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Workshop discute estratégias para controle da mosca-da-bicheira nas Américas

Durante o encontro na Flórida (EUA), especialistas apresentaram um panorama atualizado sobre a expansão da mosca-da-bicheira
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Especialistas de diversos países participaram, nos dias 23 e 24 de fevereiro, em Gainesville, na Flórida (EUA), do workshop internacional “Managing Transboundary Sanitary Risks in the Americas”, encontro que reuniu pesquisadores, representantes de governos, organismos internacionais e setor produtivo para discutir estratégias de controle e erradicação da mosca-da-bicheira (Cochliomyia hominivorax), uma ameaça à pecuária nas Américas.

Entre os cientistas estava Paulo Cançado, pesquisador da Embrapa, em Campo Grande (MS), atuando há 15 anos nessa linha de pesquisa. Cançado apresentou uma análise sobre os desafios da erradicação da praga em países de grande extensão territorial, como o Brasil.

Segundo ele, “a dimensão territorial brasileira — cerca de 8,5 milhões de km² — torna extremamente complexa a aplicação convencional da ‘Técnica do Inseto Estéril’ (SIT), que consiste na liberação massiva de insetos esterilizados para interromper o ciclo reprodutivo da praga”.

Ele explica que enquanto no hemisfério norte do continente a estratégia dominante é a erradicação completa da mosca-da-bicheira, no hemisfério sul especialistas discutem abordagens mais voltadas ao controle da espécie, devido à falta de informações sobre seu papel ecológico em biomas complexos, como a Amazônia, e aos elevados custos logísticos de programas de erradicação em larga escala.

Foto: Divulgação

Representantes de universidades e instituições de pesquisa dos Estados Unidos, delegações de países latino-americanos como Brasil, Argentina, Colômbia, Uruguai, Costa Rica e México, e de organismos internacionais como Organização Mundial de Saúde Animal (WOAH), Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) e FONTAGRO, presenciaram a formalização de um Memorando de Entendimento (MOU) entre o IICA e a Universidade da Flórida, que busca integrar a infraestrutura científica da universidade norte-americana com a capilaridade institucional do IICA para ampliar a coordenação de pesquisas e ações de controle no continente.

Expansão da praga preocupa especialistas

Durante o workshop, especialistas apresentaram um panorama atualizado sobre a expansão da mosca-da-bicheira. De acordo com análises apresentadas por representantes da WOAH e da Texas A&M University, a reintrodução da praga no México em novembro de 2024 desencadeou um crescimento expressivo de casos, que ultrapassaram 13 mil registros até janeiro de 2026.

O avanço do surto tem sido agravado pela limitação na produção de moscas estéreis, principal ferramenta utilizada em programas de erradicação da praga.

Enquanto a demanda é estimada entre 450 e 500 milhões de moscas por semana, a capacidade atual de produção chega a cerca de 110 milhões de moscas por semana, sendo aproximadamente metade machos estéreis.

Prioridades de pesquisa

Cançado conta que uma agenda científica para fortalecer o combate à praga foi estabelecida ao final do workshop. Entre as prioridades destacadas estão: monitoramento da resistência a parasiticidas por meio de testes laboratoriais; padronização de bioensaios para avaliação de eficácia de moléculas; estabelecimento de colônias de insetos para testes de resistência; e desenvolvimento de novas ferramentas biotecnológicas.

A Embrapa, nesse contexto, pode desempenhar papel estratégico na formação de técnicos e no desenvolvimento de soluções científicas para o enfrentamento do problema em escala regional.

A participação de Cançado foi uma demanda levantada e articulada pelo Labex Estados Unidos, por meio de seu coordenador, o pesquisador Alexandre Varella, com suporte da Assessoria de Relações Internacionais da Embrapa (Arin).

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