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Boi gordo: em nov/25, “há espaço para trabalhar entre R$ 330/@ e R$ 340/@”, acredita o analista Raphael Galo

Entre 2010 e 2024, em dez meses de novembro houve aumento mensal nos preços da arroba, enquanto em cinco deles prevaleceu o movimento de queda
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O analista Raphael Galo, colunista fixo do prestigiado informativo semanal Boi & Companhia, da Scot Consultoria, recorre aos números estatísticos e os atuais fundamentos do mercado para apostar na continuidade do movimento de alta do boi gordo nas próximas semanas de novembro/25.

“Se os fundamentos se mantiverem, há espaço para trabalhar entre R$ 330/@ e R$ 340/@”, acredita Galo, referindo-se ao comportamento dos preços do boi gordo paulista ao longo das próximas semanas de novembro/25.

Entre os fatores que têm contribuído para o avanço gradual nas cotações do boi gordo nas últimas semanas, três se destacam: o ritmo forte das exportações brasileiras de carne bovina in natura, a melhoria na demanda interna e o quadro de escassez de oferta de animais terminados. 

Segundo o analista, olhando o comportamento histórico dos preços médios do boi gordo em novembro (na comparação com outubro), o cenário é de alta, refletindo o período de entressafra de animais alimentados a pasto. 

Entre 2010 e 2024, informa Galo, em dez meses de novembro houve aumento mensal nos preços do boi gordo, enquanto em cinco deles prevaleceu o movimento de queda.

Com isso, a média geral do período foi de +5,1%, a média dos meses em que foi negativo foi de -2,1%; e a média dos meses em que foi positivo foi de +8,8, destaca o analista.

Ainda em relação ao histórico de preços, continua Galo, o pior mês para o boi gordo foi em novembro de 2010, quando houve uma queda de 6,8% sobre outubro. 

Por sua vez, o melhor mês ocorreu em novembro de 2019, quando a arroba teve forte acréscimo mensal de 35,5%, recorda Galo. 

Aplicando esse comportamento histórico ao fechamento do indicador B3 (Datagro) em outubro/25, de R$ 319,42/@, o analista aponta três cenários teóricos para o boi gordo em novembro/25: correção máxima negativa dos anos: R$ 297,60; correção média dos anos: R$ 335,84; e correção máxima positiva dos anos: R$ 432,91. 

“Acredito ser muito improvável buscar melhor cenário da estatística, mas com espaço para trabalhar entre R$ 330/@ e R$ 340/@”, reforça Galo.

Preocupações com possíveis ações da China

Porém, alerta o engenheiro agrônomo Pedro Gonçalves, analista da Scot, “nem tudo são flores” no mercado do boi.

Recentemente, diz ele, uma nota enviada pela China alerta para detecção de mercadorias brasileiras (carne bovina) nos níveis máximos de Fluazuron (medicamento para o controle de carrapatos), ocasionado, provavelmente, pela falta de cuidado em relação ao tempo de carência do produto. 

“Isso deve ficar apenas como um alerta e não impactar diretamente nas boas negociações com o país asiático, mas gerou repercussão entre os exportadores”, observa Gonçalves.

Galo também comenta o burburinho no mercado em relação ao assunto: “Houve uma prosa no mercado sobre o risco ou possibilidade de a China criar embargos devido à resíduos de medicamentos em carne bovina… E se realmente isso acontecer? Há chances de a arroba despencar, e muito”

Na avaliação de Galo, porém, pode até ser uma “jogada comercial” do governo chinês, a fim de reduzir os preços de compra da carne bovina brasileira, que subiram este ano na comparação com os valores do ano passado. 

“Mas é uma possibilidade que não pode ser descartada ou ignorada”, reforça Galo, que sugere aos pecuaristas a busca por mecanismos de proteção de preços (hedge) na bolsa paulista (B3). “Tu não vais esperar bater o carro para só depois correr atrás de fazer o seguro?”, diz.

Outro ponto de atenção, observa Gonçalves, é quanto ao resultado das investigações de salvaguarda por parte da China, previsto para este mês. 

“Há chances de criação de cotas de exportação ou mesmo tarifas extras para aquisição dos produtos, como forma de proteção ao produtor nacional chinês”, antecipa o analista da Scot. 

Porém, continua Gonçalves, “a China deve criar barreiras grandes para a aquisição do produto brasileiro, tendo em vista a necessidade de compra para compor os estoques internos, já que a produção (terceira maior do mundo) não é capaz de atender a demanda interna”

Preços do boi fecham a semana com estabilidade

A semana termina com as cotações estáveis em São Paulo, informa nesta sexta-feira (7/11) a Scot Consultoria. “Os preços estão firmes e a expectativa é de continue assim no começo da semana que vem”, afirma a Scot. 

Confira as cotações da arroba do boi gordo e do “boi-China”, apuradas no dia 7/11 pela Agrifatto e pela Scot Consultoria; clique AQUI.

Com isso, na praça paulista, o boi gordo sem padrão exportação segue cotado em R$ 320/@, o “boi China” em R$ 325/@, a vaca gorda em R$ 298/@ e a novilha terminada em R$ 312/@ (todos os preços são brutos e com prazo).

Nas 17 regiões acompanhadas diariamente pela Agrifatto, as cotações do boi gordo também andaram de lado nesta sexta-feira.

“A arroba em SP encerrou a R$ 330 (média entre o animal sem padrão-exportação e o ‘boi-China’, enquanto a média nas outras 16  praças permaneceu em R$ 306,90”, informa a Agrifatto.

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