O Ministério da Pecuária, Agricultura e Pesca (MGAP) do Uruguai decidiu suspender temporariamente a exportação de animais vivos para abate imediato.
O ministro da pasta, Alfredo Fratti, enfatizou que a medida anunciada na segunda-feira (15/7) abrange apenas essa categoria (gado em pé para abate imediato) – portanto, o restante pode ser exportado, como terneiros, gado leiteiro e bovinos para uso reprodutivo.
Fratti afirmou que a decisão responde às dificuldades vivenciadas atualmente pela indústria frigorífica uruguaia.
O ministro argumentou que há mais de mil trabalhadores no seguro-desemprego (exatamente, 1.030 pessoas – desse total, 590 benefícios trabalhistas devem expirar em junho/25), além de seis empresas do setor fechadas.
“O objetivo é evitar que essa adversidade aumente e, por isso, o governo busca, com a medida de suspensão temporária, remover obstáculos para que os frigoríficos possam acessar bovinos prontos para o abate”.
Fratti acrescentou que há plantas, principalmente de menor porte, que não conseguem pagar o valor pedido pelos pecuaristas que negociam os seus lotes de boiadas gordas.
Durante 2024, o Uruguai exportou 347 mil bovinos vivos, e apenas 14.621 eram animais para abate imediato.
Porém, em 2025, os embarques desse tipo de gado (para abate imediato) cresceram 55%, passando de quase 15.000 para quase 22.711 cabeças.
O ministro da Agricultura observou que a suspensão temporária está em conformidade com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). “É temporária; nada é proibido e não é discriminatória, já que não visa nenhum país específico”, reafirmou Fratti, em nota.
Segundo reportagem do jornal uruguaio El Observador, os produtores entendem que “o governo tomou uma má decisão, afetando sua liberdade de escolher para quem vender os animais prontos”. Alegam também que a medida gera incerteza e prejudica a credibilidade do país.
Além disso, diz a reportagem, os pecuaristas ressaltam que foi necessário muito esforço para manter ativo o mercado da Turquia para exportação de gado em pé e que, com essa interrupção, esse destino pode começar a se abastecer com outros fornecedores.
“Se os turcos deixarem de comprar, não será fácil convencê-los a voltar”, alertaram os pecuaristas uruguaios.




