Nesta semana encurtada pelo feriado prologado, os preços do boi gordo e da vaca gorda dispararam nas principais praças pecuárias, refletindo sobretudo a forte escassez de oferta de animais terminados. Em São Paulo, o valor máximo do boi gordo chegou a R$ 283/@, a prazo, nesta sexta-feira (6/10), enquanto a vaca gorda foi a R$ 266/@, segundo apurou a IHS Markit.
Na bolsa de mercadoria B3, o contrato de novembro/20 ultrapassou mais uma vez a casa dos R$ 290/@, encerrando a quinta-feira cotado a R$ 291,05/@. Já o papel para dezembro fechou em R$ 294,95/@ – ou seja, no curtíssimo prazo, o mercado futuro aponta para um valor de boi bem próximo de R$ 300/@.
“A dificuldade de compra de boiada gorda verificada nos últimos dias é tão notória que há casos extremos de plantas frigoríficas trabalhando para preencher escala de abate para o final desta primeira semana de novembro”, observa a consultoria.
São vários os motivos que resultaram no “apagão” de oferta de gado para abate este ano, a começar pelas questões estruturais: alto nível de abate de fêmeas em anos anteriores (que resultaram na queda na oferta de animais jovens); saída de muitos pecuaristas da atividade de cria devido ao estrangulamento das margens); e migração de pecuária para agricultura (que resultaram em redução do rebanho bovino no País).
Além disso, relata a IHS Markit, o quadro de oferta foi agravado pelo retardamento este ano no alojamento de animais nos confinamentos e também pelo atraso das chuvas, o que fez alguns pecuaristas a investirem na suplementação no cocho, justamente num momento de disparada nos preços das rações (impulsionada pelo aumento explosivo dos preços do milho e do farelo de soja). Boa parte dos produtores que têm lotes para vender prefere segurar a venda à espera de um valor de arroba ainda mais alto, para compensar os gastos com ração e reposição, justifica a IHS Markit.
Dessa maneira, as perspectivas mostram que a oferta de animais terminados deverá se manter restrita até o final do ano, já que a estiagem prolongada em muitas regiões do País prejudicou o desenvolvimento das pastagens e, consequentemente, a terminação dos animais. Na avaliação da IHS Markit, os lotes de bovinos terminados no pasto só “devem estar aptos ao abate no primeiro trimestre de 2021”. “Caso o clima não colabore nas próximas semanas, a situação será ainda mais preocupante”, acrescenta a consultoria.
Paralelamente, a menor produção de carne bovina associada a demanda aquecida, especialmente para exportação, ajuda reforçar a tendência altista no mercado do boi gordo. Além da China, o maior cliente da carne bovina produzida no Brasil, os embarques estão sendo puxados pela forte demanda de outros países fieis ao produto brasileiro, como Egito, que vem habilitando novas plantas no País. Em outubro, as vendas externas brasileiras alcançaram 162,7 mil toneladas de carne bovina in natura, recuperação de 14,3% frente ao mês anterior. No acumulado de janeiro a outubro, o volume exportado soma 1,41 milhão de toneladas, 11,8% maior que o período análogo de 2019.
Sexta-feira de preços firmes
Nesta sexta-feira, o mercado físico do boi gordo seguiu com preços predominantemente firmes, com o registro de valorizações em algumas praças importantes (veja no final desta página os valores atualizados de machos e fêmeas nas principais praças pecuárias do País).
Segundo a IHS Markit, devido ao atraso e irregularidade das chuvas entre importantes regiões pecuárias do País, o setor segue dependendo de ofertas oriundas de confinamento próprios para gerenciar melhor suas estratégias de compra num ambiente altamente especulativo.
O problema é que as indústrias de carne, além dos compromissos firmados com os importadores, precisam recompor rapidamente a produção de carne bovina no intuito de se preparar para o período de festas de final de ano, auge do consumo de proteína no mercado doméstico.
No atacado, os preços dos principais cortes bovinos seguem firmes. No entanto, prevê a IHS Markit, com a chegada do período de pico de consumo doméstico, novos ajustes ainda devem ocorrer, “visto que a dificuldade de compra de gado mantém o descompasso entre oferta e demanda, ao mesmo tempo em que se observa avanço nos preços das carnes concorrentes”.
Confira as cotações desta sexta-feira, 6 de novembro, segundo dados da IHS Markit:
SP-Noroeste:
boi a R$ 283/@ (prazo)
vaca a R$ 266/@ (prazo)
MS-Dourados:
boi a R$ 276/@ (à vista)
vaca a R$ 259/@ (à vista)
MS-C. Grande:
boi a R$ 278/@ (prazo)
vaca a R$ 258/@ (prazo)
MS-Três Lagoas:
boi a R$ 276/@ (prazo)
vaca a R$ 256/@ (prazo)
MT-Cáceres:
boi a R$ 266/@ (prazo)
vaca a R$ 254@ (prazo)
MT-Tangará:
boi a R$ 266@ (prazo)
vaca a R$ 253/@ (prazo)
MT-B. Garças:
boi a R$ 266/@ (prazo)
vaca a R$ 253/@ (prazo)
MT-Cuiabá:
boi a R$ 264/@ (à vista)
vaca a R$ 251/@ (à vista)
MT-Colíder:
boi a R$ 256/@ (à vista)
vaca a R$ 246/@ (à vista)
GO-Goiânia:
boi a R$ 266/@ (prazo)
vaca R$ 251/@ (prazo)
GO-Sul:
boi a R$ 266/@ (prazo)
vaca a R$ 256/@ (prazo)
PR-Maringá:
boi a R$ 276/@ (à vista)
vaca a R$ 261/@ (à vista)
MG-Triângulo:
boi a R$ 271/@ (prazo)
vaca a R$ 254/@ (prazo)
MG-B.H.:
boi a R$ 268/@ (prazo)
vaca a R$ 254/@ (prazo)
BA-F. Santana:
boi a R$ 261/@ (à vista)
vaca a R$ 256/@ (à vista)
RS-Porto Alegre:
boi a R$ 249/@ (à vista)
vaca a R$ 234/@ (à vista)
RS-Fronteira:
boi a R$ 244,50/@ (à vista)
vaca a R$ 234/@ (à vista)
PA-Marabá:
boi a R$ 266/@ (prazo)
vaca a R$ 256/@ (prazo)
PA-Redenção:
boi a R$ 264@ (prazo)
vaca a R$ 256/@ (prazo)
PA-Paragominas:
boi a R$ 266/@ (prazo)
vaca a R$ 261/@ (prazo)
TO-Araguaína:
boi a R$ 261/@ (prazo)
vaca a R$ 252@ (prazo)
TO-Gurupi:
boi a R$ 258/@ (à vista)
vaca a R$ 251/@ (à vista)
RO-Cacoal:
boi a R$ 256@ (à vista)
vaca a R$ 247/@ (à vista)
RJ-Campos:
boi a R$ 266/@ (prazo)
vaca a R$ 251/@ (prazo)
MA-Açailândia:
boi a R$ 266/@ (à vista)
vaca a R$ 251/@ (à vista)




