquéria”: na parte de cima fica o reservatório de ração e na de baixo o comedouro (Foto: Maristela Franco)

Em 2025, os 1.400 ha de pastagens da Pulquéria sustentaram um rebanho médio de 10.400 machos. Adquiridos à desmama, eles são arraçoados por 12 meses, na proporção de 1,5% a 2% do peso vivo, dependendo de sua idade e época do ano.

Segundo Fernando Costabeber — que administra a fazenda junto com sua filha, Fernanda, e o genro, André — o convite para participar do Renove é um reconhecimento às práticas sustentáveis da fazenda.

“Temos por princípio cuidar do meio ambiente. Todas as áreas com vegetação nativa são cercadas e preservadas. Nossos funcionários têm bons alojamentos, com internet e ar condicionado. O bem-estar dos animais também é garantido, porque eles podem expressar seu comportamento natural a pasto, com ração à vontade no cocho. Não fazemos marcação a fogo e castramos somente com anestesia”, enumera o produtor.

A Fazenda Pulquéria engorda animais de genética europeia, principalmente cruzados Angus, Hereford e Charolês (Foto: Divulgação)

Desafio do Net Zero

O Programa Renove é a principal ferramenta da Minerva Foods para reduzir suas emissões de gases de efeito-estufa no chamado Escopo 3 (cadeia de fornecimento), que inclui as fazendas de gado. “A indústria frigorífica responde por apenas 2% do CO2 emitido, os outros 98% vêm da produção de nossa matéria prima [o boi], com todos os insumos que ela demanda”, informa Marta Giannichi, diretora global de sustentabilidade da Minerva Foods.

A companhia já neutralizou suas emissões no Escopo 2 (matriz energética) e avançou bastante no Escopo 1 (produção industrial), mas ainda precisa trabalhar muito junto aos pecuaristas (Escopo 3) para atingir o status Net Zero até 2035, conforme compromisso assumido publicamente.

O Renove conta, hoje, com 145 participantes: 108 do Uruguai, 6 do Paraguai e 31 do Brasil. Destes últimos, oito são do Rio Grande do Sul, um Estado com grande potencial para participação no Renove, em função de seu sistema de produção a pasto e quase nenhum problema de desmatamento. Em 2026, o Renove será iniciado também na Argentina. A meta é que pelo menos 50% dos animais abatidos pela Minerva venham de fazendas certificadas pelo programa até 2030.

Como funciona

Segundo Marta Giannichi, o primeiro requisito para participar do programa é atender à política de compras da empresa (ser livre de trabalho análogo à escravidão, não ter embargos ambientais, nem sobreposição com terras indígenas ou quilombolas).

O segundo requisito é comprovar desmatamento zero nos últimos 10 anos (legal ou ilegal). O terceiro é assumir o compromisso de não converter áreas de vegetação nativa no futuro e usar boas práticas regenerativas de uso do solo.

Feita esta verificação inicial, começa a etapa de coleta de dados para cálculo das emissões, como o uso da terra; tipo de bovino criado (raça, idade, sexo); sistema de produção; gestão do esterco (em caso de confinamento); gastos com combustível, energia, fertilizantes e pesticidas; práticas de manejo dos animais; uso de técnicas de conservação do solo, dentre outras coisas. Com base nessas informações, a certificadora faz o cálculo das emissões da propriedade.

Novilho com brinco do Sisbov sendo embarcado para abate na planta do Minerva (Foto: Maristela Franco)

Conforme explica Marta, para obter a Certificação Baixo Carbono do Renove, a fazenda deve apresentar emissões no mínimo 20% abaixo da média do benchmark nacional. Essa média (expressa em kg de CO2 equivalente por unidade animal) foi estabelecida com base em metodologia adotada pela Food Chain ID, que considera referências de Tier 1 (dados genéricos da FAO para cada país) e Tier 2 (levantamentos nacionais reportados em BTRs – relatórios bienais de transparência). As medições nas fazendas estão alinhadas ao GHG Protocol para Agricultura e Pecuária (WRI, 2015) e às Diretrizes do IPCC (2019).

Orientações

Os produtores participantes do programa recebem orientação técnica sobre boas práticas sustentáveis e são estimulados a manter um plano contínuo de redução de emissões, por meio da melhoria no manejo das pastagens, adoção de protocolos nutricionais mais eficientes, melhoria do rebanho etc. Os produtores também têm acesso a linhas de crédito de instituições financeiras parceiras do programa, que garantem condições diferenciadas a projetos pecuários sustentáveis.

No caso da Pulquéria, que já possui um sistema bastante intensivo, a equipe técnica do programa recomendou dar atenção especial ao manejo do solo. “Estamos reforçando nossas curvas de nível nas pastagens para prevenir problemas de erosão, que são frequentes em nossa região”, informa Fernanda Costabeber.

Vista do piquete de terminação intensiva a pasto, que registra altas lotações (Foto: Maristela Franco)

Segundo a Minerva Foods, um estudo realizado por uma consultoria especializada sobre o retorno dos investimentos em práticas sustentáveis nas fazendas do Renove mostrou que o aumento no ganho de peso, por exemplo, pode elevar a produtividade entre 160% e 915%, dependendo do sistema de produção, podendo gerar incremento de 500% a 1.700% na renda operacional líquida por hectare. O peso médio de abate nas fazendas participantes do programa é 12,5% superior ao da média da Minerva e a idade, dois meses menor.

Veja informações completas sobre o sistema de produção da Fazenda Pulquéria na edição de março de 2026 da Revista DBO.

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