Os pecuaristas franceses estão protestando contra as medidas de erradicação da dermatose nodular contagiosa (DNC) – ou LSD, sigla em inglês para Lumpy Skin Disease) –, que exigem o abate em massa de todos os animais dos rebanhos afetados, informa a plataforma Euractiv (www.euractiv.com), canal especializado em notícias ligados ao bloco europeu.
Inofensiva para humanos, a DNC afeta o gado causando febre, nódulos na pele, queda na produção de leite, possível esterilidade de touros, lesões cutâneas e, às vezes, a morte.
Em 29 de junho, a França confirmou seu primeiro surto em gado na região de Savoie. Desde então, o vírus se espalhou e agora afeta 77 rebanhos em três departamentos, incluindo um novo caso detectado no último fim de semana, informou o Ministério da Agricultura na terça-feira (26/8).
A DNC é uma doença que normalmente não ocorre em países da União Europeia – portanto, é classificada pela legislação local na ‘Categoria A’, que exige um controle mais rigoroso do que algumas outras doenças.
Em caso de surto, explica o portal europeu, a legislação da UE determina que “todos os animais das espécies listadas sejam abatidos o mais rápido possível no local”. A França, portanto, mantém que suas medidas sanitárias são apropriadas, acrescenta a reportagem.
“Um animal pode estar doente sem ser detectado por testes”, disse a ministra da Agricultura da França, Annie Genevard, reafirmando sua intenção de “travar uma batalha implacável contra essa doença”.
“Se não eliminarmos rapidamente a fonte do vírus despovoando completamente os focos, não conseguiremos controlar sua propagação e o número de focos se multiplicará”, acrescentou Laurent Perrin, diretor do Sindicato Nacional Veterinário (SNVEL).
Protesto dos franceses
Para conter o vírus, o ministério francês impôs restrições desde 16 de julho/25, incluindo proibição de movimentação, vacinação obrigatória e o “abate total dos rebanhos infectados”. Tal medida, conta a Euractiv, gerou forte reação dos pecuaristas franceses.
A estratégia implementada “é uma escolha política que poderia ser diferente e não se baseia em consenso científico e sanitário”, afirmou na segunda-feira a Confédération Paysanne, um sindicato de produtores.
Segundo o canal de notícias europeu, o sindicato defende, em vez disso, o abate parcial dos animais afetados e anunciou que bloqueará todos os abates totais planejados como forma de protesto.
“A medida não é apenas sanitária, mas sobretudo econômica”, disse o porta-voz do sindicato, Stéphane Galais, que argumenta que o objetivo do governo é “manter o status da França como livre da doença, o que garante a possibilidade de exportação”.




