
O Banco Regional de Antígenos para Febre Aftosa (Banvaco) entra oficialmente em operação a partir de hoje (29/08). A assinatura que sacramentou a inauguração foi realizada no Rio de Janeiro (RJ), num evento que reuniu representantes de saúde animal do Brasil, Paraguai e Equador, além do Grupo Interamericano para Erradicação da Febre Aftosa (Giefa), sob a coordenação do Centro Pan-Americano de Febre Aftosa e Saúde Pública Veterinária (Panaftosa).
O objetivo da criação de um banco sul-americano de vacinas e, principalmente, antígenos, é garantir uma reserva estratégica de antígenos de todos os sorotipos virais de febre aftosa que possam ser considerados um risco para os países da região. A partir desse estoque é possível produzir rapidamente o imunizante em caso de emergência sanitária e bloquear a dispersão do vírus, o que permite proteger as áreas e países reconhecidos como livres da doença.
Gerido pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), por meio do Panaftosa, o Banvaco não é uma instalação física, mas uma rede organizada de laboratórios fornecedores que armazenam antígenos a serem utilizados para a confecção de vacinas, de modo célere.
Para Jarbas Barbosa, diretor da OPAS, a iniciativa é um passo estratégico para que a região esteja mais preparada e coesa diante de emergências de saúde.
“O Banvaco representa um compromisso político e operacional dos países para fortalecer a preparação regional em saúde e segurança alimentar, garantindo o acesso ao rápido envio de vacinas para preservar a saúde animal e o bem-estar das comunidades”, afirmou.
Brasil fortalece o Banvaco
Idealizado em 2012, o Banvaco só teve a aprovação para adesão dos países, concedida pelo Panaftosa, em 2019. De lá para cá, apenas dois países membros da Comissão Sul-Americana para a Luta Contra a Febre Aftosa (Cosalfa) haviam aderido até então: Paraguai (2021) e Equador (2023). Segundo Guilherme Marques, do Panaftosa/OPAS, a entrada do Brasil fortalece o banco. Há a expectativa de que no próximo ano possam aderir os seguintes países: Peru, Chile, Uruguai, Bolívia e Colômbia.
“Temos tido consultas de países da América Central, América do Norte e Caribe”, afirma. O dirigente explica que é comum, por questões estratégicas, que países contratem bancos de antígenos e vacinas localizados em outros continentes. Ainda serão definidas quais cepas de vírus farão parte do Banvaco, bem como a quantidade imediata de vacinas que ficará disponível para cada um dos países membros. De acordo com Marques, uma comissão de biossegurança fará a auditoria nos laboratórios interessados em prover vacinas ao banco.
Os laboratórios que forem aprovados passarão por um processo de licitação. “Esperamos que a partir do segundo semestre de 2026 já tenhamos disponíveis os antígenos adquiridos e armazenados e os laboratórios já prontos para produzirem as vacinas em caso de situações de emergência deflagrados pelas autoridades sanitárias”.




