A compra de animais terminados de Minas Gerais e Goiás por frigoríficos paulistas a valores mais baixos, combinada com a estabilidade das cotações da arroba em Mato Grosso do Sul e no Paraná, levou a uma queda no preço do boi gordo abatido em São Paulo, apurou a Agrifatto, referindo-se aos negócios efetivados nesta quarta-feira (12/3).
Confira as cotações dos animais terminados, apurados no dia 12/3 pela Agrifatto: clique AQUI.
Pelos dados da consultoria, o boi gordo “comum”, sem padrão-exportação, bateu os R$ 300/@ no mercado paulista, com retração de R$ 5/@ sobre o preço de terça-feira (11/3).
Por sua vez, o “boi-China” (abatido mais jovem, com até 30 meses de idade) chegou a R$ 310/@ na praça Paulista, também com desvalorização diária de R$ 5/@.
Com isso, a média entre lotes de animais com ou sem padrão-exportação caiu para R$ 305/@, conforme a Agrifatto.
Nas demais 16 regiões monitoradas pela consultoria, a média recuou para R$ 287,80/@, ante a média de R$ 289,00/@ observada na terça-feira (11/3).
“Entre as 17 praças acompanhadas, 5 desvalorizaram a arroba (SP, MS, MT, PR e RO); as outras 12 mantiveram seus preços inalterados”, destaca a Agrifatto.
Pelos números da Scot Consultoria, a quarta-feira no mercado paulista repetiu os preços do dia anterior – ou seja, o boi gordo “comum” continuou em R$ 310/@, a vaca em R$ 2800/@, a novilha em R$ 298/@ e o “boi-China” em R$ 313/@ (Todos os preços são brutos e com prazo).
“Sem aumentos expressivos na demanda por carne bovina e com ofertas atendendo a escalas de abate, o ritmo do mercado está lento”, observa a Scot Consultoria, citando os negócios em São Paulo.
Segundo a Scot, atualmente, há uma maior disponibilidade de fêmeas nos balcões de negociações, enquanto as ofertas de bois seguem mais comedidas, em especial de boiadas terminadas em confinamento.
No entanto, diz a Agrifatto, embora a oferta de fêmeas gordas permaneça significativa, especialmente na região Norte do País, “já se nota uma considerável redução nos abates dessa categoria, que ainda apresenta um valor de arroba bem inferior ao dos machos”.
“A disponibilidade diminuída (de fêmeas terminadas) pode favorecer ligeiros ajustes positivos nos preços da vaca casada e, por consequência, da novilha, preferida pela indústria de carne desossada”, prevê a Agrifatto, referindo-se às negociações semanais esperadas para esta quinta-feira (13/3).
Atacado/varejo
O mercado paulista da carne bovina com ossos apresenta sinais de retração no consumo, devido à retenção de mercadorias nos distribuidores e devoluções parciais de mercadoria, observa a Agrifatto.
Na segunda-feira (10/3) e terça-feira (11/3), as vendas no varejo e as distribuições do atacado de carne bovina com ossos foram consideradas razoáveis, sustentadas por um fluxo moderado de pedidos para reposição de estoques na ponta consumidora, recorda a Agrifatto.
Porém, nesta quarta-feira (12/3), continua a consultoria, embora não haja motivos de preocupação imediata, existe uma retenção de mercadorias nos distribuidores por conta de atrasos nas descargas, que se estendem por pelo menos um dia.
“Além disso, ocorrem várias devoluções parciais por razões de qualidade”, acrescenta.
Isso sugere, opina a Agrifatto, que o mercado já apresenta sinais de retração no consumo, um fenômeno típico da segunda metade do mês (quando o poder de compra dos consumidores tende a perder força, por causa do esgotamento dos salários recebidos no início do mês).
Nas negociações desta quinta-feira, ressalta a Agrifatto, o preço do boi castrado, um produto mais focado em distribuição, pode sofrer uma leve queda, oscilando entre R$ 21,20/kg e R$21,00/kg.
Em contrapartida, afirma a consultoria, a demanda por dianteiro permanece alta, sendo negociado integralmente a R$ 19/kg.
“Essa procura persistente não é apenas para reforçar os estoques dos distribuidores, mas também para casar com a sobra de traseiros, que apresentam baixa liquidez e dificuldades de comercialização”, observa a Agrifatto.
Mesmo diante de uma eventual queda no preço do boi castrado, o dianteiro tende a permanecer firme, ressaltam os analistas da consultoria.
Na indústria de processamento de carne desossada, que trabalha principalmente com vacas e, em menor escala, com bois inteiros, o cenário atual indica um possível aumento nos preços dos cortes, acredita a Agrifatto.
Enquanto o quilo da vaca tende a atingir R$18,50/kg, o do boi inteiro pode chegar a R$19,50/kg, prevê a consultoria. Como reflexo, a ponta de agulha começa a ganhar tração, com perspectiva de alcançar R$18,00/kg.
Exportações em ritmo forte, mas preços em queda
O Brasil manteve um ritmo forte de exportação de carne bovina in natura em fevereiro/25, registrando um recorde para o mês de 190,46 mil toneladas, 10 mil a mais que em janeiro/25, informa a Agrifatto, com base em dados da Secex.
Porém, o preço médio FOB do produto brasileiro foi de US$ 4.927/tonelada, com uma queda de US$ 100/tonelada em relação ao valor do mês anterior.
“A tendência de redução nos preços continua em março/25, atingindo US$ 4.876/tonelada nos primeiros dias úteis do mês, o menor valor desde novembro/24”, relata a Agrifatto.




