A atuação do El Niño em 2026 – confirmada pela Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês) – deve causar choque climático desuniforme nas regiões pecuárias do Brasil, alerta relatório divulgado nesta sexta-feira (12/6) pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
Segundo os pesquisadores do Cepea, o fenômeno tende a aumentar o risco de seca na faixa norte do Norte e Nordeste e favorecer maiores volumes de chuva no Sul.
Por sua vez, continua o Cepea, em partes do Centro-Oeste e do Sudeste, os efeitos tendem a aparecer mais como irregularidade das chuvas, maior frequência de períodos secos e temperaturas elevadas.
“A leitura mais adequada é tratar o El Niño 2026 como um fator de aumento da volatilidade climática e produtiva, com impactos regionais bastante distintos”, ressaltam os pesquisadores do centro de estudos.
Impactos nas cadeias pecuárias
Segundo os pesquisadores, para bovinos de corte, os efeitos do El Niño tendem a se concentrar em quatro pontos: qualidade das pastagens, disponibilidade de água, estresse térmico e aumento dos custos de suplementação.
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Para a produção leiteira, o impacto tende a aparecer de forma combinada sobre produção de volumosos, custo do concentrado e conforto térmico dos animais.
Em relação aos ovinos e caprinos, no Nordeste, o principal risco é a redução da disponibilidade de água e forragem, exigindo maior uso de reservas alimentares e suplementação. Já no Sul, o excesso de chuvas pode aumentar problemas sanitários, dificultar o manejo e comprometer a qualidade das forragens.
Para as cadeias de suínos e aves, os maiores impactos tendem a ocorrer por meio do aumento dos custos da ração, do consumo de energia e do estresse térmico. Temperaturas elevadas podem reduzir o desempenho produtivo, afetar a fertilidade e pressionar ainda mais as margens dos produtores.
Principais pontos de atenção para a pecuária nacional:
- Atenção redobrada para a disponibilidade de pastagens e água – em sistemas baseados em pasto, qualquer atraso na recuperação das chuvas, veranicos prolongados ou temperaturas acima da média podem reduzir o crescimento das forrageiras, diminuir a capacidade de suporte das áreas e pressionar o ganho de peso dos animais ou a produção de leite.
- Produção e a qualidade das forragens conservadas – o risco climático sobre grãos não pode ser analisado apenas como risco de quebra de safra. É preciso observar também os efeitos sobre preços relativos, fretes, estoques, qualidade dos grãos, mercado futuro e decisões de compra de ração. Esse ponto é particularmente importante para aves e suínos, mas também afeta confinamentos bovinos, sistemas leiteiros intensivos e suplementação estratégica de ovinos e caprinos.
- Ambiência, sanidade e logística, impactando de forma mais severa propriedades que fazem o uso de raças taurinas – temperaturas elevadas reduzem conforto térmico, pioram conversão alimentar, reduzem consumo voluntário e podem afetar fertilidade, crescimento e produção de leite. Chuvas excessivas, por outro lado, aumentam lama, problemas de casco, mastite, doenças respiratórias, dificuldade de transporte, interrupções logísticas e perda de qualidade de insumos.
- Custo da alimentação animal – milho, farelo de soja, silagem, sorgo, feno e outros volumosos conservados entram no centro da análise porque conectam o clima às margens de praticamente todas as cadeias pecuárias.




