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Preços da carne bovina nos EUA sobem 22% durante o 2º mandato de Trump

Preços da carne bovina nos EUA aumentaram devido à menor oferta de gado e ao aumento da demanda entre as famílias norte-americanas
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Em seu discurso sobre o Estado da União na noite de terça-feira (24/2), o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que as políticas de seu governo estavam “acabando rapidamente” com os altos preços de certos alimentos, incluindo proteínas na dieta norte-americana, como carne bovina, frango e ovos.

No entanto, segundo relata o portal norte-americano de notícias CNBC,  os preços do frango e da carne bovina aumentaram desde que Trump assumiu o cargo em janeiro de 2025.

Durante seu discurso, o líder norte-americano afirmou que os preços da carne bovina estão “começando a cair significativamente”.

Segundo o texto da CNBC, dados federais mostram que os preços da carne bovina começaram a cair em alguns casos, mas permanecem próximos de máximas históricas ou recordes plurianuais.

Em janeiro/26, o preço médio da carne moída norte-americana era de US$ 6,75 por libra — o valor mais alto já registrado. Em 2025, quando Trump iniciou seu segundo mandato, as cotações da proteína subiram 22% em relação ao ano anterior, para acima de US$ 5,55 por libra, diz a reportagem.

Essa é a maior taxa de inflação anual desde junho de 2020, durante o primeiro mandato de Trump“, ressalta o texto. De acordo com dados federais, os preços de outros cortes de carne bovina também estão elevados.

Por exemplo, o preço médio de bifes de carne crua em janeiro foi de US$ 12,30 por libra , uma leve queda em relação ao recorde histórico de US$ 12,51 por libra em dezembro/25, segundo dados do Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA. Os preços desse produto subiram 13% no último ano.

Em janeiro/26, o preço médio do rosbife cru era de US$ 8,2 por libra, uma queda em relação ao recorde de US$ 9,29 por libra em novembro. Os preços médios desse corte subiram 14% no último ano.

Os preços da carne bovina “ainda estão substancialmente mais altos” do que no último ano, disse Michael Swanson, economista-chefe agrícola do Instituto Agroalimentar Wells Fargo. Uma queda recente nos preços é “um consolo muito fraco para a maioria das pessoas”, acrescentou Swanson.

Estoques baixos e demanda aquecida

Em linhas gerais, os preços da carne bovina nos EUA aumentaram devido à menor oferta de gado e ao aumento da demanda entre as famílias norte-americanas, de acordo com economistas agrícolas.

É um “duplo golpe”, disse Charley Martinez, professor assistente e diretor do Departamento de Economia Agrícola e de Recursos Naturais da Universidade do Tennessee.

Do lado da oferta, o estoque de gado nos EUA está no nível mais baixo em décadas, segundo os dados federais.

Em 1º de janeiro, havia 27,6 milhões de vacas de corte nos Estados Unidos, o menor número desde 1961, de acordo com dados históricos do USDA (Departamento de Agricultura dos EUA).

Em 1º de janeiro, havia cerca de 86,2 milhões de cabeças de gado nos EUA — incluindo outros tipos, como as destinadas à produção de leite —, o menor número desde 1951, segundo o USDA.

Diversos fatores contribuíram para o declínio acentuado do rebanho bovino nos EUA, escreveu Bernt Nelson, economista da American Farm Bureau Federation, uma associação comercial.

A seca persistente causou a deterioração das condições das pastagens para as vacas, disse Nelson.

Boas condições de pastagem reduzem os custos de criação de gado, enquanto condições ruins obrigam os agricultores e pecuaristas a importar feno de outras partes do país, contribuindo para custos recordes na criação e alimentação do gado”, afirmou Nelson.

Ele acrescentou: “Como resultado, muitos agricultores venderam as vacas em vez de mantê-las para a reprodução“.

“É difícil produzir mais carne bovina quando não se tem gado suficiente para isso”, disse Amy Smith, economista de alimentos da Advanced Economic Solutions, de acordo com a reportagem da CNBC. Ela acrescentou que também leva muito tempo, cerca de três anos, para criar vacas para o mercado de carne bovina.

No entanto,  a demanda por carne bovina entre as famílias norte-americanas aumentou mesmo com a alta dos preços, disseram economistas. O Índice de Demanda de Carne Bovina Fresca no Varejo atingiu, em 2025, seus níveis mais altos desde pelo menos 2000.

A Covid-19 e toda a pandemia geraram uma demanda muito maior”, disse o professor Martinez, acrescentando: “Todo mundo virou mestre do churrasco no quintal. …Houve uma mudança no paladar e na preferência por carne bovina que nunca tínhamos visto antes.”

Economistas afirmaram não acreditar que os preços da carne bovina continuarão a cair no curto prazo devido à dinâmica de oferta e demanda no mercado.

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