Nesta quarta-feira (15/4), os preços do boi gordo ficaram estáveis nas principais praças brasileiras, conforme apuração das consultorias do setor pecuário.
Pelos dados da Agrifatto, o boi gordo paulista segue valendo R$ 370/@, no prazo, um valor nominal nunca antes alcançado no País.
No restante das regiões monitoradas, a consultoria detectou, nesta quarta-feira, elevação nas cotações da arroba nas praças de Rondônia e do Rio Grande dos Sul. Nas demais regiões, os preços ficaram estáveis.
Pelos números da Scot, o boi gordo sem padrão-exportação segue cotado em R$ 365/@ no interior de São Paulo, enquanto o “boi-China” está apregoado em R$ 370/@ (valores brutos, no prazo).
Para as fêmeas, o mercado também está comprador, e as ofertas de compra subiram R$ 9 (vaca gorda) e R$ 5/@ (novilha) desde o início de abril/26, para R$ 335/@ em R$ 345/@, respectivamente, acrescenta a Scot, ainda referindo-se ao mercado paulista.
“As exportações brasileiras de carne bovina, somada ao recebimento dos salários e à menor oferta de boiadas, estão sustentando o mercado”, diz o zootecnista Felipe Fabbri, analista da Scot. “Destaque para a China, cujo ritmo de compras está aquecido”, completa ele.
Segundo Fabbri, a preocupação quanto a um possível recuo nos embarques de carne bovina diminuiu.
Em março/26, lembra ele, o Brasil embarcou outro recorde mensal, despejando no mercado internacional 233,9 mil toneladas do produto in natura, com a China responsável por 101,9 mil toneladas.
“O fechar de portas para a exportação à China, cada dia mais próximo com o preenchimento gradual da cota, mantém a demanda para a exportação ao país asiático aquecida em um momento diferente do habitual”, observa Fabbri, acrescentando que o “mercado está comprador e não dá sinais de desaceleração”.
“A oferta de boiadas está mais comedida em relação ao ano passado e, ao menos em abril, assim deve seguir”, prevê o analista, completando que, no curto prazo, o “mercado deve seguir com preços firmes e tendência de alta”.
Segundo a Agrifatto, a queda de braços entre pecuaristas e frigoríficos continua, com o vendedor mais firme e a indústria ainda encontrando dificuldade na formação das programações de abate.
Desde o início do mês, relata a consultoria, os frigoríficos de grande porte passaram a conceder férias coletivas temporárias para ajustar o ritmo de abate diante da menor oferta de animais prontos e das escalas encurtadas.
A medida, continua a Agrifatto, teve impacto limitado, já que a demanda por carne bovina segue firme no mercado interno e nas exportações .
“O volume de lotes negociados continua insuficiente para alongar as escalas além de seis dias, na média nacional”, contabiliza a consultoria.
A menor disponibilidade de animais terminados, ressaltam os analistas, “tem levado a indústria a reduzir o ritmo de produção e ampliar a ociosidade, movimento típico de um mercado em valorização”.
De olho no pasto
Com a perda de qualidade das pastagens após o período chuvoso e o avanço do inverno no Sul e no Sudeste, a expectativa é de aumento gradual da oferta de animais terminados nas próximas semanas, alerta a Agrifatto.
Tal cenário, acrescenta a consultoria, deve reduzir a retenção dos animais. “Isso reforça a importância de utilização de instrumentos de proteção de preços, como o mercado futuro”, observa a consultoria.
Preços futuros sobem
O mercado futuro do boi gordo registrou leve alta no pregão de terça-feira (14/4) da B3.
O contrato com vencimento em maio/26 encerrou a sessão cotado a R$ 351,70/@, com aumento de 0,31% em relação ao fechamento anterior.




