Mesmo diante da pressão de baixa sobre a arroba e das incertezas comerciais envolvendo a China, o mercado brasileiro do boi gordo segue encontrando sustentação, relata a Agrifatto, que acompanha diariamente as movimentações de negócios em 17 praças nacionais.
A combinação entre oferta restrita de animais terminados e bom ritmo das exportações de carne bovina in natura tem impedido recuos nas cotações da arroba, acrescenta a consultoria.
Segundo dados levantados pela Agrifatto, as escalas de abate dos frigoríficos brasileiros seguem apertadas, embora estáveis, em 7 dias úteis na média nacional. “Parte dos frigoríficos está fora das compras de boiadas gordas”, dizem os analistas da consultoria.
Na avaliação da Agrifatto, rumores sobre a existência de pesticidas em cargas brasileiras de carne bovina e possíveis restrições da China mantêm o setor em alerta, já que não há posicionamento oficial das autoridades chinesas.
Com isso, a Agrifatto apurou que, nesta quarta-feira (12/11), alguns negócios envolvendo lotes de animais gordos foram fechados por valores inferiores nas praças de São Paulo e de Mato Grosso, enquanto em Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso ainda ocorreram negociações pontuais acima da média.
No entanto, continua a consultoria, o baixo volume de operações limita a representatividade desses movimentos como referência para o mercado.
No final das contas, reforça a Agrifatto, a quarta-feira repetiu os preços de terça-feira (11/11), sem alteração nas 17 regiões monitoradas pela consultoria. “Nos próximos dias, é possível que a pressão baixista exercida pelos frigoríficos ganhe força”, prevê a Agrifatto.
Vaca sobe em SP
De acordo com levantamento da Scot Consultoria, a vaca gorda subiu R$ 4/@ nesta quarta-feira (12/11) no mercado paulista, para R$ 302/@, no prazo (valor bruto).
Por sua vez, os preços dos demais animais terminados ficaram estáveis, em R$ 320/@ (boi gordo sem padrão-exportação), R$ 312/@ (novilha gorda) e R$ 325/@ (“boi-China”).
Mercado futuro oscilando para os dois lados
Na terça-feira (11/11), os contratos futuros do boi gordo apresentaram leves quedas ou moderados aumentos.
O contrato com vencimento em dezembro/25 encerrou o pregão negociado a R$ 322,15/@, com acréscimo de 0,31% em relação ao dia anterior.
Por sua vez, o contrato novembro/25 encerrou a sessão com baixa 0,19%, cotado a R$ 318,40/@.
EUA indicam importações fortes em 2026 e 2027
Durante a reunião anual da MICA, no Texas, EUA, foi apresentada uma projeção que indica manutenção da forte demanda no mercado norte-americano de carne bovina importada nos próximos anos (em 2026 e 2027).
“Essa necessidade (de manter as importações em ritmo forte) decorre da queda esperada na produção doméstica, o que tende a sustentar o mercado internacional e abrir espaço para os exportadores”, antecipam os analistas da Agrifatto.
Negócios com a China em compasso de espera
O mercado chinês de carne bovina segue lento e incerto, com importadores reduzindo volumes e mantendo cautela nas negociações, relata a Agrifatto.
“A expectativa gira em torno da decisão do governo, prevista para 26 de novembro/25, sobre possíveis medidas de salvaguarda que podem incluir cotas de importação e tarifas adicionais ”, observa a consultoria.
Segundo apurou a Agrifatto, durante a Exposição Internacional de Importação da China, em Xangai, compradores de carne bovina postergaram os negócios à espera das definições sobre as medidas de salvaguarda, enquanto o comércio permanece com pouca liquidez e demanda seletiva.
Com isso, diz a Agrifatto, o preço da carne bovina brasileira importada pela China segue estável no comparativo semanal, negociado entre US$ 5.400 e US$ 5.800 por tonelada.
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