O respeitado analista australiano Simon Quilty, que participou da conferência WagyuEdge na quinta-feira (10/4), na Austrália, disse que a carne bovina exportada pelo seu país vem ganhando terreno no mercado dos EUA, superando os embarques da proteína brasileira, agora menos competitiva após as novas tarifas de importação determinadas pelo governo Trump.
“A mensagem clara é que muito menos carne bovina magra do Brasil está indo para a América nas últimas 48 a 72 horas, e a demanda por carne bovina australiana aumentou consideravelmente nas últimas 72 horas”, disse ele, segundo reportagem do portal australiano www.beefcentral.com.
Na noite anterior ao seu discurso na conferência WagyuEdge, a Austrália acordou com as manchetes de que o presidente dos EUA, Donald Trump, havia decidido suspender suas novas e abrangentes introduções de tarifas em 75 países por 90 dias, com exceção da China.
Segundo Quilty, as tarifas impostas pelos EUA serão amplamente positivas para a Austrália, e, teoricamente, negativas para os embarques brasileiros de carne bovina ao mercado norte-americano.
“O Brasil já atingiu sua cota anual para os EUA — o que aconteceu em meados de janeiro/25 — e agora incorre em uma tarifa mais alta de 36,4%”, relatou o analista referindo-se ao somatório entre a taxa recente (10%) com a tarifa anterior (26,4%) impostas pelo governo norte-americano ao produto brasileiro.
Por sua vez, o tarifaço de Trump no “Dia da Liberdade”, no início de abril/25, contemplou a Austrália com tarifa geral de 10%, tornando-a, teoricamente, mais competitiva no mercado de importação de carne bovina dos EUA, pois antes a proteína do país da Oceania recebia taxa zero para ocupar a mesa dos norte-americanos.
Segundo Quilty, a pausa tarifária de 90 dias reduziu muitos países a uma tarifa básica de 10%, o que, segundo ele, aliviou preocupações anteriores de uma recessão global e temores de que isso poderia afetar negativamente a demanda por carne bovina australiana em mercados-chave, como Japão e Coreia.




