Ao longo do tempo de duração do tarifaço (40%, além dos 10% e 26,4% anteriores, total de 76,4%) aplicado pelos EUA à carne bovina brasileira, a Austrália “nadou de braçada” no mercado norte-americano, pois, ao mesmo tempo, a proteína exportada pelo país da Oceania recebeu, do governo Trump, taxação de apenas 10%.
Agora, como destaca reportagem publicada pelo portal Beef Central, são os exportadores do Brasil que irão colher os melhores frutos da decisão recente de Washington de eliminar por completo as tarifas adicionais impostas à carne bovina importada.
Embora o Brasil ainda tenha que conviver com uma tarifa extra-cota de 26,4%, com a eliminação das taxas adicionais, a carne brasileira voltou a ser altamente competitiva no mercado norte-americano, superando de longe a proteína australiana, mais cara.
“A redução imediata das tarifas por Trump significa que grandes quantidades de carne bovina congelada brasileira, atualmente armazenadas em regime aduaneiro nos EUA até 1º de janeiro (quando o nível tarifário do programa de salvaguardas para o novo ano é zerado, eliminando a segunda tarifa onerosa de 26,4% sobre o Brasil), podem agora ser antecipadas e vendidas entre agora e o Ano Novo”, relata a reportagem da Beef Central, citando previsões de fontes locais.
Na prática, lembra o portal australiano, nesta reta final de 2025, o Brasil pagará uma tarifa de 26,4% sobre as exportações de carne bovina para os EUA. Porém, a partir de 2026, essa tarifa será eliminada, com o início do novo ano de cotas.
Ou seja, a partir de 1º de janeiro, o Brasil poderá acessar o mercado dos EUA sem tarifas, por meio da cota de 66.000 toneladas destinada a “Outros Países”.
No entanto, observa a Beef Central, a julgar por 2025, o Brasil vai preencher em velocidade relâmpago a sua cota. Em 2025, os exportadores brasileiros preencheram toda a sua cota de “Outros Países” já em 17 de janeiro, recebendo a tarifa de 26,4% desde então.
Uma fonte local ouvida pela reportagem da Beef Central disse que o setor está interpretando a mais recente alteração tarifária como um fator “negativo no curto prazo” para as exportações australianas.
“Isso porque já existe um grande estoque de carne brasileira armazenada em câmaras frigoríficas alfandegadas nos EUA – pré-carregado para o ano de cotas de 2026”, ressaltou a fonte, acrescentando: “Em circunstâncias normais, isso não teria surgido até janeiro, visando minimizar a exposição às tarifas, mas com a redução da tarifa de 40%, é muito provável que a carga chegue diretamente ao mercado”, disse ele, que completou: “Poderia facilmente haver importadores que decidissem desembaraçar a mercadoria agora e simplesmente pagar a tarifa de 26,4%.”
Tal conjuntura, insiste o portal australiano, pode exercer alguma pressão negativa sobre a demanda por carne bovina australiana de todos os tipos – pelo menos no curto prazo (até que o mercado volte ao normal).




