A JBS está formalizando o seu tão esperado movimento para uma dupla listagem nas Bolsas de Valores de Nova York e do Brasil, informou o portal australiano beefcentral.com.
A empresa detalhou o processo após uma decisão do conselho de administração na terça-feira (22/4).
Os atuais acionistas serão convocados a votar pela aprovação ou rejeição da proposta de dupla listagem durante uma assembleia geral extraordinária em 23 de maio, diz o texto.
Embora o processo de registro junto à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) já esteja concluído, a transação ainda depende da aprovação da Comissão de Valores Mobiliários do Brasil (CVM).
“Este é um momento histórico para os mercados de capitais, pois os acionistas minoritários terão pleno poder de decisão”, declarou o conselho da JBS, em nota.
Os dois maiores acionistas da empresa, a J&F (formada por membros da família fundadora Batista) e a BNDESPar (braço de investimentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, que detém uma grande participação na JBS há anos), comprometeram-se a se abster da votação – deixando a decisão nas mãos dos detentores de pouco mais de 30% das ações em circulação da empresa.

“Acreditamos que essa transação aumentará nossa visibilidade nos mercados globais, atrairá novos investidores e fortalecerá ainda mais nossa posição como líder global na indústria de alimentos”, afirmou o CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni.
Se aprovada pelos acionistas, a empresa espera começar a oferecer ações no mercado norte-americano já em junho ou julho deste ano, relata o portal australiano.
Durante uma recente apresentação a analistas sobre os resultados anuais da JBS, o diretor financeiro global, Guilherme Cavalcanti, disse que, no melhor cenário, acredita que o terceiro trimestre (julho a setembro) seria a melhor estimativa para ativar a dupla listagem nos EUA.
“Uma vez concluído, esse passo marcará um novo capítulo na história da JBS — com potencial para destravar valor para os acionistas e ampliar nossa base de investidores”, afirmou Cavalcanti.
A proposta de dupla listagem tem sido discutida há alguns anos, mas foi adiada por diversos motivos, incluindo a incerteza econômica decorrente da COVID-19 e o escândalo de corrupção da operação “Carne Fraca” no Brasil, que levou membros da família Batista à prisão, relembrou a Beef Central.
Com mais de 250 unidades de produção em 17 países, a JBS atende mais de 300 mil clientes e seus produtos chegam a mais de 180 países.
Fundada há 71 anos no Brasil pelo açougueiro José Batista Sobrinho, a empresa atualmente emprega 280 mil pessoas em todo o mundo, relata a Beef Central. Seu crescimento consistente tem sido impulsionado por investimentos estratégicos, aquisições disciplinadas e uma contínua expansão global – permitindo diversificação tanto de produtos quanto de mercados.
Nos últimos anos, a gestão da empresa tem ressaltado a importância da presença global para suavizar a volatilidade da oferta e demanda entre os países. “Construímos uma cultura organizacional sólida, com as pessoas certas nos lugares certos”, disse Tomazoni.




