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OUÇA 🎧 | IA e IATF no avanço da produtividade

No entorno, as vantagens da tecnologia e o que elas podem representar. Atenção para as melhores escolhas quanto à genética disponível no mercado e suas reais necessidades
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A monta natural deu ao País o rebanho bovino que tem e a condição de maior exportador de carne bovina do mundo. Portanto ela é básica em qualquer sistema de produção eficiente estabelecido. Mas a Inseminação Artificial (IA) é a grande ferramenta de multiplicação, principalmente no que diz respeito à velocidade nos ganhos genéticos no rebanho: o lucro.

E ao contrário do que pensam muitos pecuaristas, ela não é válida somente na bovinocultura seletiva. Pelo contrário, a ascensão da Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) viabilizou a mesma velocidade de ganho genético nos rebanhos comerciais. Essa conquista tecnológica fez quase triplicar as vendas de sêmen, em poucos anos.

O médico veterinário formado pela Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) e técnico do programa de melhoramento genético Embrapa Geneplus, Fernando Palamin Manzutti, é um dos profissionais que salientam uma série de vantagens para o pecuarista que fazer os devidos ajustes de manejo e instalações para trabalhar com a IA.

Foto: Arquivo pessoal

OUÇA 🎧 os comentários de Fernando Manzutti

1. Uma delas é o custo. Cumpridas as exigências internas da fazenda para a adoção da prática, o criador tem à disposição no mercado sêmen de touros realmente melhoradores – comprovados por Diferenças Esperadas de Progênie (DEPs) – no valor entre R$ 20 e R$ 50, a dose.

Trata-se de uma faixa de preços acessível para fazer uma prenhez, mesmo com os acréscimos provenientes da IATF, devido a hormônios e técnico treinado. “Ainda, assim, sai mais barata do que se partisse da compra de um reprodutor, que só se paga, em média, a partir de 25 filhos”, explica.

2. Outra vantagem é a possibilidade de trocar material genético, rapidamente, sempre que preciso. No caso do touro para monta natural, ele permanece de cinco a oito anos trabalhando na fazenda. Já na IA, mudam-se as informações genéticas de uma temporada para outra. É só deliberar corretamente.

Além disso, o produtor pode escolher touros novos todos os anos, obtendo variabilidade genética e mais eficiência, por suas vantagens de avanço de seleção e com riscos menores. O touro no campo sempre corre o risco de sofrer um acidente. No uso da IATF, o sêmen está no botijão e dificilmente o material será perdido.

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O desafio de escolher bons touros – Mas é preciso e fundamental interromper a lista de vantagens para falar da “escolha dos touros” na IA, a decisão mais difícil. Manzutti atenta que é preciso responder perguntas básicas: qual o tipo de criação que está em jogo? Qual seu mercado?

Se o criador vai fazer touros em gado PO, além de produtivos, precisam de caracterização racial que agrade, tal como aprumos, inserção de umbigo e toda essa parte fenotípica. E aí, a resposta de por que escolher IA e quais touros escolher, é um pouquinho mais complexa do que a do gado comercial.

Reforçando, outro item também importante na escolha de reprodutores para gado PO é uma genética que produza carne de qualidade. Além das características fenotípicas, incluindo itens de carcaça, por exemplo, com avaliações por ultrassonográficas, têm de se tomar cuidado com precocidade sexual, traduzidas em acabamento de carcaça.

Trata-se de um item que ajuda muito na qualidade da carne, onde se abateria um animal mais jovem com ótima cobertura de gordura subcutânea. Também o marmoreio (gordura entremeada entre as fibras dos músculos) é item de qualidade de carne. Logo é preciso estar muito consciente do mercado que pede.

Na verdade, é uma fatia um pouco mais restrita, mas que já existe no Brasil; não só na raça Nelore, mas, principalmente, para animais oriundos de cruzamento industrial. Assim quem vai escolher touros nessa estratégia, as escolhas são mais difíceis e onerosas, exatamente pelo valor agregado na genética em questão.

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De volta às vantagens da IA

3. Na IATF, uma vantagem é o encurtamento da estação de monta. Com sua adoção, todo ano se consegue puxar para mais cedo, já que nos primeiros dias, em média, consegue-se emprenhar 50% das fêmeas. Os bezerros chegam mais cedo.

4. Outra vantagem no melhoramento genético é conhecer quem são os pais. Essa informação é muito importante na hora de ter um controle genealógico do rebanho e saber qual o melhor material genético a ser empregado. Portanto, mais segurança nas decisões de melhoramento. Isso resulta em maior sucesso e, logo, produtividade e lucro do negócio.

Sempre se pensa em melhoramento genético. É o foco, uma pirâmide que constrói a partir de uma base e olhando para o futuro, lembrando da necessidade de monitorar os rumos do trabalho. A IATF permite esses benefícios e ainda traz uma padronização muito maior do rebanho.

Isso vale principalmente para quem trabalha com menor quantidade de touros. Na monta natural se é obrigado a utilizar um número grande de touros, porque cada um dá conta de, normalmente, de vinte e cinco a cinquenta vacas por ano. Já no caso da IATF, centenas ou milhares de vacas.

E há a possibilidade de utilizar um único touro, estratégia muito válida para o cruzamento industrial. Quando se está muito voltado à parte de produção e padronização de carcaça (tamanho e qualidade), a vantagem é enorme. Mas deve-se ponderar as características reprodutivas.

5. Outro destaque da IATF é o controle de doenças. Na IA utilizam-se materiais, desinfetados. Não há problema de contaminação como na utilização de touros a campo, onde as vacas podem estar expostas a um touro com alguma doença transmissível. No entanto, Manzutti não recomenda o uso de zero touro no repasse.

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6. A IATF também tem uma função muito importante no melhoramento genético que é a de ajudar a fazer testes de progênies e aumentar a acurácia das características genéticas do rebanho. Na monta natural, quando se tem um touro utilizado, ele trabalha somente com um número pequenos vacas.

É um problema, já que demora muito para se provar a qualidade do reprodutor, em questão. Com a IATF e a coleta do sêmen desse touro, ele pode ser utilizado ainda jovem em uma ação muito maior na fazenda e gerar maior de filhos nascidos. É um risco bem-vindo, mas logo ele já se prova. Talvez muito mais cedo, proporcionando o aumento da acurácia. As informações são muito mais confiáveis.

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