O setor de Grandes Animais da Boehringer Ingelheim realizou nessa quarta-feira, 17/10, uma coletiva de imprensa online para debater e trazer novidades sobre a importância da biosseguridade em fazendas de leite.
Os bons resultados alcançam toda a cadeia produtiva. Trata-se de um reforço para o Selo Biosseguridade Certificada (CBS), lançado em 2022, em parceria com a Embrapa Gado de Leite. O serviço confere mais garantias em relação à segurança alimentar das pessoas envolvidas na produção e consumo do leite e derivados.
Bases e vantagens do plano – Tudo isso por meio da adoção de um grande número de protocolos que asseguram a proteção e o controle da ocorrência de doenças nos rebanhos bovinos, além de promover o bem-estar dos animais e do ambiente, sob o conceito de saúde única.
Essa visão entende que não há saúde humana sem a saúde dos animais domésticos e do ambiente que dividem. São dependentes, relacionadas. Uma puxa a outra, alcançando sustentabilidade e, consequente prosperidade, principalmente econômica. Para se ter uma ideia, a poluição do Rio Paraopeba, pós o desastre de Brumadinho (MG), levou ao desenvolvimento de superbactérias.
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A explicação é de Bruno Campos de Carvalho, pesquisador da Embrapa. Ele reforça o conceito de saúde pelos seguintes dados: 60% das doenças infecciosas humanas existentes são zoonóticas; e que pelo menos 75% das doenças infecciosas emergentes de humanos (inclusive Ebola, HIV e Influenza) são de origem animal.

Ele completa destacando que de cinco novas doenças que surgem em humanos, a cada ano, três são de origem animal. Para o especialista, esses já seriam motivos suficientes para justificar a busca por biossegurança na produção animal, em especial a leiteira.
As vantagens da adoção do plano de certificação em biosseguridade são muitas, ressaltando ganhos diretos como a redução e/ou erradicação de doenças na propriedade, a barragem na entrada de doenças, a diminuição dos gastos com medicamentos, a melhoria dos índices zootécnicos e a destinação adequadas e resíduos e degetos, por exemplo gerando energia e fertilizantes.
Já os indiretos, segundo o pesquisador, são, principalmente, a garantia de rotina de manejo e padronização de tarefas, o bem-estar no ambiente para pessoas e animais e uma melhor comunicação com o público consumidor. Tudo isso junto incrementa a rentabilidade do negócio.
O Plano de Bisseguridade se baseia em alguns pontos, tais como:
* Identificação dos índices sanitários relevantes (KPI’s)
* Análise de risco e Plano de Ações
* Estabelecimento de Zonas de Biosseguridade
* Sinalização e controle de aceso
* Barreiras físicas e químicas
* Práticas de manejo para diagnóstico, controle e tratamentos de animais doentes
* Gestão à vista dos Indicadores
Tudo isso pressupõe investimentos em qualificação e treinamento de mão de obra, uso de equipamentos de proteção individual (EPIs), sinalização por toda a fazenda e áreas de passagem, divisão de áreas por risco, além de procedimentos de higiene e assepsia para pessoas, animais, instalações e equipamentos.
Vale reforçar que Carvalho enfatiza a fixação de várias rotinas de manejo para os bovinos e os colaboradores, além de sistemas de monitoramento para identificação e correção de falhas. A adoção do plano de seguridade é um processo dinâmico, obedecendo um planejamento prévio para cada propriedade.
Biossegurança e lucratividade – Embora seja um processo exigente do ponto de vista técnico, os benefícios trazidos pelo conceito de biosseguridade são bastante palpáveis.
Na Fazenda Colorado, com sede em Araras (SP) e mais de 2,1 mil matrizes em lactação e modelo intensivo, “o incremento na produção e qualidade do leite trouxe grande alento só negócio”, conforme afirma Sergio Soriano, gestor e diretor.

No que diz respeito à secagem das vacas, em 2016, 100% delas necessitavam de antibióticos no processo. Atualmente, esse número é de apenas 52%. Já o número de casos de mastite tratados no mesmo período, em 2022 já não havia mais ocorrências, enquanto o número de vacas em lactação quase que dobrou.

Outra propriedade que serviu de base para a ratificação de procedimentos foi a Santa Luzia, em Passos (MG), como modelo de exploração a pasto e produção que chega aos 35 mil litros de leite dia. Maurício Coelho, seu titular, estima em quase 79% o uso de medicamentos no rebanho para anaplasma, babesia e pneumonia.
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Entre outros investimentos, a fazenda ganhou laboratório de sanidade para as bezerras: os piquetes de pastagem, sombreamento natural; e os colaboradores, escolinha de doma; entre outros benefícios ao sistema. A qualidade do leite evoluiu muito e a presença de células somáticas no produto, atualmente, está em 180 mil, menos da metade, já que era de 400 mil.
O fomento à certificação – O fomento à adoção de um plano de biosseguridade certificado contará com ações por parte da Boehringer Ingelheim. Segundo Rouber Silva e Eduardo Pires, executivos da empresa, “o programa é democrático, com acesso a quaisquer produtores, individualmente ou coletivamente, por meio de cooperativas e laticínios”.
A empresa está implanto um site com todas as informações necessárias, além de ferramentas para diagnóstico e cursos diversos para a formação de mão de obra. Por ocasião da entrevista coletiva, os palestrantes lembraram que o Brasil perdeu uma ótima oportunidade de exportação de láteos para o México, exatamente, porque o País não atendeu a exigência por biosseguridade da produção.




