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Boi gordo: pé atrás das duas pontas do mercado trava negociações no País

Oferta segue restrita, com os pecuaristas segurando a venda dos lotes, enquanto os frigoríficos mantêm postura cautelosa diante das incertezas ligadas ao setor de exportação, observa a Agrifatto
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O mercado brasileiro do boi gordo segue dividido, relatam os analistas da Agrifatto. Do lado de dentro das porteiras, observa a consultoria, a oferta segue restrita, com os pecuaristas segurando a venda dos lotes. 

De lado da indústria, continua a Agrifatto, os frigoríficos mantêm postura cautelosa diante das incertezas ligadas às exportações, sobretudo pela possibilidade de esgotamento da cota chinesa de importação entre meados de junho/26 ou início de julho/26. 

Na avaliação dos analistas da Scot, há distinção entre as estratégias dos frigoríficos. 

Alguns deles, diz a consultoria, sentiram necessidade de alongar as escalas de abate, e outros preferem maneirar o abastecimento, comprando de maneira compassada, sem exagerar no volume. 

Essa prudência, avalia Scot, está relacionada ao comportamento do consumo interno, já que o varejo ainda absorve as mercadorias adquiridas recentemente e a proximidade da segunda quinzena do mês costuma trazer um ritmo mais lento para o mercado, devido ao esgotamento dos salários recebidos no início do mês. 

“Muito se espera do final de semana, já que o primeiro jogo do Brasil na Copa do Mundo traz a expectativa de bom desempenho nas vendas de carne bovina”, observa a Scot, que faz uma ressalva: “Se o escoamento ficar abaixo do esperado, isso pode acabar limitando pedidos para recompor estoques, ditando o comportamento do mercado na próxima semana, com um arrefecimento da demanda”

Exportações brasileiras de carne seguem em ritmo forte

No entanto, no âmbito externo, as exportações brasileiras de carne bovina seguem em ritmo forte, sustentadas pela forte demanda de importantes países importadores, como os Estados Unidos e a própria China.

“Devemos bater recordes conforme o ano vai passando”, prevê o engenheiro agrônomo Pedro Gonçalves, analista da Scot.

Segundo ele, as estatísticas relacionadas à primeira semana de junho ainda mostram uma China ainda com o pé no acelerador. 

No geral, considerando todos os países compradores, a média diária embarcada de carne bovina in natura pelo Brasil superou 15 mil toneladas na primeira semana do mês, com preços médios próximos dos US$ 6,6 mil. 

Estados Unidos devem elevar as importações

Gonçalves lembra que, devido à drástica redução de seu rebanho bovino que atingiu o menor patamar em mais de 75 anos , os Estados Unidos precisam, com urgência, aumentar as compras externas de carne bovina e, por isso, estudam formas de retirada da tarifa de importação extra-cota.

Caso seja colocada em prática, a retirada de taxas igualaria a disputa entre Brasil e Austrália pelo mercado de carne bovina norte-americano, favorecendo a proteína brasileira, mais competitiva no mercado internacional.

“A expectativa é que os estadunidenses levem 400 mil toneladas de carne bovina brasileira ao longo de 2026, um volume pequeno no comparativo com a China, mas mostra uma necessidade crescente de um país com um rebanho que está diminuindo e passando por problemas”, ressalta Gonçalves. 

Preços do boi: semana fecha com estabilidade

Nesta sexta-feira (12/6), no interior de São Paulo, o boi gordo sem padrão exportação seguiu valendo R$ 350/@, enquanto o animal-China está cotado em R$ 360/@ (valores no prazo), de acordo com levantamento da Agrifatto, que monitora diariamente os negócios em 17 praças brasileiras.

“Todas as praças acompanhadas mantiveram suas cotações estáveis”, informa a Agrifatto.

Confira as cotações da arroba do boi gordo e do “boi-China”, apuradas no dia 12/6 pela Agrifatto e pela Scot Consultoria; clique AQUI.

Pelos dados apurados pela Scot Consultoria, os preços das fêmeas terminadas subiram nesta sexta-feira, em São Paulo, com alta de R$ 3/@ para a novilha e ganho diário de R 2/@ para a vaca — fecharam o dia cotadas a R$ 335/@ e R$ 322/@, respectivamente (valores com prazo).

Por sua vez, segundo a Scot, os machos apresentaram estabilidade no mercado paulista, com o boi gordo destinado ao mercado interno valendo R$ 350/@ e “boi China” cotado em R$ 355/@ (prazo). 

Segundo apuração da Scot, as escalas de abate das indústrias frigoríficas paulistas estão, em média, para 7 dias. 

Boi gordo sobe na B3

No mercado futuro, pela primeira vez na semana, os contratos futuros do boi gordo na B3 encerraram o pregão de quinta-feira (11/6) em alta. 

O principal destaque ficou para o vencimento de julho/26, que fechou cotado a R$ 337,90/@, com valorização de 0,61% em relação ao fechamento anterior.


Quer saber o que esperar do mercado do boi nos próximos dias?

Acompanhe as análises diárias, as cotações e os principais fatos que movimentam a arroba no Brasil e no mundo no Mercado do Boi.

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