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É alta a presença de micotoxinas na nutrição bovina, alertam estudos

Pesquisas recentes revelam ampla contaminação de rações e silagens por fungos tóxicos, que comprometem a saúde e o desempenho dos bovinos

Com o avanço dos confinamentos no Brasil, cresce a preocupação com a segurança dos alimentos oferecidos aos bovinos. Um dos principais riscos sanitários é a contaminação por micotoxinas — substâncias tóxicas produzidas por fungos que comprometem o desempenho zootécnico e, em casos severos, podem causar a morte dos animais.

Carlos Augusto Mallmann, professor da Universidade Federal de Santa Maria e coordenador do Laboratório de Análises Micotoxicológicas (Lamic), conduziu uma ampla análise de risco das principais micotoxinas encontradas no milho brasileiro e em outros países das Américas. O estudo reuniu mais de 2,9 milhões de análises realizadas em 89 países, permitindo mapear os padrões de contaminação e compreender a gravidade do problema.

No Brasil, a pesquisa revelou que as fumonisinas, produzidas por fungos do gênero Fusarium, estão presentes em 84% das amostras processadas pelo Lamic — que responde por cerca de 30% dos alimentos processados. A incidência é maior nas regiões Norte, Sudeste e Nordeste, com destaque para Bahia e Ceará.

As aflatoxinas, outro grupo de micotoxinas de grande preocupação, têm sido detectadas com frequência crescente, sobretudo no Sul, Norte e Nordeste, especialmente no Maranhão e em Santa Catarina. Essas toxinas, que também contaminam DDG, sorgo, soja, amendoim e sementes de algodão, são consideradas cancerígenas e podem deixar resíduos em leite e ovos.

Outro desafio vem do desoxinivalenol, micotoxina comum em cereais como trigo, milho e cevada, cuja prevalência é maior no Sul e Centro-Oeste, especialmente no Rio Grande do Sul e no Paraná — reforçando a necessidade de monitoramento constante e controle rigoroso da qualidade dos ingredientes usados na nutrição animal.

Na íntegra desta reportagem você também confere:

  • As micotoxinas mais comuns detectadas em confinamentos brasileiros;
  • Como a inteligência artificial tem ajudado a mapear os riscos de contaminação;
  • Principais resultados do estudo conduzido pela Esalq/USP e dsm-firmenich;
  • A relação entre silagem de milho e a presença de múltiplas micotoxinas;
  • Fatores que favorecem a contaminação durante o armazenamento e processamento;
  • Estratégias de manejo para evitar fungos em silagens e grãos;
  • O papel dos adsorventes e os critérios que definem sua real eficiência.

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