No mercado físico do boi gordo, as cotações da arroba seguiram firmes ao longo desta semana nas principais praças brasileiras, conforme apuração da Agrifatto e da Scot Consultoria, que acompanham diariamente o setor pecuário.
Segundo o zootecnista Felipe Fabbri, analista da Scot, os preços dos animais terminados seguem sustentados por uma demanda doméstica mais ativa e uma exportação em ritmo bastante forte, além da escassez de oferta de lotes prontos neste período final de entressafra e, consequentemente, dos estoques enxutos nas câmaras frias dos frigoríficos e canais de distribuições.
Além disso, Fabbri acredita que as exportações brasileiras de carne bovina in natura de novembro/25 podem alcançar um novo recorde mensal, superando o recorde histórico registrado em outubro/25.
Nos últimos dias, o clima de otimismo no setor de exportação foi reforçado depois da circulação de boas notícias anunciadas pela China e os Estados Unidos, os dois maiores importadores mundiais da proteína brasileira.
O governo Trump decidiu eliminar totalmente as tarifas adicionais impostas à carne bovina brasileira, ou seja, as operações do Brasil voltaram à “normalidade” quanto ao acesso ao mercado norte-americano.
Por sua vez, a China, que compra quase 50% de toda a proteína bovina exportada hoje pelo Brasil, resolveu postergar novamente a investigação de salvaguarda em curso – agora prevista para 26 de janeiro de 2026.
Ambiente de estabilidade
Os preços do boi gordo fecharam a sexta-feira (28/7) com estabilidade na maior parte do País, conforme levantamento diário da Agrifatto e da Scot Consultoria,
“Mesmo tentando negociar abaixo da referência, os frigoríficos brasileiros não têm obtido o efeito desejado”, observam os analistas da Agrifatto.
Segundo a consultoria, o volume de negócios envolvendo boiadas gordas continua limitado e não permite alongar as escalas de abate das indústrias além de 7 a 8 dias úteis, em média.
“No curto prazo, a liberação da primeira parcela do 13º salário e o pagamento dos salários de novembro devem reforçar o consumo interno, principalmente de cortes nobres, o que pode gerar um viés de alta para a arroba”, ressalta a Agrifatto.
Nesta sexta-feira, o valor da arroba permaneceu estacionado em R$ 320 (média entre o boi “comum” e o “boi-China”), segundo os dados da Agrifatto. Nas outras 16 praças monitoradas diariamente pela consultoria, a média seguiu em R$ 305,30/@.
Pelos dados apurados pela Scot Consultoria, no encerramento da semana, a novilha gorda subiu R$ 2/@ na praça de São Paulo, para R$ 314/@, enquanto as cotações das demais categorias ficaram estáveis (vaca gorda em R$ 302/@, boi gordo “comum” em R$ 320/@ e “boi-China” em R$ 325/@).
VEJA TAMBÉM | Agrifatto: escalas de abate avançam e média nacional entra em patamar confortável




