O preço unitário médio da carne fresca nos varejistas rastreados nos EUA foi 6% maior na semana encerrada em 25 de abril do que no ano anterior, de acordo com a empresa de pesquisa de mercado Nielsen. Essas altas de preços, porém, não estão atingindo os criadores de gado, informa reportagem desta quinta-feira, 7 de maio, da agência Reuters.
Segundo Ryan Kasko, presidente da Associação de Alimentadores de Gado de Alberta, no Canadá, alguns frigoríficos canadense nem sequer oferecem lances de compra para o gado, enquanto outros oferecem preços 30% inferiores aos valores de janeiro passado.

Diante dessa atual situação, 11 estados do Centro-Oeste norte-americano pediram na terça-feira ao Departamento de Justiça Federal que investigasse suspeitas de fixação de preços pelas indústrias de carne. “Acreditamos que as afirmações não têm mérito e estamos confiantes em nossos esforços para manter a integridade do mercado e conduzir negócios éticos”, disse o porta-voz da Cargill Daniel Sullivan, segundo reportagem da agência Reuters
O fazendeiro de Alberta Kelly Smith-Fraser vê uma longa crise pela frente. Ele acredita que, no outono, receberá pela venda de seus bezerros menos da metade do preço normal, informa a Reuters
O Canadá e os Estados Unidos estão entre os maiores exportadores de carne bovina do mundo, mas os surtos de Covid-19 entre funcionários obrigaram algumas fábricas da Cargill, JBS SA e Tyson Foods a fechar ou diminuir temporariamente a produção.
Enquanto isso, a cadeia de fast food Wendy’s diz que está ficando sem carne, enquanto Kroger e Costco limitam as vendas de alguns itens de produtos à base da proteína vermelha. “De tempos em tempos, pode haver alguns itens em falta de estoque”, disse Todd Penegor, presidente-executivo da Wendys. “São provavelmente algumas semanas de tensão desafiadora que teremos que resolver.”
O presidente da Associação de Alimentadores de Gado de Alberta estima que haja até 80.000 bovinos canadenses aguardando o abate, e o número pode chegar a 250.000 cabeças até julho. “Há um mês, eu nem imaginava isso”, disse Kasko, à Reuters.

Victor Colello, diretor de carne e peixe da rede de supermercados Morton Williams, em Nova York, disse que não teve nenhum problema em obter carne, mas que “os preços estão loucos”. “Nas últimas duas semanas, os preços subiram de US$ 3 a US$ 5 por libra-peso; eu me pego alterando os preços a cada dois ou três dias”, afirmou, à Reuters. Colello disse que o filé mignon passou de US$ 8,50/US$ 9 por quilo há duas semanas para US$ 14/kg. Os lombos, que costumavam custar US$ 6,50 a libra, agora valem entre US$ 10 e US$ 11, enquanto um quilo de costela subiu de US$ 7 para US$ 11. “Tenho 56 anos, venho fazendo isso a vida toda e nunca vi algo assim”, destacou Colello. Fonte: Reuters, adaptado por Dênis Cardoso.




