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Análise Datagro: sem carne brasileira para hambúrgueres, consumidores dos EUA estão “fritos”

“A nova tarifa atinge um dos pilares centrais de fornecimento de proteína bovina ao mercado norte-americano”, dizem os analistas
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Caso a polêmica decisão de Donald Trump em taxar entrada da carne bovina brasileira em +50% seja colocada em prática a partir de 1º de agosto/25, “os importadores norte-americanos podem estar diante de um reforço de aperto substancial na disponibilidade local da proteína”. Essa é a opinião dos analistas da consultoria Datagro, que destacam a representatividade da carne brasileira nas importações totais dos EUA, que triplicou entre 2021 e 2025, enquanto na ótica oposta, os norte-americanos apresentaram avanço mais contido (ainda que significativo) nas exportações de carne bovina do Brasil em igual período.

“O impacto mútuo sobre a demanda e/ou fornecimento de ambos os países consolida esse quadro como mais prejudicial aos EUA”, ressaltam os analistas.

Segundo a Datagro, 4,4% (221,3 mil toneladas em equivalente-carcaça) da produção brasileira de carne bovina no primeiro semestre de 2025 foi direcionada ao mercado norte-americano.

Por sua vez, a participação da carne bovina brasileira na oferta doméstica nos EUA atingiu 5,4% (301,9 mil toneladas equivalente-carcaça) entre janeiro e maio deste ano, de acordo com os dados levantados pela consultoria.

Os analistas da Datagro dizem que, obviamente, o tarifaço de Trump, caso aplicado, terá algum choque negativo na demanda por carne bovina brasileira, que deve ser próximo de 4% da produção nos níveis atuais.

No entanto, diz a consultoria, quando avaliada a relevância dos cortes bovinos brasileiros importados pelos EUA, a nova taxação pode pressionar ainda mais o quadro local de oferta de gado e carne bovina.

“Essa maior relevância proporcional da carne brasileira para o mercado estadunidense não se dá apenas em termos de volumes absolutos, como também em padrões dos cortes importados pelos norte-americanos”, observam os analistas.

O principal produto exportado aos EUA pelo Brasil são os chamados beef trimmings, que são pedaços de carne bovina restantes do processo de corte e limpeza das peças tradicionais, que, na prática, são importados para serem moídos e combinados com a gordura em excesso produzida pelos animais que superam 26 arrobas (390 kg) de peso médio de carcaça no mercado norte-americano, para serem vendidos na forma de ground beef (carne moída).

“O problema se dá na medida em que metade do consumo per capita de carne bovina da população dos EUA se apoia na carne moída, que no mercado doméstico local é beneficiada majoritariamente a partir de fêmeas bovinas de menor padrão de qualidade, um animal substancialmente escasso nas condições vigentes”, esclarece a consultoria.

Portanto, ressalta a Datagro, a nova tarifa atinge um dos pilares centrais de fornecimento de proteína bovina ao mercado norte-americano.

“Mesmo buscando outros fornecedores alternativos, não há nenhum player que se compara ao Brasil nem em termos de volume, muito menos em preços”, destacam os analistas.

Além disso, continua a consultoria, “diante da limitação na oferta global de carne bovina, mesmo buscando outros fornecedores além dos brasileiros, as mudanças possivelmente abrirão espaço para o Brasil em outros mercados, o que a longo prazo tende a ser um fator de sustentação altamente relevante às vendas externas brasileiras da proteína”.

 

Fonte: Datagro

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