O mercado brasileiro de sêmen da raça Angus voltou a crescer de forma consistente e encerrou 2025 com um avanço expressivo de 31,19% em relação ao ano anterior. Os dados da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia) mostram que foi a terceira maior comercialização da história da raça no País, informa a Associação Brasileira de Angus (ABA).
As vendas de sêmen Angus registraram três anos consecutivos de queda, acumulando retração de 38,06% até 2023. Em 2024, o mercado começou a reagir, com leve alta de 1,48%, antes de acelerar de forma significativa em 2025.
Para o presidente da ABA, José Paulo Dornelles Cairoli, esse novo momento está diretamente ligado à valorização da carne de qualidade no mercado internacional.
Segundo ele, a genética Angus se tornou peça-chave para agregar valor à produção brasileira, especialmente no cruzamento com matrizes Nelore. “Quando se agrega qualidade à carne, o valor praticamente dobra na exportação”, destaca, em nota. Na sua avaliação, a forte demanda interna e externa já gera, inclusive, escassez de animais meio-sangue Angus no mercado.
A diretora da Asbia, Lilian Matimoto, explica que o movimento acompanha o ciclo pecuário e a dinâmica de preços da arroba e do bezerro. Na visão dela, o aumento no valor do bezerro leva o pecuarista a reagir investindo mais em genética, em busca de produtividade e eficiência. “É um comportamento reativo ao mercado: quando o insumo encarece, cresce o interesse por produtividade e qualidade”, afirma.
Outro fator determinante para o avanço da genética Angus é o fortalecimento da certificação de carne de qualidade. Segundo Maychel Borges, gerente do Programa Carne Angus Certificada, há uma relação direta entre a expansão da iniciativa e a venda de sêmen.
Na avaliação dele, a base desse sistema está na Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), responsável pela maioria dos animais que chegam ao programa.“Sem genética, não há como sustentar o crescimento da carne Angus”, resume.
Para o criador Valdomiro Poliselli Júnior, presidente do Grupo VPJ, o momento atual é de forte aquecimento, com centrais de inseminação mais ativas e demanda crescente por touros Angus. Ele destaca que há encomendas represadas e até filas de espera, reflexo direto da busca por animais que atendam aos padrões exigidos por frigoríficos e mercados internacionais.
Regionalmente, o avanço da genética Angus também reflete a expansão geográfica da raça. Em 2025, o Centro-Oeste liderou a comercialização de sêmen Angus, concentrando mais de 50% do total, seguido pelas regiões Sul, Norte, Sudeste e Nordeste.
Fonte: Ascom ABA




