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Carne bovina: Trump “fala muito” da Austrália, mas entrega tarifa sem peso aos exportadores

Mesmo com taxa de 10%, proteína vermelha australiana continua com preços competitivos no mercado dos EUA, dizem os analistas à Reuters
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A indústria de carne bovina da Austrália está se sentindo aliviada, já que a tarifa de 10% imposta pelo governo Trump sobre os produtos do país não é suficiente para reduzir as exportações da proteína para os Estados Unidos, que atingiram níveis recordes, com média de US$ 275 milhões por mês (considerando os últimos seis meses até fevereiro/25), disseram fontes do setor à agência Reuters.

Quando Donald Trump anunciou, semana passada, tarifas sobre importações de um número impressionante de países, o presidente dos EUA fez uma menção especial à carne bovina australiana, recordou o texto da Reuters.

“Eles não querem nenhuma carne nossa”, disse ele sobre a Austrália, que impôs restrições às importações devido à ameaça da doença da vaca louca, interrompendo quase todos os embarques. “Eu não os culpo. Mas estamos fazendo a mesma coisa agora, começando à meia-noite de hoje”, acrescentou.

Segundo a reportagem, neste momento, as tarifas retaliatórias impostas pela China, juntamente com a decisão de Pequim de não renovar o registro local de centenas de unidades de processamento de carne bovina dos EUA, ameaçam as exportações da proteína norte-americana para a China, no valor de cerca de US$ 125 milhões por mês, dando à Austrália e outros países como Brasil, Argentina e Nova Zelândia uma oportunidade de aumentar seus embarques.

“Não estou tão estressado com 10%”, disse, à Reuters, Andrew McDonald, cujo Bindaree Food Group administra unidades de processamento de carne na Austrália e envia carne bovina para os Estados Unidos.

Ele afirmou que o anúncio da tarifa reativou o interesse na carne bovina australiana de compradores dos EUA, que haviam pausado os pedidos por semanas enquanto esperavam para ver como seria a ação tarifária de Trump, e que a demanda por carne bovina australiana na China estava aumentando. “É um bom resultado para a Austrália”, disse ele.

A reportagem da Reuters recorda que as importações de carne bovina dos EUA estão altas depois que anos de tempo seco reduziram o número de bovinos ao menor número desde a década de 1950, reduzindo a produção e aumentando os preços locais. “Analistas disseram que levará anos para a produção doméstica crescer”, destaca o texto.

A Austrália, com um rebanho aumentado pelo clima chuvoso, está com grande oferta e se tornou o principal exportador de carne bovina para os EUA, oferecendo preços mais baixos e cortes magros que os norte-americanos não têm.

A carne bovina magra importada da Austrália para os EUA custava em torno de US$ 3,12 a libra (ou quase meio quilo) antes da tarifa, disse o analista do Rabobank, Angus Gidley-Baird, segundo a Reuters.

A tarifa de 10% elevou o preço para US$ 3,43 a libra, ainda bem abaixo do produto local, cujo preço era em torno de US$ 3,80, disse ele.

“Embora os custos extras provavelmente sejam compartilhados pela cadeia de suprimentos, uma queda acentuada do dólar australiano em relação ao dólar norte-americano significa que os produtores da Austrália sentirão pouca dor”, relata o texto da Reuters, com base em declarações de analistas.

Uma moeda mais barata é um incentivo para os importadores dos EUA aumentarem as compras e significa que os vendedores australianos recebem mais moeda local por dólar americano que entra no país da Oceania, acrescentam.

Os únicos grandes exportadores de carne bovina que não estão sujeitos às tarifas dos EUA são Canadá e México, mas eles têm capacidade limitada de aumentar significativamente os embarques no curto prazo, disse, à Reuters, o analista do Commonwealth Bank, Dennis Voznesenski.

A China é o único grande comprador de carne bovina dos EUA a ter retaliado às tarifas de Trump, observa a reportagem. O país asiático é o terceiro maior importador de carne bovina norte-americano, depois da Coreia do Sul e do Japão, com os Estados Unidos respondendo por 10% de suas importações de carne bovina em valor.

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