Ao longo desta semana encerrada em 30/1, o mercado do boi gordo consolidou o movimento de alta nos preços da arroba nas principais regiões produtoras do País.
“O mercado físico fechou janeiro sustentado pela escassez de animais prontos para abate e pelas escalas curtas dos frigoríficos, o que fortalece a posição do pecuarista nas negociações”, destacam os analistas da Agrifatto.
Na praça paulista, a arroba do boi gordo atingiu R$ 330, consolidando um cenário de preços firmes, segundo apuração da Agrifatto.
Na visão da consultoria, a dificuldade dos frigoríficos brasileiros em alongar as escalas, que atendem apenas seis dias (média nacional), aliada à retenção estratégica dos animais terminados nas fazendas, favorecida pelas boas condições das pastagens, segue como o principal fator de sustentação dos preços da arroba.
“Esse conjunto de fatores mantém o mercado bem amparado no curto prazo, com cotações firmes e viés de alta, pelo menos enquanto persistirem as atuais condições de oferta enxuta e demanda consistente”, observa a Agrifatto.
Na avaliação do engenheiro agrônomo Pedro Gonçalves, analista da Scot Consultoria, “na queda de braços das negociações, os pecuaristas estão levando vantagem no momento, com as boas condições de alimentos porteira adentro”. “A expectativa é positiva para fevereiro, pelo menos no curtíssimo prazo”, antecipa Gonçalves.
Pelos dados da Scot, o boi gordo sem padrão-exportação subiu mais R$ 1/@ nesta sexta-feira (30/1) em São Paulo, para R$ 326/@, enquanto o “boi-China” seguiu valendo R$ 330/@ (valores bruto, no prazo).
Segundo reforça Gonçalves, as indústrias frigoríficas devem correr atrás nas negociações e seguir na toada de firmeza dos preços da arroba, com tendência ainda de alta no curto prazo.
A Agrifatto ressalta ainda que o avanço das cotações do boi gordo ocorre em sintonia com o bom ritmo das exportações de carne bovina in natura e com a proximidade da primeira semana do mês, período tradicionalmente associado à melhora do consumo interno — quando entra o dinheiro dos salários nas contas dos trabalhadores.
“O mercado físico segue, portanto, sustentado e com tendência positiva no curto prazo”, reforça a Agrifatto.
O analista Pedro Gonçalves concorda com a avaliação dos colegas de setor da Agrifatto: “As escalas de abate mais enxutas dificultarão a formação de estoques para atender ao maior consumo esperado, tanto durante a primeira semana (recebimento de salários) quanto ao longo da segunda quinzena do mês (período de Carnaval)”.
Em 16 dias úteis de janeiro/26, as exportações brasileiras de carne bovina in natura atingiram patamar recorde para o mês, com o volume já superando o total de janeiro de 2025.
Foram 183,8 mil toneladas embarcadas, ou 11,5 mil toneladas por dia, resultado 40,1% acima da média diária registrada em janeiro de 2025.
O faturamento dos embarques nesta parcial de janeiro já supera a marca de US$ 1 bilhão. Os preços pagos pela tonelada da carne bovina trabalham em alta, comercializados em US$ 5,5 mil.




