Tem sido grande o aumento do abate de novilhas. Na média nacional, o crescimento de 2023 para 2024 foi de 25,5%; de 2022 para 2023, havia sido de 34,5% e, no ciclo anterior, de 20%, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Mesmo com o volume desses animais aumentando, a “demanda China” por animais jovens tem favorecido os seus preços, apontam os analistas do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP).
A diferença negativa (deságio) em relação ao preço do boi tem diminuído nos últimos anos. No estado de São Paulo, por exemplo, a diferença média entre os preços de fêmeas (vacas e novilhas) e do boi em 2022 era de quase 24 Reais/arroba; em 2024, esteve na casa dos 19 Reais e, em 2025, está abaixo de 18 Reais.
Na média Brasil, as novilhas representam cerca de 13,5% de todos os abates no ano passado – dados do IBGE. Ao serem consideradas novilhas e vacas, o grupo respondeu por quase 43% dos animais abatidos.
Os analistas do centro de estudos da USP ressaltam que foi o segundo ano consecutivo em que o número de novilhas abatidas aumentou em cerca de um milhão no comparativo com o ano anterior – de 2022 para 2023 e novamente de 2023 para 2024. No agregado fêmeas, cerca de 2,8 milhões de potenciais matrizes foram tiradas do rebanho brasileiro em 2024 e outras 2,9 milhões no ano anterior.
“O segmento de cria vem tendo ganhos importantes de produtividade, mas a intensidade dos abates de fêmeas vai se refletir, em alguma medida, na produção de curto prazo”, observam os analistas do Cepea.
Analisando-se os principais estados produtores e também confinadores, a evolução dos números de Mato Grosso chamam muito a atenção, destaca o Cepea. No estado, o abate total cresceu 26% em 2023 e 19% em 2024, saindo de cerca de 4,7 milhões de bovinos em 2022 para 7,09 milhões em 2024. Nestes dois anos, o aumento do abate de fêmeas (vaca e novilha) foi ainda maior, de 44% em 2023 e de 24% em 2024. A categoria novilho impressiona ainda mais: os abates no estado saem de aproximadamente 19,5 mil em 2023 para 177,45 mil em 2024.
Outros estados
Já no estado de SP, informa o Cepea, as fêmeas tiveram participação de apenas 30% no total abatido em 2024. Novilhas, especificamente, foram 13,3% dos abates paulistas. Mas, também nesse estado – o segundo maior confinador -, o abate de novilha vem crescendo: aumentou 25% em 2023 e 17,6% em 2024, em comparação como o ano anterior.
Em Minas Gerais, a categoria novilha saltou 80% em 2024 e a de vacas, 43%. Com isso, fêmeas passaram a representar 35,6% do abate estadual. Em Goiás, a participação das novilhas se elevou em 13,4% no último ano; a de vacas, 6,5%. Juntas, foram quase 43% dos abates goianos.
Em Mato Grosso do Sul, o número de novilhas abatidas foi 16,5% maior em 2024; vaca aumentou apenas 0,5% e fêmeas preencheram 45,5% das escalas no ano passado.
Quanto ao peso, na média Brasil, as novilhas se mantiveram estáveis e novilhos tiveram aumento de 1,6%, ao passo que vacas e bois, numa grande nacional, pesaram 2% a menos.
Mercado do boi gordo
De acordo com o Cepea, as negociações dessa semana vêm sendo marcadas pela cautela de compradores que têm, aos poucos, concedido reajustes aos preços da arroba, mas atentos à estabilidade dos valores da carne no mercado atacadista.
“Pecuaristas estão bastante resistentes, pedem cotações maiores e mantêm baixa a oferta. Muitos frigoríficos estão com escalas de abate entre 5 e 7 dias. Nos levantamentos diários, não se constata recuos de preços. Com frequência, são vistos negócios com ajustes de 5 a 10 Reais por arroba”, informa o centro de estudos.
As exportações nesta parcial de março estão aquecidas. De acordo com dados da Secex, a média diária de embarques até a terceira semana do mês superava em 51% a de março/24; e os preços em Reais estavam 24% maiores.




