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Semana de disparada no mercado do boi gordo, com negócios a até R$ 320/@ nas praças paulistas

Na avaliação da IHS Markit, os frigoríficos devem continuar com dificuldade em encontrar boiadas prontas para abater nas próximas semanas, o que abrirá caminho para novas valorizações da arroba
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A terceira semana de novembro foi marcada por forte e surpreendente valorização da arroba no mercado físico do boi gordo.

Nos dados da Scot Consultoria, durante a semana, a cotação do boi gordo subiu R$ 12/@, enquanto a vaca e novilha prontas para abater registraram valorização de gorda de R$ 10/@ e  R$ 11/@, respectivamente.

Com isso, a referência de preços está em R$ 312/@ de boi gordo, R$ 285/@ de vaca gorda e R$ 298/@ de novilha gorda (preços brutos e a prazo).

Há, no entanto, negócios acima dessas referências, dependendo das condições inerentes ao negócio, informa a Scot.

“A combinação entre oferta restrita de animais terminados e maior necessidade de compra das indústrias desencadeou um forte movimento de alta nas indicações de compra”, ressaltam os analistas da IHS Markit.

Porém, após a disparada dos preços ao longo da semana, o mercado encerrou a sexta-feira (19/11) com certa acomodação das máximas.

“As altas alcançadas no decorrer da semana possibilitaram uma maior liquidez de negócios, o que ajudou boa parte das unidades de abate a finalizar as suas escalas de abate para a próxima semana, embora ainda se tenha relatos de lacunas e irregularidade entre as programações”, observa a IHS.

Algumas indústrias frigoríficas relataram possuir ofertas remanescentes de animais oriundas de confinamentos próprios, o que também ajudou a diminuir a intensidade das compras de gado nesta sexta-feira.

Na avaliação da IHS, nas próximas semanas, porém, os frigoríficos devem continuar com dificuldade em encontrar boiadas prontas para abater, o que abrirá caminho para novas valorizações da arroba.

Segundo o médico veterinário Leandro Bovo, sócio e diretor da Radar Investimento, após a subida impressionante do boi gordo – que saltou de R$ 260/@ em São Paulo para 315/@ –, resta saber se o valor da arroba vai superar o pico do ano (máxima de R$ 320/@).

“Será que conseguiremos superar esse patamar sem nosso principal parceiro comercial?”, indaga Bovo, referindo-se à ausência da China no mercado importador de carne bovina.

Na avaliação do analista, a margem da indústria no mercado interno vai ditar o limite desse movimento de alta.

Bovo levanta dúvida sobre os motivos que levaram a uma recuperação tão rápida nos preços do boi gordo. “O que está por trás desse movimento?”. Seria alguma sinalização da retomada de China? Medo da falta de oferta lá na frente? Expectativa de melhor venda de carne no mercado interno no fim do ano?”, relata o analista.

Seja qual for a resposta, diz Bovo, o volume ofertado vai continuar pequeno até que um novo preço de equilíbrio seja formado.

No curtíssimo prazo, afirma o analista, tudo leva a crer que esse equilíbrio se dará sem a China nas compras. “Logicamente que ninguém sabe quando as compras serão retomadas, porém as sinalizações recentes apontam para a volta somente em 2022”, prevê Bovo.

Embarques em queda – As exportações brasileiras de carne bovina  continuam recuando. Até a segunda semana de novembro, o Brasil exportou 38,2 mil toneladas de carne bovina in natura. A média diária foi de 4,78 mil toneladas, queda de 9,7% na comparação semanal e 42,9% menor comparado ao mesmo período de 2020.

Segundo Bovo, por mais que, na exportação, a indústria tenha conseguido retomar mercados e expandir outros (como o caso dos EUA), o volume e preço que a China pagava ainda são insubstituíveis e fazem muita falta.

“Para se ter uma ideia do tamanho do buraco, em setembro, último mês com volume relevante enviado à China, o Brasil exportou 185 mil toneladas de carne bovina”, relembra o sócio da Radar Investimentos, acrescentando que, em novembro, os embarques devem atingir apenas 75 mil toneladas, ou somente 40% do total de setembro.

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Estratégia no campo – Do lado de dentro das porteiras, os elevados volumes de chuvas em grande parte do Brasil têm feito muitos pecuaristas reter animais nos pastos (revigorados pelas chegada das precipitações).

“O manejo estratégico de boiada não acabada do cocho às pastagens ajudou a minimizar prejuízos gerados pelos elevados custos com nutrição”, relata a IHS Markit.

Portanto, muitos produtores que ainda possuem loteS remanescente de confinamento seguem barganhando preços mais altos pela arroba, uma maneira de amenizar os prejuízos adquiridos nos meses de setembro e outubro, quando o valor da arroba despencou – justamente pela decisão da China em manter o embargo iniciado em 4 de setembro, após a confirmação de dois casos atípicos de vaca louca no Brasil (em Minas Gerais e no Mato Grosso).

Giro pelas praças – Entre as principais regiões pecuárias do Brasil, o ambiente foi de preços firmes nesta sexta-feira, segundo apurou a IHS Markit.

Em São Paulo, a máxima segue em R$ 320/@ (valor bruto) e nos Estados de MG, MS, RS e PR, os valores praticados já superam os R$ 300/@ (bruto).

Em GO e no MT, o mercado trabalha em torno de R$ 300/@, com uma indústria tomando uma posição mais cautelosa nesta sexta-feira.

Nas praças da região Norte, a sexta-feira foi de poucos negócios, informa a IHS. Nota-se resistência e cautela entre as unidades de abate no mercado local, relata a consultoria.

Mercado futuro – Na B3, os contratos futuros do boi gordo também passaram por movimentos de ajustes de posições e realização de lucro depois das máximas atingidas ao longo da semana, o que trouxe volatilidade e variações mistas aos preços.

No mercado atacadista, os preços dos principais cortes bovinos subiram durante a semana, informa a IHS.

O fato das indústrias frigorificas operarem com escalas curtas e abate irregular tem colaborado para manutenção de uma oferta enxuta da proteína no mercado interno.

Paralelamente, relata a IHS, o consumo ativo, sobretudo por cortes mais nobres, tem garantido níveis de vendas satisfatório no atacado, enquanto que as vendas externas também ajudam na equalização dos estoques.

“Os frigoríficos seguem tentando repassar a alta dos preços da boiada gorda no preço da carne”, observa a IHS.

Especialmente nesta sexta-feira, entre os principais cortes bovinos, apenas o dianteiro registrou novo movimento de alta, embora os demais continuem firmes diante da demanda ativa.

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Segundo a IHS, a oferta de mercadoria está bem regulada ao consumo vigente, efeito dos problemas com o ritmo de abate de animais nas indústrias frigoríficas.

Tal fato deve manter o descompasso entre oferta e demanda e garantir suporte aos preços dos principais cortes, ressalta a IHS.

Ainda sobre efeito China – O IBGE divulgou dados preliminares de abate de animais durante o terceiro trimestre de 2021, o que, segundo a IHS Markit, traz um pouco de luz sobre o assunto relacionado ao mercado da China.

Segundo a consultoria, o destaque recai sobre a forte retração dos abates em setembro, sob efeito da paralização dos envios de carne bovina brasileira ao mercado chinês.

“A forte retração no abate de bovinos naquele período reforça o peso que o mercado chinês ganhou na dinâmica do setor pecuário desde que o país asiático começou comprar o produto brasileiro”, relata a IHS.

De acordo com o IBGE, em setembro de 2021, os frigoríficos brasileiros abateram 1,91 milhão de cabeças, retração de 25,6% frente ao número de bovinos levados ao gancho em setembro do ano passado.

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Essa queda ocorreu depois de uma acentuada evolução dos abates, impulsionados pelo forte ritmo das exportações durante 2021, o que culminou no maior volume do ano em agosto, quando as indústrias abateram pouco mais de 2,5 milhões de bovinos, relembra a IHS.

Com a saída da China, continua a consultoria, as unidades de abate deram férias coletivas e reduziram drasticamente a capacidade operacional das plantas, uma tentativa de adequar a produção à demanda.

“Esse ‘cavalo de pau’ dado pelo setor industrial gerou prejuízos e desarranjos”, observa a IHS.

Cotações máximas desta sexta-feira, 19 de novembro, segundo dados da IHS Markit:

SP-Noroeste:

boi a R$ 315/@ (prazo)
vaca a R$ 296/@ (prazo)

MS-Dourados:

boi a R$ 305/@ (à vista)
vaca a R$ 286/@ (à vista)

MS-C.Grande:

boi a R$ 305/@ (prazo)
vaca a R$ 287/@ (prazo)

MS-Três Lagoas:

boi a R$ 300/@ (prazo)
vaca a R$ 283/@ (prazo)

MT-Cáceres:

boi a R$ 293/@ (prazo)
vaca a R$ 277/@ (prazo)

MT-Tangará:

boi a R$ 293/@ (prazo)
vaca a R$ 276/@ (prazo)

MT-B. Garças:

boi a R$ 296/@ (prazo)
vaca a R$ 278/@ (prazo)

MT-Cuiabá:

boi a R$ 294/@ (à vista)
vaca a R$ 276/@ (à vista)

MT-Colíder:

boi a R$ 296/@ (à vista)
vaca a R$ 275/@ (à vista)

GO-Goiânia:

boi a R$ 300/@ (prazo)
vaca R$ 286/@ (prazo)

GO-Sul:

boi a R$ 300/@ (prazo)
vaca a R$ 283/@ (prazo)

PR-Maringá:

boi a R$ 305/@ (à vista)
vaca a R$ 286/@ (à vista)

MG-Triângulo:

boi a R$ 310/@ (prazo)
vaca a R$ 286/@ (prazo)

MG-B.H.:

boi a R$ 305/@ (prazo)
vaca a R$ 288/@ (prazo)

BA-F. Santana:

boi a R$ 291/@ (à vista)
vaca a R$ 281/@ (à vista)

RS-Porto Alegre:

boi a R$ 306/@ (à vista)
vaca a R$ 282/@ (à vista)

RS-Fronteira:

boi a R$ 306/@ (à vista)
vaca a R$ 288/@ (à vista)

PA-Marabá:

boi a R$ 288/@ (prazo)
vaca a R$ 286/@ (prazo)

PA-Redenção:

boi a R$ 291/@ (prazo)
vaca a R$ 286/@ (prazo)

PA-Paragominas:

boi a R$ 288/@ (prazo)
vaca a R$ 278/@ (prazo)

TO-Araguaína:

boi a R$ 291/@ (prazo)
vaca a R$ 276/@ (prazo)

TO-Gurupi:

boi a R$ 286/@ (à vista)
vaca a R$ 271/@ (à vista)

RO-Cacoal:

boi a R$ 279/@ (à vista)
vaca a R$ 266/@ (à vista)

RJ-Campos:

boi a R$ 291/@ (prazo)
vaca a R$ 276/@ (prazo)

MA-Açailândia:

boi a R$ 276/@ (à vista)
vaca a R$ 256/@ (à vista)

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