Depois de uma forte onda de valorizações, iniciada em meados de janeiro/26, o mercado do boi gordo tende a perder tração neste período de Carnaval.
Porém, os pecuaristas brasileiros têm grande motivos para jogar confete mesmo sem precisar participar de qualquer folia: a arroba do boi bateu R$ 350/@ em São Paulo, Paraná e Santa Catarina, e também subiu nas principais praças do País, fechando a sexta-feira véspera de Carnaval com média de R$ 320/@, de acordo com dados da Agrifatto apurados em 17 regiões.
“A demanda doméstica mais aquecida na primeira quinzena e o reposicionamento de estoques para o período de Carnaval, somado a um setor exportador com novo recorde, colaboraram com o viés de alta da arroba”, relata Felipe Fabbri, analista da Scot Consultoria.
Segundo ele, a oferta de boiadas gordas segue enxuta nas regiões pecuárias, o que também contribui para a subida dos preços no mercado físico.
“Negócios em R$ 350/@ têm sido registrados com frequência em São Paulo”, afirma Fabbri, acrescentando que, a depender do desempenho das vendas de carne bovina durante o Carnaval, esse patamar poderá ser o referencial na próxima semana.
Conforme mencionado acima, a Agrifatto, que utiliza um método distinto de levantamento dos preços pecuários em relação ao da Scot, já trabalha com a referência de R$ 350/@ para o boi gordo paulista (e também do PR e SC).
Nesta sexta-feira 13, a Agrifatto apurou estabilidade nas 17 praças monitoradas, depois de seguidas altas da arroba ao longo da semana.
“Os R$ 350 por arroba pagos em SP, PR e SC configuram um teto difícil de superar no curto prazo; daqui em diante, é preciso atenção redobrada”, sugerem os analistas da consultoria.
A Agrifatto ressalta, porém, que as escalas de abate dos frigoríficos brasileiros seguem em patamares bastante curtos, dificultando o poder de negociação dos compradores da matéria-prima (boiada gorda).
Por sua vez, do lado de dentro das porteiras, a recuperação das pastagens com o avanço das chuvas permite reter o gado por mais tempo, negociar lotes menores e fortalecer o poder de barganha.
“Não esperamos facilidades ao comprador de boiadas, pois o clima deverá seguir favorável aos pecuaristas”, antecipa Fabbri.
Passado o Carnaval, porém, o mercado interno poderá diminuir o ritmo de compras de carne bovina, impactado pelo início do período de Quaresma e, pela segunda quinzena do mês, prevê Fabbri.
Exportações aquecidas
Os embarques brasileiros de carne bovina in natura também devem continuar aquecidos. Neste mês de fevereiro, até a primeira semana, o desempenho do setor foi excepcional, de acordo com os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
Em relação à média diária de 2025, o volume embarcado na primeira semana deste mês aumentou 43,6%, o preço médio em dólares subiu 140%, com o faturamento diário, também em dólares, subindo 63,7%. “A exportação deve seguir com bom ritmo na segunda quinzena do mês, com atenção ao dólar”, relata Fabbri.




