Apresentado Por:

Pressão dos frigoríficos continua, mas boiada no campo garante estabilidade nos preços do boi gordo

Postura firme dos pecuaristas, amparada pela qualidade das pastagens nativas, limita o volume de negócios e impede o avanço das escalas de abate, destaca a Agrifatto
Compartilhe:

Continue depois da publicidade

Continue depois da publicidade

A pressão baixista exercida pelos frigoríficos brasileiros, motivada pelo atual conflito no Oriente Médio e pela queda sazonal no consumo interno de carne bovina – movimento típico da segunda quinzena, estimulado pelo esgotamento dos salários recebidos no início do mês – tem travado as negociações envolvendo lotes de boiadas gordas nas principais praças do País.

Nesta quarta-feira (11/3), apesar da tentativa de desvalorização da arroba, a indústria não atingiu seus objetivos, informa a Agrifatto, que apurou estabilidade nos preços em todas as 17 principais regiões pecuárias monitoradas diariamente pela sua equipe de analistas.

Confira as cotações da arroba do boi gordo e do “boi-China”, apuradas no dia 11/3 pela Agrifatto e pela Scot Consultoria; clique AQUI.

“A postura firme dos pecuaristas, amparada pela qualidade das pastagens nativas, limitou o volume de negócios e impediu o avanço das escalas que, atualmente, atendem seis dias, na média nacional”, destaca a consultoria.

Com a oferta cada vez mais restrita, o poder de negociação tende a se concentrar nas mãos dos produtores, acrescentam os analistas.

“As escalas de abate apertadas limitam a capacidade dos frigoríficos de promover quedas mais acentuadas nos preços do boi gordo”, ressaltam eles.

Pelos dados da Agrifatto, no mercado paulista, o boi gordo segue valendo R$ 350/@, no prazo, enquanto a média da cotação da arroba nas outras 16 praças acompanhadas permanece em R$ 328,80/@.

No mercado futuro, diz a Agrifatto, a sessão de terça-feira (10/3) da B3 foi marcada pela estabilidade nas cotações dos contratos do boi gordo.

O papel de curtíssimo prazo (com vencimento em março/26) encerrou o pregão cotado a R$ 344,30/@, com ligeira alta de 0,23% em relação ao dia anterior.

Preços da vaca em queda em SP

Segundo levantamento da Scot Consultoria, nesta quarta-feira (11/3), a cotação da vaca gorda recuou R$ 3/@ na praça paulista, para R$ 322/@, valor bruto, no prazo.

Por sua vez, na mesma região, os preços do boi gordo sem padrão-exportação, do “boi-China” e da novilha gorda ficaram estáveis, em R$ 347/@, R$ 350/@, e R$ 335/@, respectivamente (valores também brutos, no prazo), informa a Scot.

De acordo com os dados da consultoria, ao longo de 2025, a cotação do boi gordo ficou, em média, 9,4% acima da cotação da vaca, sendo raros os momentos em que essa diferença ficou abaixo de 7%.

Por sua vez, compara a Scot, em 2026, até 10 de março, essa diferença média caiu para 5,5%, e poucas vezes superou os 7%, comportamento oposto ao observado no ano anterior.

Diante disso, diz a Scot, é possível que a pressão recente sobre a cotação da vaca esteja relacionada a um ajuste do ágio entre machos e fêmeas.

“Com a forte valorização dos bovinos terminados no início do ano, os preços das fêmeas se aproximaram da cotação dos machos e agora, com a desaceleração das altas, as cotações podem estar passando por um movimento de correção para patamares mais próximos do padrão”, analisa a consultoria.

De junho de 2023 a dezembro de 2025, a cotação do boi gordo ficou, em média, 10,4% acima da cotação da vaca.

No entanto, a Scot levanta uma segunda hipótese: com a redução no abate de fêmeas e o início de uma virada de ciclo, marcada pela tendência de retenção de matrizes, a oferta de vacas tende a diminuir.

“Nesse contexto, um ágio menor entre o boi gordo e a vaca gorda, em relação ao que foi observado nos últimos anos, pode acabar se consolidando como um novo padrão de mercado”, avalia a Scot.

Gostou? Compartilhe:

Mais Lidas

1.

Encontre aqui a consultoria ideal para sua fazenda

Vídeos em destaque

Mais Lidas

Colunistas